Publicado em: 26/06/2023
A indústria de transporte de cargas tem experimentado um
crescimento notável, impulsionando significativamente o aumento dos serviços em
todo o setor, registrado em 20,9% ainda em março conforme dados divulgados pela
Confederação Nacional do Transporte (CNT). Esse desenvolvimento reflete uma
recuperação promissora da economia global, bem como a crescente demanda por
logística eficiente e confiável para o setor.
Segundo o estudo, apesar das oscilações e da dependência de
alguns processos de aprovação políticas, o setor tem se mostrado resiliente,
adaptando-se rapidamente às mudanças no ambiente econômico e às necessidades do
mercado. O aumento do comércio internacional, combinado com a retomada de
setores-chave, tem sido um dos principais impulsionadores desse crescimento
substancial.
Para José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e
presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e
Região (Sindicamp), “o transporte de cargas serve como um termômetro da
economia, e se há consumo a indústria precisa repor o comércio, aumentando
assim nossa atividade.”
O desempenho da atividade até o momento foi acima das
previsões de mercado, de 1,23%, calculado com base em fatores sobre os quais o
setor é fortemente influenciado, como o arcabouço fiscal, a política de preço
dos combustíveis, a aprovação de reformas estruturantes e a manutenção dos
juros, que acabam inibindo, principalmente, os investimentos privados.
Já a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do
Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) alerta que qualquer reforma tributária que
avance nas esferas governamentais não pode ameaçar o principal setor econômico
brasileiro: o de serviços, que corresponde a 70% do Produto Interno Bruto e
emprega 67% da população ocupada.
“Caso isso aconteça, será um risco para a própria economia
nacional”¸diz, em nota.
Para a entidade, um iminente aumento na tributação do setor
será prejudicial, antes de tudo, para micro e pequenas empresas, fundamentais
para a saúde econômica do Brasil e, ao mesmo tempo, mais vulneráveis às
mudanças na legislação tributária. Contudo, não é só isso: atingirá também
relevantes segmentos centrais do setor, resultando em demissões, fechamento de
empresas e queda de desempenho econômico como um todo. São negócios que vão de
salões de beleza e gráficas a agências de locação de imóveis e carros e
empresas de segurança privada.
“Do ponto de vista técnico, a ideia de estabelecer alíquotas
diferenciadas para atividades específicas dos serviços, como saúde e educação –
para mencionar algumas -, não é suficiente para minorar os efeitos nocivos da
reforma. Se a ideia da PEC de prever uma tributação diferenciada tem como
objetivo evitar o sufocamento do setor de serviços, esse tratamento deveria ser
estendido para os demais segmentos que o integram a fim de que não acabem
suportando a elevação da tributação, em detrimento de outros segmentos.”
Na mesma nota, a Fecomércio-SP diz que “outro ponto negativo
é que a criação de um órgão responsável por administrar as arrecadações
estadual e municipal sem a respectiva representação dos munícipios seria uma
evidente afronta à Constituição, já que o sistema federativo está inserido como
cláusula pétrea na Carta Magna, bem como um desacato à autonomia de estados e
municípios, que deixariam de ser financeiramente independentes.”
Fonte: Monitor Mercantil/ Foto: ABr/ Arquivo