Publicado em: 09/02/2022
O ano de 2021,
ainda conturbado pela crise gerada pela covid-19 e seus reflexos,
trouxe desafiadores cenários para o país nos mais diferentes âmbitos de
atuação. Em contrapartida, acarretou uma aceleração dos serviços, da tecnologia e
do crescimento no setor de transporte de cargas e logística.
Apenas no primeiro
quadrimestre de 2021, o segmento no Brasil teve um aumento de 38% em
comparação ao mesmo período de 2020, de acordo com o Índice de Movimentação de
Cargas do Brasil divulgado pela AT&M.
No entanto, apesar dos
números oportunos para a expansão da logística, as empresas
transportadoras precisaram se adaptar rapidamente com o fluxo dos mercados
nacional e internacional para continuar oferecendo o mesmo padrão de qualidade
aos clientes, mesmo tendo interferência dos aumentos do frete e do combustível,
por exemplo.
De acordo com o diretor comercial do Grupo Rodonery Transportes, Luiz
Gustavo Nery, o empecilho do combustível foi um dos mais marcantes deste
ano, dado que o preço da gasolina nas refinarias acumula alta de 74% e o preço
do diesel subiu 65%.
O frete marítimo foi outra
questão pertinente ao longo desse período, também afetando o setor. Por meio da
escassez de contêineres em nível global, o valor do frete foi disparado a
preços nunca vistos anteriormente.
Para se ter uma ideia, enviar um contêiner de 40 pés da China custava, em média, US$ 1.500 antes da chegada da pandemia. Atualmente, devido a essa grande procura, o custo pode chegar a US$ 10.500, uma vez que a rota para o Brasil se tornou o valor mais caro com origem no país chinês.
Contudo, o executivo se
mantém confiante para este ano: “O setor de transporte está otimista para o ano
de 2022 tendo em vista o caminho rumo à recuperação econômica pós-pandemia. No
entanto, o alto custo dos insumos ainda preocupa, tais como pneus, veículos,
seguros, aluguéis, o próprio diesel e a instabilidade no cenário político na
iminência das eleições para a presidência. O que podemos esperar, certamente, é
um ano cheio de desafios, mas com pensamentos positivos em crescimento para a
progressão do transporte”.
Soluções da
logística perante os desafios da pandemia
Os anos 2020 e 2021 foram
desafiadores para as empresas. À medida que o isolamento e o fechamento das
fronteiras se faziam necessário, as companhias tiveram que encontrar soluções
para problemas de abastecimento.
Além disso, com o boom das
compras online, o
mercado precisou se reinventar e passar por uma grande transformação. Para
isso, novos mercados passaram a se tornar parceiros em potencial e ações
táticas foram fundamentais para sanar os gargalos, como as dark stores.
As lojas de
shoppings ou de rua passaram a assumir a posição de CD, isto é, polos de
concentração e redirecionamento das mercadorias mais próximas do consumidor
final.
Outra grande
evolução foi o delivery, onde as pessoas passaram a comprar alimentos
pelos aplicativos, muito
em função da facilidade e escassez de tempo causada pelo home office. Devido a
esses fatores, foi possível ver um grande avanço dos serviços de entrega
doméstica tais como Uber, Loggi e Mercado Livre.
“Acredito que
uma grande inovação que veio para ficar foram os Marketplaces, visto que muitos
pequenos empreendedores não têm recursos para investir em lojas eletrônicas, e
assim conseguem vender os seus produtos com a chancela de uma grande companhia
como Magazine Luiza ou Lojas Americanas, por exemplo. O que mudou a forma de
consumo após a pandemia foi a questão da comodidade, agora os consumidores
perceberam que podem ter os mesmos serviços, a mesma qualidade, porém, no
aconchego do seu lar, e isso é uma tendência que, na minha opinião, só irá
crescer nos próximos anos”, opina Luiz Gustavo Nery.
Perspectivas
para 2022
Todas as experiências citadas
acima criam ainda mais oportunidades para lidar com o mercado e para buscar
novas estratégias. Além disso, aumentam a responsabilidade que a empresa
transportadora tem de manter um bom desempenho e de causar um impacto assertivo
no país, tanto econômica quanto socialmente.
Sendo assim, Luiz
Gustavo Nery acredita que seja fundamental apostar na capacitação e na
preparação dos jovens executivos que estão trabalhando a fundo no setor de
transporte de cargas e que são o futuro para a expansão da área.
“Depois dos dois últimos anos
intensos, certamente estamos mais preparados para começar 2022. Acredito que a
palavra do momento, para nós, é ‘reinvenção’. Tivemos que nos reinventar na pandemia,
e isso nos tornou mais ágeis nas decisões, aprendendo a lidar com a incerteza
desse mundo volátil. Continuaremos nos reinventando cada vez mais para nos
adaptarmos ao mercado e, em 2022, estaremos mais preparados e cheios de
aprendizado para colocar em prática”, complementa o diretor comercial.
De fato, há muitas
adversidades a serem analisadas cautelosamente no próximo ano, afinal, não há
como prever situações críticas para se preparar com antecedência.
No entanto, certamente, os
empresários do setor estão otimistas para ingressar em um novo período com mais
espaço para colocar em prática todos os aprendizados, apostando em um futuro
ainda mais promissor.
Fonte: Consumidor
Moderno