Publicado em: 16/12/2022
O Banco Central (BC) revisou a
projeção de crescimento da economia, neste ano, de 2,7% para 2,9%. A estimativa
para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos
no país, está no Relatório de Inflação, divulgado hoje (15), pelo BC. Para
2023, a projeção de crescimento do PIB continua em 1%.![]()
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De acordo com o relatório, a alta
na projeção do PIB, neste ano, refletiu a “elevação na previsão para o setor de
serviços, parcialmente compensada por recuo nas estimativas para agropecuária e
indústria”.
“A projeção da agropecuária foi
alterada de estabilidade para recuo de 2%, refletindo, principalmente, o
resultado do terceiro trimestre”. O relatório acrescenta que o recuo na
comparação com o trimestre anterior surpreendeu o BC, que “esperava um
resultado positivo, influenciado pela base relativamente fraca do segundo
trimestre – ainda sob impacto da quebra parcial da safra de soja, cultura com
colheita concentrada nos dois primeiros trimestres do ano – e por altas na
produção de laranja e de algodão, culturas com participação expressiva no
terceiro trimestre”.
“Contudo, recuos na produção de
cana-de-açúcar e mandioca sobrepujaram esses fatores altistas, levando a recuo
da atividade no trimestre e a piora na estimativa para o ano”, acrescentou.
Na indústria, a projeção foi
revista de 2,4% para 1,9%, com quedas nas previsões para todos os setores, com
exceção da construção.
Em serviços, a estimativa de
crescimento em 2022 passou de 3,4% para 4,1%, influenciada pelo resultado do
terceiro trimestre e pela revisão da série histórica. “O setor terciário tem
mostrado resiliência, voltando a crescer em ritmo robusto no terceiro
trimestre. As altas no setor foram disseminadas e de magnitudes elevadas,
iguais ou superiores a 1%, exceto pela atividade de comércio, afetada pelo
arrefecimento do varejo e da produção industrial”.
Para os próximos trimestres,
acrescenta o BC, “espera-se arrefecimento mais disseminado no setor,
repercutindo a perspectiva de desaceleração do consumo das famílias, em
ambiente de taxas de juros mais elevadas e de desaquecimento do mercado de
trabalho”.
Demanda
A estimativa para a variação do
consumo das famílias passou de 3,9% para 4,2%, a do consumo do governo de 0,7%
para 1,6% e a da formação bruta de capital fixo (FBCF - investimentos) de -0,4%
para 0,7%.
As exportações e as importações
em 2022 devem variar, na ordem, de 4% e estabilidade, ante projeções de 1,5% e
-2,5%. Essas estimativas refletem “altas maiores do que as esperadas no volume
de exportações e importações de bens e serviços”.
Próximo ano
Para 2023, a projeção de
crescimento foi influenciada pela “manutenção da perspectiva de arrefecimento
na demanda interna e nos componentes mais cíclicos da oferta”.
O relatório diz ainda que
“discussões sobre o orçamento de 2023 apontam para maior expansão dos gastos
primários [gastos relacionados aos serviços públicos, sem considerar pagamento
de empréstimos] do que a prevista na legislação atual, em especial os
associados a transferências às famílias [como o Bolsa Família]”.
O BC acrescenta que o aumento de
gastos do governo pode ajudar a sustentar a demanda por bens e serviços,
principalmente no curto prazo. Por outro lado, “estímulos fiscais adicionais,
especialmente se impactarem a percepção de sustentabilidade da dívida pública,
podem prejudicar as condições financeiras e o crescimento econômico”.
“Portanto, o resultado final depende da combinação da magnitude da expansão
fiscal no curto prazo e da formulação exata do novo arcabouço fiscal”.
Oferta e demanda
Pelo lado da oferta, a manutenção
da projeção central para a variação do PIB em 2023 refletiu recuos nas
previsões para agropecuária e indústria, de, respectivamente, 7,5% e 0,4% para
7% e estabilidade, e elevação na previsão para serviços, de 0,6% para 0,9%.
No âmbito da demanda interna, as
projeções para o consumo das famílias, consumo do governo e FBCF foram elevadas
de, respectivamente, 0,7%, 1,0% e -0,5% para 1,2%, 1,1% e 0,3%.
As estimativas para as variações
das exportações e importações ficaram praticamente inalteradas, passando,
respectivamente, de 3% para 2,8% e de 0,5% para 0,7%.
Fonte: Agência Brasil / Foto: REUTERS/Nacho
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