Publicado em: 04/04/2022
Embalada pela
valorização das commodities (bens primários com cotação internacional), a
balança comercial registra o melhor resultado positivo para meses de março
desde o início da série histórica, em 1989. No mês passado, o país exportou US$
7,383 bilhões a mais do que importou. Segundo o Ministério da Economia, isso
representa alta de 19,3% em relação ao registrado em março do ano passado.
No primeiro
trimestre, a balança comercial acumula superávit de US$ 11,313 bilhões. Isso
representa 37,6% a mais que o registrado de janeiro e março do ano passado (US$
8,087 bilhões). O saldo é o segundo melhor da história para o período, perdendo
apenas para 2017, quando o superávit tinha ficado em US$ 13,016 bilhões nesse
intervalo.
No mês passado,
o Brasil vendeu US$ 29,095 bilhões para o exterior e comprou US$ 21,711
bilhões. Tanto as importações como as exportações bateram
recorde em março, desde o início da série histórica, em 1989. As exportações subiram
25% em relação a março do ano passado, pelo critério da média diária. As
importações aumentaram 27,1% na mesma comparação.
Um dos
principais responsáveis pela recuperação do saldo comercial foi a valorização
das commodities (bens primários com cotação internacional), que subiram em
março em meio ao acirramento das tensões entre Rússia e Ucrânia. A estabilidade
de algumas safras, principalmente a de soja, também contribuiu para o
resultado.
No mês passado,
o volume de mercadorias exportadas subiu apenas 1,8%, enquanto os preços
aumentaram 17,2% em média na comparação com o mesmo mês do ano passado. Nas
importações, a quantidade comprada caiu 7,1%, mas os preços médios subiram
29,5%.
Setores
Ao comparar o
setor agropecuário, o aumento nos preços internacionais pesou mais nas
exportações. O volume de mercadorias embarcadas caiu 4,5% em março na
comparação com o mesmo mês de 2021, enquanto o preço médio subiu 33,4%. Na
indústria de transformação, a quantidade subiu 7,2%, com o preço médio
aumentando 19,3%. Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios
e de petróleo, a quantidade exportada caiu 7,1%, enquanto os preços médios
ficaram estáveis, com leve alta de 0,6%.
Os produtos com
maior destaque nas exportações agropecuárias
foram trigo e centeio não moídos (+1.995,5%), café não torrado (+60,7%) e soja
(+35%) na agropecuária. O crescimento deve-se principalmente aos preços. O
destaque negativo foi o milho, cujas exportações caíram 91,3% de março do ano
passado a março deste ano por causa da antecipação de embarques no início do
ano.
Na indústria
extrativa, os maiores crescimentos foram registrados em minérios de níquel e
seus concentrados (+102,9%) e óleos brutos de petróleo (+21,5%). Na indústria
de transformação, os maiores crescimentos ocorreram carne bovina (+69,3%),
farelos de soja e outros alimentos para animais (+49%) e combustíveis (+172,2%).
Em relação às
importações, os maiores crescimentos foram registrados nos seguintes produtos:
pescados (+114,3%), frutas e nozes não-oleaginosas(+50%) e soja (+81,9%), na
agropecuária; carvão não aglomerado (+113,7%), óleos brutos de petróleo
(+221,1%) e gás natural (+39,8%), na indústria extrativa; e combustíveis (+82,7%)
e adubos ou fertilizantes químicos (+132,6%), na indústria de transformação.
Em relação aos
fertilizantes, a alta deve-se principalmente ao aumento de 132,7% nos preços. A
quantidade importada caiu 3,2% em março na comparação com março do ano passado.
Estimativa
A valorização
das commodities fez o governo revisar para cima a projeção de superávit
comercial. Para 2022, o governo prevê saldo positivo de US$ 111,6 bilhões,
contra projeção anterior de US$ 79,4 bilhões . As estimativas são atualizadas a
cada três meses.
As previsões
estão muito mais otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus,
pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central,
projeta superávit de US$ 65 bilhões neste ano.
Fonte:
NTC&Logística / Foto: Tânia Rego/Agência Brasil