Publicado em: 06/06/2022
Principal exportador mundial de soja, suco de laranja,
café, açúcar e das carnes bovinas e de frango, o Brasil atualmente não só tem
potencial de produção para alimentar a sua população, como é também responsável
pelo abastecimento de vários outros países. Os especialistas apontam que esse
papel importante na produção de comida só deve aumentar nos próximos anos,
principalmente por conta do aumento populacional.
Crescendo ano a ano, o agronegócio brasileiro multiplicou
sua produção e expandiu seu mercado de vendas pelo mundo. Segundo dados do
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada
(CEPEA/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA), o PIB do Agronegócio cresceu 8,36% no ano passado, quando se compara
2021 com 2020. O setor foi responsável por 27,4% no PIB brasileiro, marca não
alcançada desde 2004, quando bateu 27,53%.
Esse crescimento está se alinhando com a demanda mundial. A
pesquisadora do Cepea Nicole Rennó destaca que esses números foram alcançados
graças à uma produtividade mais eficiente. “Hoje em dia há uma preocupação
muito justificada do mundo com a sustentabilidade da produção. A produção
cresceu muito e a gente não precisou aumentar a área. Estamos ofertando mais e
ainda de uma forma eficiente, que economiza os recursos, o que é algo
mandatório neste momento”, comenta.
O ganho de produtividade vem com o avanço da tecnologia no
campo. Na fazenda da maior exportadora de mangas do país, localizada em Belém
do São Francisco-PE, um drone sobrevoa o pomar para análise de floradas e
mapeamento da área. O gerente corporativo da Agrodan, André Muritiba, diz que
nos últimos dois anos registraram redução de 20% na aplicação de defensivos
agrícolas, a partir do monitoramento online de pragas e doenças, o que torna a
fruta mais saudável. “Temos certeza que as novas tecnologias, aliadas aos
pilares de sustentabilidade, serão a chave para o bom crescimento do
agronegócio”, afirma.
Em busca de novas tecnologias, a empresa investiu em
parcerias com startups, lançando um desafio para o desenvolvimento de sua
produção. “A inovação tecnológica tem um papel essencial para otimizar os
rendimentos do agronegócio, em que existem milhões de dados sendo gerados
diariamente no campo, são informações sobre o solo, água, condições climáticas,
parâmetros agronômicos, etc. Todo esse potencial, precisa ser direcionado para
geração de resultados, decisões ainda mais assertivas e sustentabilidade, pois
lidamos com recursos cada vez mais escassos”, pontua Muritiba.
Um futuro que depende do Agro
A população mundial deve chegar a 10 bilhões de pessoas até
2050, segundo a ONU, exigindo mais produção de comida. O Brasil, que tem
vocação natural para agropecuária por conta da sua estrutura geográfica, pode
ser o protagonista do mercado no futuro, como um grande fornecedor de
alimentos. Somente de grãos, o país deve produzir mais de 270 milhões de
toneladas esse ano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA), em torno de 12 milhões a mais do que o ano passado.
Os números tendem a se manter em alta. O diretor técnico
adjunto da CNA, Reginaldo Minaré, diz que a estimativa pro futuro do agro
brasileiro é muito otimista. “A gente acredita que com a incorporação de mais
terras, que hoje são dedicadas às pastagens e muitas até um pouco degradadas,
somada à produção de sementes mais produtivas, a estimativa é que a produção
continuará aumentando. Mercado tem. Competência para produzir nós temos. E área
para plantar a gente tem também sem precisar desmatar”, comenta.
O diretor do Centro de Ciências Agrárias da UFV, Mário
Chizotti, explica que o Brasil não apenas fornecerá alimentos, mas também
desenvolverá novas tecnologias para outros países, atreladas à consciência
ambiental, como energias mais limpas e sistemas agroflorestais. “Espera-se
crescimento também na produção de fibras, de bioenergia e de papel. Florestas
plantadas para produção de celulose também tendem a aumentar bastante, tendo em
vista uma maior demanda esperada por produtos renováveis e embalagens”,
projeta.
Esse mercado mais tecnológico demanda para as universidades
a formação de profissionais conectados com a inovação. “A demanda pelos cursos
de agronegócio ou relacionados a essa bioeconomia tem sido crescente, muito em
função do bom resultado econômico do procedimento presente, a boa
empregabilidade dos profissionais desse segmento e boas perspectivas de
absorção dessa nova mão de obra capacitada para o uso dessas novas ferramentas
tecnológicas”, comenta o diretor do CCA da UFV.
Fonte: Yahoo Finanças / Foto: Divulgação