Publicado em: 02/03/2022
O preço do
barril de petróleo superou a barreira dos US$ 100 nesta quarta-feira (2), em um
momento de grande preocupação com o abastecimento mundial devido à invasão da
Ucrânia pela Rússia.
Por volta das
9h15, o barril do tipo Brent subia 5,77%, negociado a US$ 111,03, enquanto o
WTI subia 5,51%, a 109,11. Mais cedo, o Brent atingindo US$ 113,02 - o maior
pico desde 2014, enquanto o WTI atingiu US$ 110,18, registrando a maior cotação
desde 2013.
Os dois
principais indicadores de preços de petróleo estão em alta desde que a Rússia -
terceiro maior produtor de petróleo do mundo - invadiu a Ucrânia na semana
passada, desencadeando uma série de sanções contra Moscou, o que bloqueia as
exportações.
Na
véspera, o barril do Brent fechou em alta de 7,14%, a US$ 104,97, enquanto
o barril do WTI ficou em US$ 103,41, alta de 8,03%, após subir mais de 11%
durante o dia.
"Enquanto
a situação se intensifica na Ucrânia, os preços continuarão subindo, porque
aumenta a probabilidade de que as exportações russas sejam sancionadas e se
tornem inacessíveis", avaliou John Kilduff, da Again Capital.
Os operadores
de petróleo bruto mantêm a atenção em uma reunião que acontece hoje entre os
países produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Seu dez parceiros adicionais (Opep+), entre eles a Rússia, também participarão
para discutir um eventual aumento na produção.
A disparada do
petróleo coloca mais pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Desde
2016, a Petrobras passou a adotar para suas refinarias uma política de preços
que se orienta pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado
internacional e pelo câmbio. O último reajuste foi anunciado em 11 de janeiro.
Na semana passada, a estatal disse que iria monitorar
impacto de invasão à Ucrânia para petróleo antes de decidir sobre reajustes.
Bolsas sob
pressão
As bolsas
europeias abriram em queda, mas passaram a operar em leve alta, mesmo com a
alta dos preços das commodities alimentando preocupações sobre a inflação. Por
volta das 9h, a Bolsa de Paris subia 1,07%; a Frankfurt, 0,63%; e a de Madri,
1,33%. Já a de Londres avançava 0,97%.
Na Ásia, a
Bolsa de Tóquio fechou com perda de 1,68% para seu principal índice, o Nikkei
225. Hong Kong caiu 1,84%. Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores
companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,89%, enquanto o índice de
Xangai teve perda de 0,13%.
As duras
sanções financeiras contra a Rússia devem ter consequências econômicas
"temíveis", com "uma redução do crescimento e aceleração dos
preços", disseram analistas do Banque Postale AM.
Rublo em
baixa recorde
O rublo
caiu para uma baixa recorde em Moscou de 110 por dólar nesta quarta-feira e o
mercado de ações permanece fechado enquanto o sistema financeiro da Rússia
cambaleava sob o peso das sanções ocidentais.
A moeda russa
já perdeu cerca de um terço de seu valor em relação ao dólar desde o início do
ano. Fora da Rússia, o rublo era negociado a 115 por dólar, no terceiro dia de
queda, destaca a Reuters.
Impacto das
sanções
"O mundo
dos negócios constrói uma fortaleza para isolar a Rússia da comunidade
internacional", apontou Susannah Streeter, analista da Hargreaves
Lansdown. Empresas de todo o mundo respondem à Rússia "congelando as
transações com Moscou e abandonando investimentos que valem bilhões",
ressaltou.
A francesa
TotalEnergies anunciou nesta terça-feira que "não investirá mais capital
em novos projetos na Rússia". A transportadora francesa CMA CGM anunciou a
suspensão de novos pedidos envolvendo os portos russos, seguindo suas
principais concorrentes, Maersk e MSC.
Isso poderia
gerar "uma perturbação nos envios provenientes da Rússia, com
cancelamentos de reservas de carga". Em consequência, provocaria um
aumento dos preços da energia "a curto prazo, sem que a Rússia feche a
torneira", ressaltou Susannah.
Os países
ocidentais também decidiram excluir grandes bancos russos da plataforma
interbancária Swift. Uma parte considerável do transporte marítimo de petróleo
é financiada a crédito.
Moscou prepara
um decreto para tentar conter o sangramento de investimentos estrangeiros.
"O temor de que a Rússia responda usando suas exportações de energia como
arma mantém os preços do petróleo e do gás elevados", acrescentou
Susannah.
Fonte: G1 –
Economia / Foto: REUTERS/Dado Ruvic, retirada do Portal Money Times.