Publicado em: 04/10/2022
A queda do preço internacional do ferro e o encarecimento de
fertilizantes e petróleo fizeram o superávit da balança comercial encolher em
setembro. No mês passado, o país exportou US$ 3,993 bilhões a mais do que
importou - queda de 9,3% em relação ao registrado em setembro do ano
passado (US$ 4,401 bilhões), segundo o Ministério da Economia.![]()
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De janeiro a setembro deste ano, a balança comercial acumula
superávit de US$ 47,869 bilhões. Isso representa 15,6% a menos que o registrado
nos mesmos meses do ano passado. Apesar do recuo, o saldo é o segundo melhor da
história para o período, perdendo apenas para os nove primeiros meses de 2021,
quando o superávit tinha fechado em US$ 56,44 bilhões
No mês passado, o Brasil vendeu US$ 28,95 bilhões para o
exterior e comprou US$ 24,957 bilhões. Tanto as importações como as exportações
bateram recorde em setembro, desde o início da série histórica, em 1989. As exportações
subiram 18,8% em relação a setembro do ano passado, pelo critério da média
diária. As importações, no entanto, aumentaram em ritmo maior: 24,9% na mesma
comparação.
No caso das exportações, o recorde deve-se mais ao aumento
dos embarques que dos preços internacionais das mercadorias do que do volume
comercializado. No mês passado, o volume de mercadorias exportadas subiu em
média 12,6% na comparação com setembro do ano passado, enquanto os preços
médios aumentaram 6%. A valorização dos preços poderia ser maior não fosse a
queda do minério de ferro, cuja cotação caiu 32% na mesma comparação, e por
produtos semiacabados de ferro ou de aço, cujo preço recuou 42,7%.
Nas importações, a quantidade comprada subiu 8,5%,
refletindo a recuperação da economia, mas os preços médios aumentaram em ritmo
mais intenso: 18,6%. A alta dos preços foi puxada principalmente por adubos,
fertilizantes, petróleo, gás natural, carvão mineral e trigo, itens que ficaram
mais caros após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Setores
No setor agropecuário, o aumento nos preços internacionais
pesou mais nas exportações. O volume de mercadorias embarcadas subiu 17,3% em
setembro na comparação com o mesmo mês de 2021, enquanto o preço médio subiu
26,1%. Na indústria de transformação, a quantidade exportada subiu 11,9%, com o
preço médio aumentando 9,7%.
Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios
e de petróleo, a quantidade exportada subiu 10,5%, mas os preços médios
recuaram 13,2% em relação a setembro do ano passado. Embora o preço médio do
petróleo bruto tenha subido 22,1% nessa comparação, o preço do minério de ferro
caiu 37,5%, puxado pelos lockdowns (confinamentos) na China, que
reduziram a demanda internacional.
Os produtos com maior destaque nas exportações agropecuárias
foram milho não moído, exceto milho doce (+260%), café não torrado (+42,6%) e
soja (+6,4%) na agropecuária. O destaque negativo foram animais vivos, exceto
pescados ou crustáceos, cujas exportações caíram 56,9% de setembro do ano passado
a setembro deste ano.
Na indústria extrativa, os maiores crescimentos foram
registrados nas exportações de outros minerais brutos (+77,7%), outros minérios
e concentrados de metais de base (+191,6%) e petróleo bruto (+40,9%). Na
indústria de transformação, as maiores altas ocorreram nos açúcares e melaços
(+44,7%), farelos de soja, farinhas de carnes e de outros animais (+71,8%) e
celulose (+68,9%).
Quanto às importações, os maiores aumentos foram registrados
nos seguintes produtos: cevada não moída (+5.632,8%), trigo e centeio não
moídos (+32,0%) e frutas e nozes (+21,5%), na agropecuária; petróleo bruto
(+192,7%), na indústria extrativa; e combustíveis (+142,9%), controladores de
pragas agrícolas (+75,1%) e compostos organo-inorgânicos (+65,4%), na indústria
de transformação.
Em relação aos adubos e aos fertilizantes, o crescimento nas
importações decorre inteiramente do preço, que subiu 47,4% em setembro na
comparação com o mesmo mês do ano passado. O volume importado caiu 22,6% por
causa da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Estimativa
A equipe econômica reduziu significativamente a projeção de
superávit comercial para 2022. Em julho, o governo projetava saldo positivo de
US$ 81,5 bilhões. A estimativa atualizada hoje (3) prevê superávit de
US$ 55,4 bilhões.
Apesar da queda na estimativa, esse valor garantiria o
segundo maior superávit comercial da série histórica. O saldo seria menor
apenas que o superávit de US$ 61,407 bilhões observados no ano passado.
As estimativas oficiais são atualizadas a cada três meses.
As previsões estão mais pessimistas que as do mercado financeiro. O boletim
Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco
Central, projeta superávit de US$ 61,5 bilhões neste ano.
Fonte: Agência Brasil / Foto: Wenderson
Araujo/Trilux