Publicado em: 16/09/2022
A renovação é um tema discutido de maneira
recorrente no setor de transporte de cargas. Segundo o Relatório de Frota Circulante
elaborado pelo Sindipeças referente a 2021, o Brasil alcançou o número de 2,1
milhões de caminhões circulando em território nacional.
Porém, segundo um levantamento do Sistema de
Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, o setor de transporte
rodoviário representa 30% do total da energia consumida em todo o mundo, sendo
responsável por despejar 8% do total de emissões de CO2 no planeta.
Devido a isso, os fabricantes têm investido
cada vez mais em veículos mais sustentáveis, razão pela qual criaram o Programa
de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores. Além de reduzir a
emissão, o programa também promove o desenvolvimento tecnológico nacional e
melhora a queima de combustíveis.
Segundo a Mercedes-Benz, fabricante de
caminhões, os testes com os motores Proconve P8 (Euro 6) demonstraram melhora
drástica na emissão de poluentes: em comparação com o Proconve P7 (Euro 5), foi
registrada uma diminuição de 80% na irradiação de óxido de nitrogênio (NOx) e
de 50% no material particulado (MP).
Os veículos Euro 6 têm previsão de chegada ao
Brasil em janeiro de 2023. Entretanto, os profissionais autônomos não possuem
um capital tão grande para comprar esse tipo de caminhão, principalmente
porque, segundo projeções, haverá um aumento de 25% no preço.
Como uma medida visando cumprir a Agenda 2030
de diminuição da emissão de poluentes, o governo federal instituiu com a MP
112/2022 o Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária (Renovar).
O objetivo é diminuir a idade média dos equipamentos usados no transporte
rodoviário de cargas, responsável por movimentar mais de 65% de tudo que é
produzido no país.
Esse projeto concede um crédito entre R$ 20
mil e R$ 30 mil para o caminhoneiro que aderir ao programa, entregando o seu
veículo antigo para os pontos credenciados de captação, desmonte e reciclagem.
No momento, o Renovar atenderá somente os autônomos, mas tem como objetivo
auxiliar as pequenas e médias empresas.
O estudo realizado pela Sindipeças aponta que
cerca de 20,2% dos veículos pesados circulando no Brasil apresentam uma idade
média de até cinco anos, 51,9% ficam entre 6 e 15 anos e 28% ultrapassam os 16
anos de uso, superando a idade média da frota nacional atual de 15,2 anos.
O diretor operacional da Zorzin Logística,
Marcel Zorzin, comenta que as empresas precisam estar mais preocupadas com o
desgaste ambiental, e para isso devem prestar mais atenção na renovação de
frotas. “Aqui na empresa, atualmente temos uma média bem positiva de caminhões
se compararmos com a idade da frota nacional. Nossos cavalos mecânicos estão
com quatro anos, os trucks com cinco anos e as carretas com sete anos”.
O executivo também comenta que é um bom
caminho começar essa renovação de frotas pelos autônomos, apontando que
atualmente existem mais de 870 mil caminhoneiros autônomos no Brasil de acordo
com a Confederação Nacional do Transportador Autônomo (CNTA). Grande parte
deles possui veículos mais antigos, o que aumenta a idade média dos caminhões
brasileiros.
Marcel ainda complementa: “Essa medida vai
ajudar a diminuir os juros na compra de veículos para esses profissionais,
incentivando a troca por caminhões mais novos, abaixando assim a idade média da
frota circulante brasileira, sem contar a diminuição da poluição que teremos”.
Porém, o executivo enxerga alguns problemas
nessa medida. O programa de reciclagem precisa se adequar à grande quantidade
de caminhões que será encaminhada para os pontos de coleta. Sem isso, eles
podem não ser descartados corretamente, prejudicando ainda mais o meio ambiente.
Por fim, mesmo com os obstáculos, Marcel
finaliza com uma visão otimista do futuro com o Renovar. “Esse programa vai
trazer melhores equipamentos, planos e ciclos de fornecedores além de gerar
mais empregos, tanto no descarte quanto na fabricação, aumentando o giro
econômico nacional”. E complementa: “Se der certo, e espero que dê, a tendência
é somente melhorar”.
Fonte: Revista Caminhoneiro / Foto: Divulgação