Publicado em: 15/08/2022
Sétimo produtor mundial na
categoria pneus de automóveis e o quinto nos modelos para caminhões, o Brasil
vendeu mais de 53,8 milhões de unidades (reposição e equipamentos originais)
somente em 2022, de acordo com o último Relatório de Sustentabilidade da
Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), do mesmo ano.
Mais que comemorar vendas, as
fabricantes nacionais destinaram de forma ambientalmente correta em 2020 mais
de 380 mil toneladas de pneus inservíveis — no ano anterior, foram 471 mil
toneladas, número recorde que faz parte do Relatório de Pneumáticos, do Ibama.
“Mesmo com a pandemia, nossas operações não pararam”, explica Klaus Curt
Müller, presidente da Anip e da Reciclanip, entidade sem fins lucrativos cujo
foco é a correta destinação desses equipamentos no final de sua vida útil
(inservível), evitando que esses resíduos sejam descartados na natureza. Por
meio dela, mensalmente a indústria envia seus pneus inservíveis, recolhidos em
todo o território nacional.
A Reciclanip, assim como as
fabricantes, teve que se adaptar a todas as fases da pandemia. De acordo com
Müller, foi com amplo sucesso, mas também com elevados custos. “Estamos
totalmente ligados a uma indústria que não pode parar. Todos os esforços desse
segmento se refletiram automaticamente para cumprir a missão que temos com o
meio ambiente do País.”
Desde o início da operação, em
1999, com o Programa Nacional e Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis, da
Anip, a indústria nacional investiu mais de R$ 1,6 bilhão e, até 2020, as
fabricantes nacionais destinaram mais de 5,5 milhões de toneladas de
inservíveis (equivalente a 1,1 bilhão de unidades para carros de passeio).
Extensão territorial e infraestrutura
são desafios
De acordo com o presidente, os
obstáculos da logística reversa no Brasil são enormes quando comparados com
países europeus. “Com área territorial de mais de 8,5 milhões de quilômetros
quadrados, temos que operar em uma área territorial 56% superior à soma de
alguns desses: França, Itália, Polônia, Turquia, Espanha, Suécia, Holanda,
Portugal, Reino Unido e Alemanha, por exemplo, que reúnem pouco mais de 3,7
milhões de quilômetros quadrados”, explica. “Ainda temos que transpor desafios
como a qualidade de infraestrutura rodoviária na 116º posição entre 141 países
no ranking do Relatório de Competitividade Global, publicado pelo Fórum
Econômico Mundial, em 2019.”
Tecnologia a favor
Müller observa ainda que, mesmo
com esse ambiente desafiador, a Reciclanip é uma referência mundial em
logística reversa de pneus inservíveis. “Enfrentamos todos os desafios
operacionais dos últimos dois anos graças a uma gestão profissional e
totalmente digitalizada: hoje podemos operar de forma 100% remota por qualquer
período de tempo necessário. “Nesse período de pandemia, o resíduo permaneceu
na rota de maturação em busca da sustentabilidade, processo fundamental para o
meio ambiente, somente possível porque não paramos de operar e ainda avançamos
na rota do pneu inservível.”
Desde janeiro de 2019, a
Reciclanip disponiliza um aplicativo para os municípios ou pontos privados
requisitarem a coleta, com todas as práticas em gestão Enterprise Resource Planning
(ERP). Em breve, a entidade planeja novos investimentos, incluindo uma
inovadora forma de operação sobre a forma da meta, ainda em análise, com o
objetivo de ampliar ainda mais a cobertura geográfica a nível nacional. “Depois
de passos importantes na gestão, na eficiência e na maturação do pneu
inservível, estamos agora diante de um novo patamar operacional e de mercado,
com o surgimento de outras formas de operar e de regular essa atividade”,
finaliza o presidente.
O destino dos pneus inservíveis
• 57% (223,7 mil toneladas): utilizados como
combustível alternativo em fornos de cimenteiras, em substituição ao coque
verde de petróleo, devido ao seu alto poder calorífico.
•
8% (34,9 mil toneladas): destinados às siderúrgicas. Todo aço retirado
durante os processos de trituração é reencaminhado para as siderúrgicas.
•
13% (36,2 mil toneladas): para produtos laminados. Nesse processo, os
pneus não-radiais são cortados em lâminas que servem para a fabricação de
percintas (indústrias moveleiras), solas de calçados, dutos de águas pluviais
etc.
•
22% (84,4 mil toneladas): a borracha retirada é utilizada em asfalto
borracha, tapetes para automóveis, pisos industriais e pisos para quadras
poliesportivas.
Fonte: Reciclanip
Os números da reciclagem de
pneus no Brasil
A Reciclanip atua nas 27 unidades
federativas do Brasil, sendo que o Distrito Federal e Paraná possuem com pontos
de coleta que abrangem 100% de suas populações. Na sequência, temos São Paulo,
com 94%; Rio de Janeiro, com 93%; Mato Grosso do Sul, com 92% e Goiás, com 86%.
“Em breve, apresentaremos uma proposta ao Ministério do Meio Ambiente visando o
aumento de municípios monitorados e, consequentemente, atendidos”, adianta
Müller.
Apesar de estabilizar em mais de
1.053 pontos de coleta, a entidade está presente em 1.400 municípios, com uma
abrangência geográfica muito superior aos 326 municípios com mais de 100 mil
habitantes exigidos pela resolução Conama 416. Atualmente, cerca de 40 empresas
parceiras fazem a coleta dos pneus inservíveis.
Fonte: Estadão Mobilidade / Foto:
Getty Images