Publicado em: 07/06/2022
A mais recente “Carta de Conjuntura” publicada pelo Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada), referente a indicadores da economia brasileira,
indicou que o ano de 2022 teve início com superávit de US$ 7,7 bilhões (cerca
de R$ 36,2 bilhões) na balança comercial do agronegócio no mês de janeiro, ao
passo que, no mesmo período, um déficit de US$ 214,4 milhões (por volta de R$
1,01 bi) foi constatado na balança comercial total, que considera os produtos
de todos os setores.
Avaliando os dados de forma mais apurada, as exportações do agronegócio
encerraram o primeiro mês do ano em US$ 8,8 bilhões (cerca de 41,4 bilhões),
ante a cifra de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,18 bi) nas importações do setor.
Em um recorte temporal mais amplo, avaliando o período de um ano, o
superávit do setor do agronegócio brasileiro foi de US$ 108,5 bilhões (algo em
torno de R$ 510,8 bilhões), compensando o déficit de US$ 47,1 bilhões (cerca de
R$ 221,7 bi) acumulado pelos demais setores, e resultando em um saldo positivo
total de US$ 61,4 bilhões (aproximadamente R$ 289,19).
O patamar de exportações atingido pelo agronegócio em janeiro deste ano não
só foi superior ao mesmo período dos anos de 2020 e 2021, como também de 2019,
na pré-pandemia, quando o Brasil vendeu US$ 6,4 bilhões (cerca de 30,4 bilhões)
para fora do país.
Dentre os produtos mais exportados em janeiro deste ano, em quantidade,
aparecem a soja em grãos (2,45 milhões de toneladas), a carne bovina (158,7 mil
toneladas) e o café (187,7 mil toneladas) - os dois primeiros tiveram alta de
4.853,6% e 25,7% respectivamente, ao passo que o terceiro registrou queda de
18,5%.
De acordo com o informe, com exceção do café, do açúcar e do algodão,
todos os demais produtos da pauta de exportação apresentaram crescimento em
valor e em quantidade na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Para Elisandro Falleiro, especialista em crédito agrícola e coordenador
regional da Talento Soluções em Crédito, o bom desempenho do agronegócio em
janeiro pode ser considerado “surpreendente”, visto que o primeiro mês do ano,
“para exportações do agro, é o mês com menos embarques”.
Em sua avaliação, “o crédito rural é indispensável para o trabalhador
rural impulsionar o crescimento da produção de bens e serviços”, além de
facilitar o desenvolvimento do processo em toda sua complexidade.
Ele cita a compra de pulverizadores e maquinários; o custeio dos gastos posteriores
à colheita; a compra e a introdução de tecnologia para a melhoria da
produtividade agrícola; e a compra de produtos de qualidade que incentivam o
cultivo das produções agrícolas como elementos que podem levar a melhor
produtividade por meio do acesso de crédito a produtores rurais.
A inexistência de crédito voltado especificamente para a compra de terra
rural, explica ele, faz com que empresários tenham de buscar o acesso via cotas
de consórcio. “Hoje, a única maneira que existe de liberar o crédito rural de
forma rápida e com poucos juros é no consórcio”, afirma, ressaltando que, após
a criação do projeto financeiro estruturado, o cliente pode fazer a contratação
das cotas para liberação dos recursos.
Fonte: Bem Paraná /
Foto: divulgação/Bem Paraná