Publicado em: 23/06/2022
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a produção brasileira de trigo alcance 8,4 milhões de toneladas
em 2022, um crescimento de 8% em comparação com a safra passada, quando foram
produzidas 7,6 milhões de toneladas.
No Paraná, onde o plantio começa mais cedo, 82% da área de 1,17
milhão de hectares já está semeada. E tem produtor com expectativa de aumento
de área.
É o caso
do triticultor Gustavo Ribas, de Ponta Grossa, na região dos Campos
Gerais, no Paraná, que começou o plantio nesta terça-feira,
primeiro dia de inverno.
“Estou
aumentando em 40% a minha área plantada, e a gente vê pessoas trabalhando muito
forte no trigo, produtores chegando a plantar, mas daí é aquele trigo, lá de
fevereiro, 100% da área de trigo, isso aí é muito difícil. E a gente vê que o
mercado, o clima têm promessa de conduzir bem e a gente tem uma perspectiva de
aumento de preços”, explica o produtor.
A previsão de
safra recorde é puxada pelos estados do Paraná e Rio Grande do Sul, que
respondem por 90% da produção nacional do cereal.
O Rio Grande do
Sul pode ter a maior produção de trigo da história, com 3,9 milhões de
toneladas, incremento de 12% em relação ao ano passado, quando o estado colheu
3,5 milhões.
A área plantada
no estado gaúcho é a maior desde 1980, com 1,4 milhão de hectares.
No Paraná, a
produção prevista também é recorde. O Departamento
de Economia Rural do Estado (Dereal) estima
3,8 milhões de toneladas, volume 21% acima do registrado no ciclo 20/21.
“Esse ano a
expectativa é de que a gente tenha uma safra cheia, se isso se concretizar com
certeza a gente vai ter recorde. Então a partir de agora que as culturas
começam a entrar num risco maior. Daqui até agosto é o principal momento da
cultura do trigo para gente definir se realmente a gente vai ter uma boa
produtividade ou não”, destaca o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho.
Exportações
de trigo
As exportações
do cereal estão aquecidas. Segundo dados do Ministério da Economia, na parcial
de janeiro a junho deste ano, o Brasil
embarcou 2,5 milhões de toneladas de trigo.
No ano passado
inteiro, o país exportou pouco menos da metade, 1,120 milhão toneladas.
Para a Federação das Cooperativas Agropecuárias do
Rio Grande do Sul (Fecoagro), a
venda do cereal para o mercado externo está sendo estimulada por causa da
guerra na Ucrânia, que é um dos principais produtores de trigo no mundo, junto
com a Rússia, no entanto, para o Rio Grande do Sul o mercado externo sempre foi
mais acessível.
“É muito mais
fácil você exportar trigo para África, para Ásia, do que a gente mandar para
São Paulo ou pro Ceará ou pro Rio de Janeiro é um emaranhado de tributação, a
própria logística é muito cara. Então o que que nós fizemos, nós nos preparamos
para exportar trigo para o mundo. O preço da exportação é sempre competitivo,
nós do cooperativismo do Rio Grande do Sul, entendemos que a exportação é um
caminho que baliza o mercado”, explica o presidente da Fecoagro, Paulo
Pires.
“Então a gente
tem que entender esse novo modal de mercado, que é o mercado exportador, ou
seja, você compra e você vende no lugar que estiver te pagando mais, nós não
temos essa precaução da segurança alimentar, ela pode ser feita como um
programa de governo”, complementa.
O embate entre
Rússia e Ucrânia, que representam 30% das exportações globais de trigo, também
empurrou a ampliação das lavouras gaúchas em 16% nesta safra de inverno.
Fonte: Canal Rural /
Foto: divulgação/Canal Rural