Publicado em: 29/03/2023
O Brasil
bateu recordes em corrente de comércio exterior – importações e exportações –
entre os anos de 2019 e 2022, movimentando meio trilhão de dólares no período.
Além de
crescer em termos absolutos, essas transações também apresentaram avanço
proporcional. De acordo com dados do Banco Mundial, o comércio exterior sobre o
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi em 2021 o maior da série histórica
(iniciada em 1960): 39%.
Para Celso
Grisi, professor de Comércio Exterior da USP, nos últimos anos, o Brasil
registrou números importante e relevante no cenário internacional. “Em 2020, as
exportações brasileiras chegaram a R$ 209 bilhões, um aumento de 6% em relação
a 2019, segundo dados do Ministério da Economia.
Grisi cita
também a redução do saldo comercial negativo. “Este resultado, que é diferença
entre importações e exportações, estava na casa de R$ 35,5 bilhões em 2019,
enquanto em 2020 esse valor foi reduzido para R$ 11,5 bilhões”.
O professor
destaca ainda os acordos comerciais fechados nesse período. “Esses contratos
têm potencial para aumentar as exportações brasileiras e atrair mais
investimentos estrangeiros ao Brasil. Foi quando registramos um aumento de
exportações para a China, principal parceiro comercial do país”, diz.
Ele lembra
que o comércio exterior brasileiro também é influenciado por diferentes
fatores, como a conjuntura mundial, demanda por produtos brasileiros, políticas
cambiais e comerciais dos países parceiros.
“Nem tudo
pode ser atribuído como iniciativa do governo. Há muita coisa que aconteceu, ou
seja, a própria estrutura ou a conjuntura econômica mundial favoreceu
resultados interessantes que foram obtidos”.
Alberto
Pfeifer, professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo
(USP), reitera que os feitos foram proporcionados muito mais por mérito do
setor privado. “Em particular do agronegócio e da mineração, embora o governo
tenha todo o mérito de não atrapalhar o livre exercício dos exportadores”.
“De fato,
houve uma liberalização comercial, com redução tarifária e diminuição da
burocracia alfandegária e correlatas — o que favoreceu o aumento das
importações, parte motivada pela emergência da Covid”, avalia Pfeifer.
Carlos
Honorato, professor de economia da FIA Business School, também aponta a
importância de alguns acordos internacionais, como foi o caso da conclusão do
acordo Mercosul-União Europeia, mas pondera que houve “uma visão muito tacanha
e ideológica em relação ao exterior, especialmente com a China.”
Comércio exterior brasileiro
Dentre os
países do G20 — organização internacional que reúne as maiores economias do
mundo —, o Brasil foi o país que mais aumentou a participação do comércio
exterior em seu PIB entre os anos de 2018 e 2021.
O país
registrou recordes também no superávit do comércio exterior (que representa o
valor das exportações subtraídas as importações). Entre 2019 e 2022, este dado
ultrapassou US$ 220 bilhões — equivalente a mais de R$ 1 trilhão.
O superávit
comercial mensal médio foi de US$ 4,33 bilhões durante os quatro anos de
governo; entre 2003 e 2018, essa métrica ficou em US$ 2,18 bilhões, para fins
de comparação.
Com recordes
consecutivos em 2021 e 2022, o período registrou também exportações na ordem de
US$ 334 bilhões no ano passado.
Segundo
dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos
últimos anos, o Brasil se consolidou como o 4º principal destino de
investimento direto (IED) do mundo.
Apesar das
críticas e divergências com a China, o Brasil obteve superávit comercial com o
país superior ao acumulado durante os 16 anos de governos anteriores.
Relações exteriores
Na política
externa econômica, o professor da Pfeifer esclarece que houve um foco pragmático
na busca de acordos que redundassem em ganhos mais volumosos e rápidos, tanto
em termos de comércio, como de investimentos, e ainda no acesso a tecnologias
de ponta.
“A
negociação de acordos externos que implicaram na redução tarifária se deve no
âmbito do Mercosul. Nesse caso, foi bastante contenciosa a relação entre os
governos brasileiro e argentino ao longo do mandato de Bolsonaro”, pontua.
Pfeifer
enfatiza que, o mais importante avanço da política externa brasileira nos
últimos quase trinta anos — desde a vigência do Protocolo de Ouro Preto, em
01/01/1995, que instituiu a união aduaneira e a tarifa externa comum no
Mercosul — foi a formalização da acessão à OCDE.
“Quando
formalizada e vigente, a participação plena do Brasil na OCDE propiciará a
nosso país assento de relevância e influência no mais qualificado foro de
produção e acompanhamento de políticas sociais, econômicas e regulatórias do
mundo, dotando-nos de credibilidade financeira e de capacidade de orientar
políticas públicas, em particular aquelas voltadas ao meio ambiente, de alcance
global”.
Junto a
isso, o professor da USP destaca o fato de o Brasil ser membro dos Brics e do
G20 – único país participante desses três foros.
“Esse
cenário situará o Brasil no epicentro da produção e da difusão da boa
governança e da adoção de políticas públicas críveis e confiáveis. A melhor
ação de política externa do governo Lula deveria ser a de seguir adiante com um
projeto iniciado no governo Dilma; acelerado no governo Temer, e encaminhado no
governo Bolsonaro: ingressar na OCDE como política de Estado, e não de
governos, do Brasil”, indica.
Fonte: CNN Brasil/ Foto: Canva