Publicado em: 16/02/2022
O calor do verão chegou e os
brasileiros já conseguem sentir os efeitos da temperatura elevada em suas
rotinas de trabalho e afazeres domésticos. Dificuldades de se concentrar e
aumento do estresse são algumas das principais consequências, porém, existe uma
delas afeta diretamente a vida das transportadoras e daqueles que frequentam as
rodovias brasileiras: os acidentes provocados por incêndios nas estradas.
Dados publicados, no dia 10 de
janeiro, pelo Serviço de Mudança Climática Copérnico da União Europeia (C3S)
mostraram que os últimos sete anos foram os mais quentes da história, sendo que
o ano passado ficou em 5º lugar na lista. Na COP 26, líderes mundiais se
comprometeram com a assinatura do Acordo de Paris e com o esforço de equilibrar
o clima mundial através da emissão de poluentes na atmosfera.
No Acordo, aprovado em 2015, as
nações estabeleceram a meta de reduzir os gases estufa e estabilização da
temperatura global em 1,5 ºC. Todavia, o C3 S registrou, em 2021, a quantidade
de 414 ppm de gás carbônico no ar, um aumento de 2,4 ppm em relação a 2020.
Se esses efeitos já são sentidos
pelos animais e pelos seres humanos, as cenas recentes de casas destruídas e de
famílias arrasadas pelas enchentes na Bahia ilustraram os problemas do
aquecimento global e de um planejamento urbano ruim. Com aqueles que atuam com
o transporte, essa situação além de assustadora, também é perigosa. O clima
seco influencia diretamente para o surgimento de incêndios nas estradas. E no
caso de produtos inflamáveis, qualquer exposição ao fogo ou ao calor pode gerar
desastres.
Informações coletadas pela Agência
Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo
(Artesp) também identificaram como consequência dos incêndios os acidentes
ocasionados pela neblina da fumaça. Os números, coletados desde 2019, mostraram
que ocorrências dessa categoria cresceram 57% e 21%, respectivamente, entre
janeiro e setembro de 2020, em comparação ao ano anterior.
Segundo Gislaine Zorzin, diretora
administrativa da Zorzin Logística, parte do trabalho de um operador logístico
envolve pensar nessas adversidades antes mesmo de colocar o caminhão para
rodar. “Esse é um bom exemplo de como a nossa função como transportadores é tão
desafiante, afinal, surpresas aparecem de formas diferentes e podem chegar a
qualquer momento. Algumas, por acontecerem com certa frequência, são até
previsíveis, outras não”, afirma a gestora.
É por isso que o investimento em
tecnologia tem sido um tema recorrente nos estudos e debates sobre a inovação
no transporte rodoviário de cargas (TRC). “Nesse sentido, temos muito a
absorver da contribuição e ajuda de especialistas e pesquisadores de outras
áreas, sobretudo do setor público. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(INPE), por exemplo, possui um site com informações completas a respeito de
onde está acontecendo alguma queimada. Dessa forma, ao projetarmos a rota de
entrega, sabemos quais percursos evitar, tanto antes quanto durante e após o
serviço”, complementa Gislaine.
Quem melhor se beneficia dessa
tendência, além do próprio caminhoneiro, é o setor de Gerenciamento de Riscos
(GR), pois eles têm em mãos um conjunto de dados perfeitamente organizados para
facilitar o trabalho deles. E para os diretores e gestores da empresa, os
custos aliviam bastante, porque, uma vez que os gastos com o GR já estão
inclusos no orçamento, não é preciso solicitar quantias adicionais.
O ideal é sempre se programar com
antecedência, mas nem sempre é possível contar com a previsibilidade. Sempre
acontecerá algo inesperado e os gestores precisam estar prontos para um
eventual incêndio no caminho. Nesses casos, eles devem mudar a rota e entrar em
contato com o contratante para avisá-lo da alteração do local de entrega. A
identificação do veículo através das tecnologias de rastreamento permite que
isso seja feito com rapidez e eficiência, mas não se deve esquecer do preparo
emocional.
“Manter a calma, paciência e a
concentração para não se desesperar quando algo dessa natureza surge não é
fácil. Esse é o motivo que motiva o segmento a enfatizar tanto os extensos
treinamentos anuais para o cumprimento dos protocolos de segurança, assim como
o rigor no controle interno de avaliação e testagem do comportamento e saúde
dos colaboradores (como os exames toxicológicos)”, finaliza Gislaine.
A empresa também conta com a
ajuda da polícia rodoviária e das concessionárias para a instalação de faixas
de identificação da estrada e de sinalizadores de velocidade, produção de
campanhas de orientação aos motoristas e a fiscalização da conduta dos
condutores, independentemente do tipo de veículo ou serviço realizado. Essa
combinação de estratégias entre todos os agentes envolvidos, somado à
introdução de medidas sustentáveis e à consciência ambiental no setor privado,
mantém a esperança do setor para a chegada de décadas menos poluentes, mesmo
que o aquecimento global esteja presente.
Fonte: Blog
do Caminhoneiro