Publicado em: 12/04/2023
O banco Itaú
Unibanco (ITUB4) informou em fato relevante que firmou acordo com o governo do
estado do Paraná para pagamento de R$ 1,7 bilhão referente a uma dívida
histórica contraída pelo banco estatal Banestado há mais de 20 anos e que tinha
como garantia as ações da Companhia Paranaense de Energia Copel (CPLE6).
Segundo o
comunicado do banco, o valor será pago em três parcelas ao longo dos próximos
dois anos e, de acordo com os pagamentos, “o Itaú Unibanco S.A. liberará o
gravame sobre as ações de emissão da Copel detidas pelo estado do Paraná”.
O acordo
garante ao governo um desconto de 62% da dívida total, que era de R$ 4,5
bilhões.
“O Itaú
Unibanco S.A. também liberará do gravame as ações necessárias para a realização
de eventual oferta pública de ações relativa à transformação da Copel em uma
companhia de capital pulverizado, sem acionista controlador definido”.
O Itaú
reivindicava o crédito com ações da Copel, logo, o processo era apontado por
parlamentares como um empecilho à tentativa do governo paranaense de privatizar
a companhia de energia.
O acordo
abre caminho para a privatização da Copel, uma vez que libera papéis da
companhia para a realização da oferta em bolsa que diluirá a participação do
Paraná no capital da elétrica.
Segundo
despacho do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), o
acordo tem por objetivo garantir a quitação da obrigação assumida, de forma
parcelada, a fim de que o estado do Paraná possa fazer os pagamentos.
A última
parcela do pagamento será antecipada caso a oferta de ações para privatização
da Copel ocorra durante o exercício de 2023, disse o Itaú, em fato relevante.
As ações da
companhia de energia (CPLE6) subiam 4%, negociadas a R$ 7,46 às 10h38.
Entenda o caso
Segundo
apurou o Jota, a dívida foi contraída em 1998 quando o governo do Paraná fez
uma operação de crédito junto ao Banestado, que na época, era de controle
estatal. Como garantia, foram oferecidas ações da Copel.
À época, uma
Lei Estadual autorizava o Poder Executivo dar em caução ou oferecer como
garantia de operações de crédito, financiamentos e operações de qualquer
natureza, ações da Copel.
Porém, com a
privatização do Banestado nos anos 2000, o banco estatal foi adquirido pelo
Itaú Unibanco pelo montante de R$ 1,625 bilhão. O valor estaria acima do preço
fixado pelo governo do Paraná, que era de R$ 403 milhões.
Como o
estado do Paraná não faz o pagamento da dívida desde 2002, o Itaú resolveu
executar as garantias e ter acesso às ações da Copel.
A Justiça do
Paraná entendeu que as ações da empresa não podem passar para uma companhia
privada, uma vez que isso se enquadraria em um tipo de “privatização” – mas sem
seguir os trâmites legais. O Itaú, por sua vez, recorreu ao Superior Tribunal
de Justiça (STJ) alegando que a garantia real permite a relativização da fila
dos precatórios.
Avanço na privatização
A solução do
imbróglio judicial é um passo “significativo” para a desestatização da Copel,
avaliou o Bradesco BBI, em relatório.
“Do
contrário, com as ações travadas como garantia, o Estado não conseguiria
vendê-las e a oferta primária total para privatização teria que ser muito
maior”, disseram os analistas Francisco Navarrete, João Fagundes e André
Silveira.
Eles
destacaram ainda a divulgação pelo governo, nesta terça-feira, dos valores de
bônus de outorga que a elétrica deverá pagar para renovar a concessão de três
hidrelétricas, em um processo que ocorrerá em paralelo com a privatização.
“O governo
federal está permitindo que a privatização da Copel flua da melhor maneira
possível, e não está tentando interferir ou inviabilizar o processo, como
muitos temiam”, escreveram os analistas.
A
desestatização da companhia elétrica paranaense deverá seguir o modelo adotado
para a Eletrobras, com uma oferta de ações em bolsa visando diminuir a
participação do acionista controlador, o Estado do Paraná, e tornar a empresa
uma “corporation”.
No mês
passado, executivos da Copel afirmaram que a oferta de ações está em fase de
“construção”, trabalhando com assessores em “valuations” e “due dilligence”, o
que será posteriormente submetido à aprovação do Tribunal de Contas do Estado
(TCE-PR). A expectativa é realizar a operação no segundo semestre deste ano,
tendo como base os resultados financeiros da companhia referentes ao segundo
trimestre.
Fonte: InvestNews/ Foto: Canva