Publicado em: 09/01/2023
Após recuar em 2022, a agronegócio deve voltar a crescer e a
ser o motor – talvez o único – da economia em 2023. O Instituto Brasileiro de
Economia, da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), calcula que o PIB do setor
avançará 8% neste ano, depois de encolher 2% em 2022. Se o número se confirmar,
será o maior crescimento do setor desde 2017, quando a alta foi de 14,2%. Já o
Santander, que espera queda de 0,3% para este ano, estima expansão de 7,5% para
o próximo.
Parte do resultado positivo estimado para 2023 será apenas
efeito da comparação com um 2022 fraco, explicam os economistas. Por outro
lado, a safra esperada para este ano deve ser recorde, o que justifica uma
projeção otimista. Dados de prognóstico de produção agrícola do IBGE apontam
que a safra de grãos, cereais e leguminosas deve alcançar 293,6 milhões de
toneladas em 2023, o que significará uma alta de 11,8% em relação a 2022.
Para o Ibre, o setor será o único a crescer de forma
expressiva neste ano, quando o PIB do País deve ficar praticamente estagnado.
“Nossa projeção de PIB está abaixo do mercado. Tem casas que apontam 1%. Nós
estamos com 0,2%, isso com o agro, que é 10% do PIB, avançando 8%. Então
projetamos uma queda pesada da atividade em geral”, diz Marina Garrido,
economista do Ibre.
SAFRA
A alavanca da economia, portanto, deverá ser principalmente
a soja e o milho. O economista Gabriel Couto, do Santander, lembra que a safra
de milho de 2021 foi comprometida pela seca e que, em 2022, o problema foi com
a soja. A expectativa agora é ter safras boas de soja e de milho. “Se tivermos
a safra de soja cheia, que é o que esperamos, isso impulsionará o PIB
agrícola.”
Segundo Couto, o Santander não espera que a desaceleração
global prevista para 2023 tenha impacto no resultado do agronegócio brasileiro
por ora. “Não estamos vendo o produtor tirando o pé do acelerador. Ainda que
ele resolva estocar grãos, a produção estará lá. O impacto do desaquecimento da
economia global tende a ser no médio prazo.”
Presidente do conselho diretor da Associação Brasileira do
Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho afirma que, como os produtores
conseguiram plantar soja e milho na época correta, a tendência é que a colheita
de 2023 seja boa e que o valor bruto da produção cresça ao menos 5%, ficando
acima de R$ 1,3 trilhão. Além da soja e do milho, ele destaca que as produções
de cana-de-açúcar, frutas e hortaliças também estão indo bem.
CLIMA
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja
(Aprosoja), Antonio Galvan, porém, afirma que as previsões dos economistas são
feitas seguindo a lógica de que o clima vai favorecer a produção, o que não
ocorreu nos últimos anos. “Ter uma safra recorde, como se espera, é questão
exclusiva de clima. Temos condições técnicas de fazer essa safra anunciada, só
que é cedo para dizer que ela será realidade. Nos últimos anos, enfrentamos
problemas de clima e tivemos perdas grandes.”
Segundo Couto, a previsão que se fazia em 2021 para o setor
agrícola em 2022 era de uma alta superior a 5%. Conforme os meses foram
passando, o número foi sendo revisto para baixo, até chegar à atual retração de
0,3%. Ele pondera, no entanto, que as secas que prejudicaram o setor nos
últimos dois anos podem estar relacionadas ao fenômeno La Niña, que deve perder
força a partir do segundo trimestre de 2023.
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/iStock