Publicado em: 20/04/2023
Representantes
do setor de transportes criticaram o aumento da mistura obrigatória de
biodiesel ao diesel, de 10% para 12%, determinado pelo governo em março. O
assunto foi debatido nesta terça-feira (18) em audiência pública promovida pela
Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.
O deputado
Zé Trovão (PL-SC), que propôs a realização da audiência, afirmou que o novo
percentual prejudica os motores de ônibus e caminhões, aumentando o custo de
manutenção dos veículos. Entre os problemas verificados estão o entupimento do
filtro de combustível e o congelamento do biodiesel em baixas temperaturas,
como as verificadas no sul do País.
“O maior
problema do biodiesel é a borra que se cria no fundo do tanque. Essa borra não
nasceu ali, não vem do diesel. Ela vem da mistura”, disse o deputado. Para Zé
Trovão, o governo só deveria decretar o aumento da mistura após estudos
“técnicos e imparciais” que verificassem o efeito do biocombustível sobre os
motores.
A
gerente-executiva ambiental da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Erica
Marcos, também criticou o novo percentual aprovado pelo governo. Segundo ela,
levantamento recente feito pela CNT mostrou que mais de 60% das empresas
transportadoras relataram problemas mecânicos em seus caminhões relacionados ao
uso de biodiesel.
“A gente tem
um problema de campo, ele não pode ser negado”, disse. O mesmo alerta foi feito
pelo assessor da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA),
Alan Medeiros. Ele afirmou que a média de idade dos veículos de caminhoneiros
autônomos é de 22 anos. Segundo Medeiros, “a tecnologia dos anos 90” não previa
o uso do biodiesel nos motores.
Erica Marcos
defendeu a inclusão do diesel verde na matriz energética nacional, dando a
possibilidade de o transportador escolher entre ele e o biodiesel. O diesel
verde também é feito de matéria-prima renovável, como o biodiesel, mas por meio
de outro processo químico que requer o uso de insumos fósseis.
Melhoria
O diretor do
Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Marlon
Arraes, rebateu as afirmações de que o aumento da adição de biodiesel ao diesel
prejudica os motores dos caminhões e ônibus. Segundo ele, os veículos modernos
estão aptos a usar a mistura.
“Se você tem
acesso a um combustível especificado de boa qualidade na ponta, você abastece
combustível e você segue o plano de manutenção preconizado pelo fabricante, não
é para ter problema, você não vai ter problema algum”, disse Arraes.
Ele também
afirmou que uma resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), publicado no último dia 4, estabeleceu novas
especificações para a produção de biodiesel, que vão melhorar a qualidade do
produto que chega ao consumidor. Entre outros pontos a resolução determina ao produtor
ao uso de sistema de filtração mais eficiente para barrar contaminantes.
O diretor
técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), Henry Joseph Junior, afirmou que a resolução da ANP deve melhorar a
qualidade do produto final, mas a entidade poderá pedir a redução da adição “se
avaliar que existem problemas ocorrendo”.
A ampliação
da presença de biodiesel no diesel foi determinada pelo Conselho Nacional de política Energética (CNPE), órgão de
assessoramento do presidente da República. A proposta também estabelece que o
teor será elevado para 13% em abril de 2024, para 14% em abril de 2025 e para
15% em abril de 2026.