Publicado em: 20/09/2022
As vendas de produtos paranaenses ao exterior chegaram a US$
2,27 bilhões em agosto. A alta em relação ao mês anterior é de 12% e, contra
agosto de 2021, de 35%. Da mesma forma as importações também cresceram, somando
US$ 2,08 bilhões. Incremento de 2% na comparação com julho e, de 44%, quando
avaliado o mesmo mês do ano passado. Com esses resultados, o saldo da balança
comercial paranaense ficou superavitário em US$ 188,2 milhões e em US$ 112,7
milhões, em agosto e no ano, respectivamente.
Embora positivo, o saldo da balança comercial no ano é 96%
menor do que o verificado no acumulado de janeiro a agosto de 2021. E este ano,
mês a mês, o resultado vem oscilando. Dos oito meses analisados até agora, em
apenas três ficou positivo, sendo maio o maior déficit registrado, em US$ 296
milhões.
Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná,
Evânio Felippe, o que ajuda a explicar a oscilação no saldo da balança ao longo
deste ano tem a ver com as dificuldades na economia global herdadas da pandemia
e agravadas pelo conflito na Ucrânia. “O valor das importações aumentou muito
porque os preços de insumos e matérias-primas usadas na produção ficaram mais
caros no mercado internacional. Mesmo as exportações tendo crescido, o
percentual de alta das importações é bem maior, o que explica o saldo da
balança comercial paranaense bem menor em 2022 na comparação com o ano
passado”, justifica.
Outro fator que influencia nessa conta é a taxa de câmbio.
Quanto mais caro o dólar, mais vantajoso é exportar produtos para o exterior.
Quanto mais valorizada a moeda brasileira, menos competitivo fica o produto
nacional lá fora. Em agosto, a taxa média de câmbio ficou em R$ 5,1433 centavos
por dólar, uma apreciação de 2,1% na comparação com o mesmo mês do ano
anterior. Em relação a julho, a moeda brasileira também se valorizou perante o
dólar, com apreciação de 4,2%.
Produtos e mercados
A indústria de transformação foi responsável por 78% de tudo
que o Paraná vendeu para fora do país em agosto. Nas importações, a
participação do setor foi ainda maior, 93%. Quase 65% das vendas do mês estão
concentradas em cinco grupos de produtos, que são soja (27% da pauta), carnes
(17%), material de transporte (8%), açúcar (7%) e madeira (6%). Já entre o que
foi comprado de fora, 75% pertencem a cinco principais itens: produtos químicos
(35%), petróleo (13%), material de transporte (12%), produtos mecânicos (8%) e
materiais elétricos e eletrônicos (6%).
De janeiro a agosto, os produtos mais vendidos da pauta
foram soja (29%), carnes (18%), madeira (8,8%), material de transporte (7,6%) e
papel e celulose (4%). Já os que o estado mais comprou este ano são produtos
químicos (40%), petróleo (12%), material de transporte (10%), produtos
mecânicos (9%) e materiais elétricos e eletrônicos (8%).
As vendas para cinco mercados representam 41% de tudo que o
estado exportou no mês. O restante está distribuído entre outros 167 países. O
destino principal das mercadorias paranaenses é a China. Para lá foram
exportados 16% de tudo que foi negociado em agosto. Argentina (8%), Estados
Unidos (7%), Irã (6%), Holanda (4%) vêm na sequência.
Em relação às importações, ocorreram negociações com 103
países no mês passado, mas 60% estão concentradas em cinco países, também com
vantagem da China, 31% do total vendido para o Paraná, com destaque para
produtos químicos (50%) e de informática, eletrônica e ópticos (17%). Em
seguida aparecem Estados Unidos (16%), Argentina (6%), Paraguai (4%) e Alemanha
(3,5%).
“Para o restante do ano, mantem-se a expectativa de um menor
crescimento da economia mundial, principalmente na China, e do aumento da
inflação e da taxa de juros nos Estados Unidos. Associada às incertezas quanto
ao fim do conflito geopolítico na Ucrânia, esses são fatores que continuam
influenciando a dinâmica da atividade de comércio no mundo”, conclui o
economista da Fiep.
Fonte: Agência Fiep de Notícias / Foto: Gelson
Bampi