Publicado em: 01/02/2022
As dificuldades enfrentadas pelo
mercado nos últimos dois anos fizeram com que as empresas passassem a procurar
alternativas para incrementar o fluxo de caixa, movimentar o capital de giro e
sustentar suas operações.
A alta nas taxas de juros e a inflação impactaram todos os setores, em
especial transporte e logística, e a antecipação de recebíveis voltou a ser
bastante utilizada em preferência aos empréstimos tradicionais.
Para se ter uma ideia do cenário
desafiador, a taxa básica de juros, a Selic, fechou 2021 em 9,25% ao ano, o
maior patamar desde julho de 2017, segundo dados do Banco Central. O reajuste
em dezembro fez com que os juros subissem 7,25 pontos percentuais no ano
passado, o avanço mais expressivo da série histórica.
Enquanto isso, o crédito ampliado contratado pelas empresas atingiu R$ 4,6
trilhões, de acordo com as últimas informações divulgadas pelo BC em novembro
de 2021, influenciado principalmente pelo aumento de 1,3% em empréstimos e
financiamentos.
E nesse contexto, a inflação também vem minando a capacidade das empresas.
Com alta de 0,73% em dezembro, encerrou 2021 com aumento de 10,06%, a maior
taxa acumulada desde 2015, quando foi de 10,67%, e extrapolando a meta de 3,75%
definida pelo Conselho Monetário Nacional para o ano passado, cujo teto era de
5,25%. Os dados são do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo),
divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esse resultado de 2021 teve
influência direta do grupo de transportes, que apresentou a maior variação
(21,03%) e o maior impacto (4,19 pontos percentuais) no acumulado do ano. Para
o gerente do IPCA, Pedro Kislanov, o segmento de transportes foi afetado
principalmente pelos combustíveis. “Com os sucessivos reajustes nas bombas, a
gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021. Já o etanol subiu 62,23% e foi
influenciado também pela produção de açúcar”.
Outro destaque nos Transportes foi o preço dos automóveis novos (16,16%) e
usados (15,05%). “Esse aumento se explica pelo desarranjo na cadeia produtiva
do setor automotivo. Houve uma retomada na demanda global que a oferta não
conseguiu suprir, ocorrendo, por exemplo, atrasos nas entregas de peças e, às
vezes do próprio automóvel”, completa Kislanov.
E para driblar esse momento, conseguindo crédito de maneira menos
burocrática e com taxas menores que as linhas tradicionais, a antecipação de
recebíveis se difundiu ainda mais.
Segundo José Fernando de Abreu,
CEO da Lupeon, startup de gestão de fretes rodoviários, aéreos e de correios, a
antecipação facilita o acesso ao crédito. “Com a alta de juros e da inflação,
as empresas estão buscando outras formas de se financiar, e essa ferramenta
voltou com força. Por isso, investimos em oferecê-la no setor logístico”, diz.
A Lupeon começou seu processo para ofertar a antecipação de recebíveis no
início de 2021, envolvendo parceiros e integrando plataformas. A operação teve
início em novembro, com R$ 2 milhões, valor que saltou para R$ 5 milhões em
janeiro e, segundo a empresa, a previsão é antecipar R$ 50 milhões até o final
do ano.
Como a startup concilia mais de 200 milhões em fretes mensalmente, o
objetivo é alcançar ao menos 30% dessa movimentação dentro do sistema de
antecipação.
De acordo com Fábio Barbosa, diretor de vendas e marketing da Lupeon, o
sistema é de fácil acesso e teve uma resposta positiva do mercado. “Basicamente
nós trabalhamos na gestão e auditoria de fretes. A indústria contrata a
plataforma da Lupeon para auditar os CTes (Conhecimento de Transporte Eletrônico),
e após essa validação, o transportador pode fazer a antecipação dos recebíveis.
A startup avaliou a necessidade das indústrias em terem que alavancar prazos de pagamento, que, consequentemente acabam inviabilizando a operação do transportador, “que termina indo atrás dos bancos ou em alguns casos até aliena seu caminhão. Com a antecipação, o transportador não precisa se endividar e dá a garantia do que tem a receber”, finaliza Barbosa.
Fonte: Bem Paraná