Publicado em: 04/04/2023
Beneficiada
pelo aumento das exportações de petróleo, milho e soja, a balança
comercial registrou o maior superávit da história para meses de março. No mês
passado, o país exportou US$ 10,956 bilhões a mais do que importou, com alta de
37,7% em relação a março de 2022. Esse foi o melhor resultado desde o início da
série histórica, em 1989.
Nos três
primeiros meses do ano, a balança comercial acumula superávit de US$ 16,068
bilhões. Isso representa 29,8% a mais que o registrado nos mesmos meses do ano
passado pelo critério da média diária. O saldo acumulado também é o mais alto
para o período desde o início da série histórica. Os dados foram divulgados
nesta segunda-feira (3) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
No mês
passado, o Brasil vendeu US$ 33,06 bilhões para o exterior e comprou US$ 22,104
bilhões. As exportações subiram 7,5% em relação a março de
2022, pelo critério da média diária, registrando recorde para o mês. As
importações caíram 3,1% pelo critério da média diária, mas, por causa do maior
número de dias úteis em março deste ano, atingiram o valor mais alto da
história.
No caso das exportações, a alta deve-se mais ao aumento do
volume comercializado que dos preços internacionais das mercadorias. No mês
passado, o volume de mercadorias exportadas subiu em média 18,5% na comparação
com março do ano passado, enquanto os preços médios recuaram 5,6%.
Nas
importações, a quantidade comprada caiu 3,7%, refletindo a desaceleração da economia, mas os preços médios aumentaram
2,4%. A alta dos preços foi puxada principalmente por motores e máquinas não
elétricos e por compostos químicos, itens que ficaram mais caros após o início
da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os preços dos fertilizantes químicos, que
subiram fortemente no ano passado, caíram 24,4% na comparação entre março de
2023 e de 2022.
Setores
No setor
agropecuário, a recuperação de embarques, que tinham atrasado em fevereiro,
pesou mais na alta das exportações, apesar da valorização das commodities (bens
primários com cotação internacional). O preço médio avançou 3,6% em março na
comparação com o mesmo mês de 2022, enquanto o volume de mercadorias embarcadas
subiu 9,8%. Na indústria de transformação, a quantidade exportada subiu 4,3%,
com o preço médio aumentando 1%.
Na indústria
extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade
exportada subiu 57,8%, mas os preços médios recuaram 20,5% em relação a março
do ano passado.
O petróleo
bruto voltou a puxar a alta das exportações, com o volume exportado subindo
102,7%, apesar da queda de 24,1% nos preços entre março de 2022 e março de
2023. Isso ocorreu por causa da retomada de plataformas da Petrobras que
estavam em manutenção. Após um ano de altas contínuas, os preços do petróleo
estão caindo porque os efeitos da guerra na Ucrânia e da recuperação econômica
após a fase mais aguda da pandemia de covid-19 já foram incorporados às
cotações.
Na
comparação entre fevereiro do ano passado e deste ano, os produtos com maior destaque na alta das exportações agropecuárias foram arroz com casca
(+457,4%), milho não moído, exceto milho doce (+6.138,9%) e soja (+8,9%). O
crescimento compensou a queda em outros produtos, como café (-30,2%) e algodão
bruto (-62,7%).
Na indústria
extrativa, as maiores altas foram registradas nas exportações de óleos brutos de petróleo ou de
minerais betuminosos, crus (+53,8%) e outros minerais brutos (+131,7%),
compensando a queda das exportações de minério de ferro (-19,7%). Na indústria
de transformação, as maiores altas ocorreram em carnes de aves (+23,1%),
açúcares e melaços (+39,8%) e farelos de soja e outros alimentos para animais
(+37,3%).
Quanto às
importações, as maiores quedas foram registradas nos seguintes produtos: milho
não moído (-84,8%) e soja (-77,1%) na agropecuária; petróleo bruto (-12,6%) e
gás natural (-80,2%), na indústria extrativa; e inseticidas e agrotóxicos
(-39,3%) e válvulas e tubos termiônicos (-28,5%), na indústria de
transformação.
Estimativa
A equipe
econômica divulgou a primeira estimativa de superávit comercial para 2023. O
governo projeta saldo positivo de US$ 84 bilhões para este ano, o que
representaria alta de 36,8% em relação ao superávit recorde de US$ 62,3 bilhões
registrados em 2022.
As
estimativas oficiais são atualizadas a cada três meses. As previsões estão mais
otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas
de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$
55 bilhões neste ano.
Fonte:
NTC&Logística / Foto: Divulgação