Publicado em: 22/06/2023
A
previsibilidade e a segurança são elementos fundamentais para a realização dos
negócios e a tomada de decisões. eventos
recentes de grande impacto, como a pandemia de covid-19, causaram perturbações
significativas nas cadeias produtivas e nas dinâmicas sociais, alterando
expectativas e pondo em risco a própria atividade empresarial em alguns
segmentos. Além disso, não existe, no país, uma cultura consolidada de
planejamento e preparação para os riscos. Atenta a esses desafios, a CNT
(Confederação Nacional do Transporte) divulga na
quarta-feira, (21), a Análise de Grandes Riscos do Setor de Transporte, da
série Transporte & Desenvolvimento. O estudo inédito tem o objetivo de
identificar esses grandes riscos e orientar o setor de transporte e o poder
público para que se antecipem e se adequem às suas eventuais consequências.
O
estudo identifica eventos que podem causar, por
exemplo, dificuldades na gestão e na operação das empresas de transporte e
danos a infraestruturas e sistemas estratégicos. Para tanto, foram ouvidos os
membros de instituições de representação do setor, que, com base em sua larga
experiência, avaliaram a probabilidade de ocorrência das ameaças levantadas e
as suas possíveis consequências, a partir da qual foram definidos os seus
níveis de risco. Com esse trabalho, a ideia da CNT é indicar quais fenômenos
representam potencialmente grandes riscos para o adequado desempenho do
transporte e da logística no Brasil.
O
presidente da CNT, Vander Costa, ressalta que é preciso levar em conta que o
mundo passou por significativas transformações nas últimas décadas: novos
hábitos de consumo, evoluções tecnológicas e mudanças nos cenários econômico e
político. Tais aspectos nos trouxeram a realidades extremamente complexas e
suscetíveis a incertezas e a eventos de grande impacto. “Nesse contexto, a
competitividade dos negócios depende de uma série de decisões e estratégias em
relação ao futuro, visto que todas as empresas operam expostas a algum grau e
tipo de risco”, observa Vander. O presidente destaca, ainda, que o setor de
transporte e logística não é exceção à regra. “A atividade transportadora
permeia todas as demais e impacta diretamente as cadeias de suprimento e o
desenvolvimento do país, estando sujeita à influência dos ambientes nacional e
internacional”, conclui.
Em
linhas gerais, é preciso desenvolver no país uma cultura de gestão de grandes
riscos, com estruturas permanentes de identificação e monitoramento das
potenciais ameaças. Deve-se, assim, aumentar o estado de preparação do setor de
transporte e do poder público, que devem atuar de forma coordenada para mitigar
os fatores que causam os riscos, ao mesmo tempo que se adequam aos seus
impactos. É o contrário, portanto, de agir de forma apenas reativa, depois de o
risco já instalado.
Um
aspecto que chama a atenção nos resultados do estudo é o fato de o setor de
transporte e logística considerar-se mais bem preparado do que o poder público
para responder aos riscos, em particular aqueles relacionados ao ambiente de
negócios e de natureza social e tecnológica. Aponta-se, ainda, a necessidade de
capacitação de um corpo técnico permanente, na administração pública,
especializado na gestão e no acompanhamento dos riscos.
Em destaque
O
estudo identificou e analisou 29 grandes riscos que podem impactar o setor de
transporte e logística no país, divididos em seis categorias: ambiental,
ambiente de negócios, econômica, geopolítica, social e tecnológica. Para tanto,
a Confederação consultou representantes do setor, que avaliaram a probabilidade
de ocorrência dos eventos e o possível impacto das suas consequências. A partir
disso, foram definidos os níveis de risco.
Predominaram,
nos maiores níveis de ameaça, segundo os representantes consultados, os riscos
nas categorias relacionadas ao ambiente de negócios, sociais e econômicas.
Destaca-se, porém, que todos os riscos identificados no estudo teriam um
impacto significativo caso ocorressem, pois em todos eles as somas dos
percentuais de avaliações de níveis de risco “Extremo” e “Alto” foram
superiores a 50%.
Ressalta-se,
na percepção dos representantes do setor, um maior potencial de impacto
decorrente de alterações em leis e normas, com eventuais sobrecargas em termos
de tarifas e tributos. Tem-se, assim, uma falta de previsibilidade no
planejamento e uma quebra de expectativa em relação ao retorno dos
investimentos.
O
roubo de cargas, por sua vez, tem tomado proporções cada vez maiores e agravado
o problema no setor, com ataques cada vez mais ousados do crime organizado. O
roubo de cargas tem afetado não só o segmento rodoviário de cargas, como
também os modos ferroviário
e aquaviário — neste, tanto
na navegação interior quanto na marítima.
A
escassez de mão de obra qualificada, com as competências técnicas e
operacionais necessárias às demandas do setor, é um risco que já se manifesta
em diversos segmentos.
Os
riscos ambientais vêm impactando de forma crescente os negócios no transporte,
com a ocorrência, por exemplo, de eventos climáticos extremos e desastres
naturais. Eles podem afetar de forma particular as infraestruturas e sistemas,
a exemplo do aumento do nível do mar em áreas portuárias e dos desabamentos de
terra, altas temperaturas e queimadas, provocando estragos nas infraestruturas
rodoviária e ferroviária.
Por
fim, foram compiladas, no estudo, diretrizes e orientações de melhoria para a
gestão dos riscos, a exemplo das seguintes:
?
Ampliação da abordagem dos instrumentos
de planejamento existentes para todas as categorias de riscos, e não apenas
para infraestruturas e demais ativos físicos.
?
Criação de estrutura permanente para o
monitoramento de riscos relacionados ao setor de transporte e logística.
?
Desenvolvimento de carreiras e capacitação
de pessoal na administração pública para atuar no gerenciamento de riscos.
?
Construção e adequação de infraestruturas
e sistemas mais resistentes e resilientes.