Publicado em: 26/04/2022
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou a primeira edição
da Pesquisa CNT Perfil Empresarial. Como o nome sugere, o estudo traz um
raio X do empresário do setor de transportes. E revela como as companhias estão
lidando com o atual cenário de incertezas econômicas.
Segundo o
presidente da CNT, Vander Costa, a pesquisa visa conhecer os empresários que
atuam em um mercado conhecido pelas constantes variações. ?Com os resultados
dessa pesquisa, podemos mostrar a contribuição do segmento para o crescimento
do Brasil. Assim como identificar os entraves enfrentados pelos transportadores
e construir soluções.?
Portanto, com
base nos dados revelados na pesquisa, a CNT poderá monitorar o desempenho do
segmento. Bem como trazer à tona as principais reivindicações do setor.
O tamanho do
setor do transporte rodoviário de carga (TRC)
Vale ressaltar
que operam no mercado de transporte de carga cerca de 266 mil empresas. Por sua
vez, o número de transportadores autônomos supera os 847 mil. Além disso, há 519
cooperativas de transporte rodoviário de cargas. Como resultado, a frota do
setor é de 2,5 milhões de veículos, entre caminhões e implementos rodoviários.
Ou seja, 70% a mais do que o registrado há 15 anos.
Segundo a CNT,
das 464 empresas que participaram da pesquisa, 59,3% estão no mercado há mais
de 20 anos. As que têm entre 15 e 20 anos são 12,7% e as entre 10 e 15 anos,
13,1%. As abertas entre cinco e 10 anos são 11,2% e as que atuam há menos de
cinco anos são 3,7% do total.
O levantamento
identificou ligações entre o porte e o tempo de atuação dessas empresas no
setor. Ou seja, o porcentual de companhias de médio e grande portes aumenta
conforme cresce a faixa de tempo de atuação no mercado. Em outras palavras,
17,6% foram abertas a até cinco anos, 30,8% têm entre cinco e 10 anos, 37,7%
foram abertas há 15 anos, 54,2% a até 20 anos e 78,2% há mais de 20 anos.
O perfil das
empresas
Dos
entrevistados, 42,5% afirmam que escolheram o setor de olho nas oportunidades
de negócio. Além disso, 38,6% disseram se tratar de atividade familiar e 15,1%
vieram de outras modalidades de transporte.
De acordo com a
pesquisa, as motivações também variam de acordo com o porte das empresas. Ou
seja, no caso das empresas de médio e grande portes, 44,2% são familiares,
ainda que 40% informem que as oportunidades de mercado lhes sejam próximas. Já
nas de pequeno porte, há um claro predomínio das oportunidades de mercado
(49,6%). Já os familiares são 27,6% do total.
Ademais, as
famílias das 79,3% transportadoras entrevistadas gerem seus negócios. Já as
demais 20,7% são administradas por profissionais do mercado.
Preço do
diesel e do frete impactam o setor
As frequentes
altas do preço do diesel foram apontadas por 82,3% dos entrevistados como o
fator que mais traz dificuldades ao setor. Outra queixa está ligada à elevada
carga tributária, de acordo com 56,5% dos entrevistados. Depois, aparece a
dificuldade de reajustar os valores do frete, apontada por 40,1% das empresas.
A pesquisa
mostra que 99,89% dos veículos dessas empresas são a diesel. Já o gás natural
veicular (GNV) e a eletricidade respondem por apenas 0,11% do total da frota.
Assim, a dependência quase total de combustíveis fósseis dificulta a gestão
financeira. Bem como afeta suas margens de lucro.
Nesse sentido,
82,3% dos empresários apontam que o preço do diesel é o maior entrave da
operação. E 87,5% não concordam com a política de preços de combustíveis
adotada no País.
Estratégias
para reduzir custos com diesel
Segundo as
empresas, a alta dos insumos também prejudica o setor. Assim, o gerenciamento
criterioso é fundamental. Dessa forma, as companhias implementam práticas de
condução econômica. Bem como buscam reduzir os custos de aquisição de diesel.
Nesse sentido, uma solução é a implantação de pontos próprios de abastecimento.
De acordo com o
estudo, essa solução é adotada por 55% das empresas participantes. Além disso,
o número é maior entre as companhias de maior porte. Ou seja, o serviço está em
73,7% das grandes e em 58,3% das médias. Por sua vez, apenas 22,2% das
microempresas e 35,4% das pequenas contam com esse recurso.
Manutenção da frota
Do mesmo modo,
realizar a manutenção da frota em oficinas próprias ou terceirizadas impactam
os custos. Das empresas participantes da pesquisa, 44,4% utilizam apenas oficinas
terceirizadas. Além disso, 40,5% recorrem aos dois tipos de atendimento. Por
fim, 13,4% utilizam apenas oficinas próprias.
Além disso, das
que utilizam oficinas terceirizadas, 24,4% são microempresas. As próprias são
utilizadas por 37% das pequenas e 47,6% por médias empresas. No caso das
grandes, são 74,1%.
Perfil da
frota das empresas
A maior parte,
ou 50,6% das transportadoras, não conta com programa de renovação de frota. Por outro lado, o fato de 47,4% das
empresas contarem com programas próprios é um dado considerado muito positivo
pela CNT.
Seja como for,
a idade média dos veículos é menor conforme aumenta o porte da empresa. Dessa
forma, apenas 11,1% das microempresas têm programa próprio de renovação. No
caso das pequenas, o número é de 25,2%. Nas médias e grandes, são 45,2% e
70,7%, respectivamente.
Práticas
sustentáveis
As empresas que
participaram do estudo informam que se preocupam com questões ambientais.
Assim, 59,6% delas têm algum tipo de ação nas operações. Dentre as medidas,
destacam-se o monitoramento do uso de combustível (39%) e das emissões de
poluentes (30,6%). Bem como a destinação correta de resíduos (30,2%) e a gestão
de uso de energia elétrica (26,5%).
Acidentes
nas rodovias
A preocupação com acidentes também é um ponto importante para
os empresários. Em 2021, foram registradas 64.452 ocorrências nas rodovias
federais. Isso gerou um custo de R$ 12,19 bilhões. Desse total, 27,3%
envolveram caminhões.
Nesse sentido,
segundo a CNT, 47,2% dos empresários afirmaram que seus veículos não se
envolveram em acidentes nos últimos 12 meses. Por outro lado, 39,5% registraram
de um a cinco acidentes. E 4,5% informaram que seus veículos se envolveram em
algum acidente entre seis e dez vezes no período.
Roubo de
carga
Os roubos de carga são outro entrave à operação do transporte
rodoviário. De janeiro e outubro de 2021, foram registrados cerca de 11 mil
roubos nas estradas brasileiras. Ou seja, 62,5% das entrevistadas informaram
que seus veículos foram alvo de ações desse tipo.
Fonte: Estradão
/ Foto: TuSimple/Divulgação