Publicado em: 08/07/2022
O agronegócio
paranaense pediu ao governo federal a adoção de medidas para normalizar o fluxo
de mercadorias de origem primária em aduanas brasileiras com os países do
Mercosul. A solicitação foi apresentada pelo presidente do Sindicato das
Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Irineo da
Costa Rodrigues, durante audiências com os ministros da Economia, Paulo Guedes,
e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, e com o secretário
especial da Receita Federal, Julio Cesar Vieira, em Brasília.
Durante os
encontros, nessa quarta-feira (6), Rodrigues expôs os entraves existentes nas
aduanas brasileiras para a importação de milho paraguaio. Segundo ele, o atraso
de caminhões, represados em filas de espera na operação padrão dos servidores
da Receita Federal, tem causado prejuízos e transtornos à avicultura paranaense
e aos produtores da Região Sul do Brasil.
De acordo com o
presidente do Sindiavipar, os ministros e o secretário da Receita Federal
ficaram perplexas com relatos da situação e prometeram providências. Rodrigues estava
acompanhado nas audiências do presidente de Associação Comercial e Empresarial
de Foz do Iguaçu, Danilo Vendruscolo, do empresário Mário Camargo e do deputado
federal Vermelho.
“Eles foram
muito atenciosos com a avicultura paranaense e com os demais estados do Sul.
Nós precisamos de agilidade no posto entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este”,
assinalou o presidente do Sindiavipar, acrescentando que a lentidão no
transporte tem impactado na segurança dos negócios:
“O Paraguai
está colhendo milho e, obviamente, quer fazer contratos com clientes, mas há um
receio de realizar contratos de venda futura com o Brasil. Afinal, o país
vizinho não tem segurança sobre a capacidade da ponte em escoar os grãos com
agilidade. Já tivemos casos de caminhões parados por 12 dias na fila.”
O Brasil, que
neste momento colhe bons resultados do milho de 2ª safra, tem expectativas de
abastecimento voltadas ao mercado externo, uma vez que a guerra entre Ucrânia e
Rússia favorece a competitividade das exportações. “Outro ponto importante é
que, cada vez mais, sobretudo no Centro-Oeste, o grão é destinado à produção de
etanol. Por isso, precisamos contar com o fornecimento paraguaio”, pontuou
Rodrigues.
O milho
importado do Paraguai não só supre a cadeia nacional, permitindo que o Brasil
ganhe espaço para exportações, como oferece preços mais baixos. Isso
possibilita que o setor avícola, principal consumidor do grão, possa diminuir
os custos de produção e contribuir para controlar a inflação. Por isso,
reforçou Rodrigues, é importante resolver os gargalos que estão atrapalhando o
fluxo comercial:
“As aduanas,
equipadas na área fiscal pela Receita Federal e na de sanidade por auditores
fiscais do Ministério de Agricultura, precisam aprimorar seus recursos para
garantir celeridade, pois aí estão gargalos que estão prejudicando a atividade
agropecuária no Brasil”, enfatizou o presidente do Sindiavipar.
Rodrigues
ressaltou ainda que reconhece a importância da classe trabalhadora pública, que
opera as aduanas. “São [profissionais] importantes. São treinados, são bons
técnicos, mas se há uma deficiência de pessoal. Vamos ter que trabalhar juntos
e resolver isso. Temos que compreender os servidores neste sentido, mas não
pode haver prejuízos para todos os consumidores”, assinalou, observando que que
a alta da inflação poderia ser atenuada se tivéssemos um fluxo de mercadoria
mais rápido, como em outros países.
A expectativa
do presidente do Sindiavipar é que, a partir das audiências, o governo federal
acompanhe de perto o fluxo de mercadorias na fronteira. Rodrigues salientou que
é necessário atenção com as aduanas brasileiras de uma forma geral, como as das
fronteiras com o Uruguai e a Argentina, que também sofrem as mesmas
dificuldades. “Esperamos uma repercussão positiva. Que o governo, através dos
ministérios competentes, venha olhar no detalhe como estão ocorrendo os fluxos
na fronteira. O Sindiavipar, como entidade representativa, tem obrigação de
entender e estudar estes assuntos, apontando possíveis soluções.”
Fonte: AgroemDia /
Foto: divulgação/Sindiavipar