Publicado em: 20/04/2022
A Assembleia
Legislativa do Paraná promoveu audiência pública, nesta semana, para debater o
novo modelo de pedágio livre para o estado. A tecnologia disponível é capaz de
implementar um sistema de livre passagem, conhecido como free-flow. Entenda.
Sistema de
passagem livre pode ser implementado no Parará: conheça o free-flow
O Paraná possui
tecnologia para desenvolver e implementar o sistema de livre passagem em
rodovias e vias urbanas, o chamado free-flow.
Com a alteração
do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a Lei 14.157/21 regulamentou a possibilidade de se
criar a alternativa de passagem, sem praças de cobrança em que o pagamento
passaria a ser feito de acordo com a quantidade de quilômetros rodados.
O free-flow
funciona por meio da implementação de equipamentos instalados sobre ou ao lado
da rodovia e que possibilitam a identificação automática e eletrônica do
veículo.
A detecção de
cada veículo é feita por meio de uma identificação por radiofrequência (RFID)
ou por câmera de reconhecimento óptico de caracteres (OCR).
“A ideia do
pedágio free-flow é cobrar de uma maneira igualitária todos que utilizam o
sistema, de acordo com a quantidade de quilômetros que foram rodados”, explica
o especialista em mobilidade e presidente da Velsis, empresa de tecnologia em
trânsito, Guilherme Araújo.
Atualmente, os
pedágios cobram valor fixo por veículo conforme a categoria, como moto,
caminhão, caminhão e outros automóveis.
Segundo ele, os
equipamentos do free-flow também podem registrar informações de excesso de
velocidade, número de veículos que se deslocam de uma origem a um destino, de
acordo com o horário, modo de transporte utilizado, velocidade média,
tempo médio de percurso e outros.
“O sistema de
livre passagem representa uma quebra de paradigma, além de contribuir para
solucionar gargalos logísticos no país e ao mesmo tempo reduzir os custos no
transporte de cargas” reforça Guilherme.
Ele também
afirma que a tecnologia é capaz de contribuir com o meio ambiente, já que a
redução do tempo de deslocamento e de ações de frenagem e de aceleração reduz a
emissão de gases poluentes.
A Velsis foi
responsável por desenvolver o sensoriamento da primeira experiência de free-flow
no Brasil, para a Agência de Transporte do Estado de São Paulo, a ARTESP.
Os desafios
do sistema free-flow
Segundo ele, um
dos desafios tecnológicos do sistema é garantir a correta classificação e
identificação do veículo, que pode passar em qualquer parte da pista já que no
caso do free-flow não existe uma separação física entre as faixas como acontece
em uma praça de pedágio.
O outro desafio
é o controle de fraudes. Os sistemas devem adotar múltiplas tecnologias para
cruzar os dados e garantir que todos os veículos sejam corretamente tarifados.
“Assim como no
caso dos radares, a tecnologia deverá conter um sistema de monitoramento e
controle do número de eixos existente e cadastrado pelos proprietários dos
veículos. Isso evita, por exemplo, que um caminhão seja registrado em uma
categoria e na verdade pertença a outra”, menciona.
As vantagens
do sistema de pedágio livre
No entanto,
entre as principais vantagens do free-flow está uma cobrança tarifária mais
justa ao usuário. Seja para usuários de longa ou de curta distância.
O engenheiro
civil, pós-graduado em infraestrutura e finanças e consultor na área de
operação rodoviária, Ricardo Junqueira Victorelli, explica que o cálculo da
tarifa do pedágio é realizado multiplicando a tarifa básica do pedágio pelo
número de quilômetros existente entre uma praça e outra.
“Esta é a base
de cálculo nas atuais concessões realizados pelo governo federal. Com o
free-flow o cálculo seria entre um pórtico e outro. No entanto, a
concessionária deixa de ter o custo operacional e humano de uma cabine de
pedágio e que, atualmente, é repassada ao usuário”, afirma Ricardo.
Ele conta que o
custo médio de cada cabine de pedágio gira em torno de R?1 milhão para implantação. “Com uma
estrutura menor o usuário final pagará uma tarifa menor”.
Outra vantagem,
segundo ele, é que o free-flow evita o trânsito e elimina a barreira entre cidades
e municípios separadas por praças de pedágio.
“Moradores
deixam de ter que parar para apresentar a documentação no pedágio, reduzindo o
tempo do arrecadador, da população e desonerando o município”, pondera.
Chile adotou
o free-flow desde 2004
No Chile o
sistema free-flow já funciona há mais de dez anos. O país foi o primeiro a
adotar este sistema nas concessões de rodovias, em 2004.
Segundo Marcela
Hernandez, chefe da Divisão de Estudos e Análises Financeiras do Ministério de
Oras Públicas do Chile, que esteve no Brasil participando de Congresso da
Associação Brasileira dos Concessionários de Rodovias, o sistema é muito bem
avaliado pelos usuários.
Pelas regras,
quem circula nas rodovias é obrigado a ter o sistema de pagamento que faz a
cobrança automatizada. Quem anda nas rodovias sem o sistema pode fazer o
pagamento posteriormente e, se não pagar, recebe multa.
Ainda não se
sabe ao certo como será a implantação no Brasil. De acordo com a nova lei de
trânsito, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelecerá os meios
técnicos, de uso obrigatório, que garantirão a identificação dos veículos que
transitarem por rodovias e vias urbanas com cobrança de uso pelo sistema de
livre passagem.
Fonte: Garagem
360 / Foto: divulgação/Garagem 360