Publicado em: 09/02/2023
A indústria paranaense de bebidas foi a que mais cresceu no
segmento em 2022. Dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) mostram
que no acumulado de janeiro a novembro do ano passado a produção no Estado
aumentou 21% em relação ao mesmo período de 2021.
Na sequência, os estados com maiores crescimentos, segundo o
IBGE, foram Amazonas (18,2%) e Mato Grosso (13,1%). Já o aumento médio nacional
da indústria de bebidas no período foi de 3,5%.
“Os produtores de bebidas estão em um momento positivo. E o
cenário econômico do Paraná, sob gestão do governador Carlos Massa Ratinho
Junior, também está positivo. Por isso o Estado vem atraindo investimentos de
grandes grupos internacionais do ramo de bebidas, o que ajuda, inclusive, na
atração de ainda mais investimentos ao Estado com a cadeia produtiva”, afirma o
secretário estadual da Indústria, Comércio e Serviços, Ricardo Barros.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas do
Paraná (Sindibebidas) e vice-presidente da Associação das Microcervejarias do
Paraná (Procerva), Anuar Tarabai, afirma que o crescimento do setor no Estado
em 2022 é reflexo da retomada econômica com as melhorias do cenário da pandemia
de Covid-19. Recuperação que teve apoio do Governo do Estado.
“O Governo do Paraná teve agilidade em ajudar o empresário
na pandemia. Os empresários tiveram acesso ao Governo, que ficou sensibilizado
com a situação das empresas”, aponta o dirigente. “O Governo foi ágil no
sentido de que o empresário conseguiu ter acesso a refinanciamentos e à
renegociação de alguns impostos, que foram postergados para que as empresas
pudessem continuar operando no período mais crítico da pandemia”.
Tarabai avalia que o crescimento do setor ano passado é
resultado do cenário propício para que os empresários instalem ou aumentem seus
negócios no Paraná. “Uma empresa escolhe seu domicílio para investimento a
partir da proposta que recebe. Se a proposta for de mão de obra qualificada na
região, investimentos e subsídio, ela se instala. Se não tiver essas três
coisas básicas, a empresa não se instala. E o Paraná é um estado privilegiado
nisso. Tanto que só o setor cervejeiro gera mais de 25 mil empregos diretos no
Paraná”, enfatiza.
EXEMPLOS – Um dos investimentos que impactou no
bom resultado no Paraná em 2022 é da cervejaria Heineken, que nos dois últimos
anos destinou R$ 865 milhões para a planta de Ponta Grossa, nos Campos Gerais.
O aporte foi para aumentar em 75% a capacidade produtiva da
unidade, que é a maior produtora da marca Heineken no país e um dos maiores
parques industriais nacionais de cerveja, onde também são produzidos os rótulos
Amstel e Devassa. Toda a operação da planta em Ponta Grossa é 100% com energia
renovável. A fábrica emprega diretamente 576 pessoas da região, além de outras
19.574 de forma indireta ou induzida, segundo dados da própria cervejaria.
“No Paraná, nossa cervejaria está presente há mais de 25
anos, em Ponta Grossa, e é uma unidade extremamente importante, pois contribui
com a estratégia que traçamos para o segmento premium. Além disso, a unidade
está localizada em um local favorável para o escoamento da produção para
mercados-chave, como as regiões Sul e Sudeste”, afirma a direção da Heineken,
em nota. “Seguimos comprometidos com o desenvolvimento da cervejaria de Ponta
Grossa e o Estado do Paraná, confiantes no futuro da região e da nossa presença
no país”.
Outros dois exemplos de como o bom momento da indústria de
bebidas movimenta toda a cadeia produtiva do Estado, conforme cita o secretário
Ricardo Barros, são os da Ambev e da Maltaria Campos Gerais.
A multinacional Ambev confirmou no ano passado que vai
construir em Carambeí a maior fábrica de garrafas de vidros recicláveis do
Brasil. Com investimento de R$ 870 milhões, a planta vai produzir garrafas a
partir de cacos de vidros reciclados para os rótulos Brahma, Skol, Budweiser,
Stella Artois, Becks e Spaten. A previsão é de que a fábrica comece a operar em
2025, gerando entre 300 e 400 empregos diretos.
Já a Maltaria Campos Gerais recebeu aporte de R$ 3 bilhões
das seis cooperativas responsáveis pela planta que está se instalando em Ponta
Grossa: a Agrária Agroindustrial (Guarapuava), Bom Jesus (Lapa), Capal
(Arapoti), Castrolanda (Castro), Coopagrícola (Ponta Grossa) e a Frísia
(Carambeí). A unidade vai fornecer matéria-prima para produção de cerveja na
indústria do Paraná e de outros estados, fortalecendo a cadeia estadual de
fornecimento do segmento.
“Temos no Paraná matéria-prima, mão de obra qualificada,
água de qualidade e logística. Esses fatores, juntos com os incentivos fiscais
do Governo do Estado, permitem a consolidação desses investimentos do setor de
bebidas no Paraná”, completa o secretário Barros.
O Paraná tem 220 estabelecimentos da indústria de bebidas.
Desses, 12 são empresas com 100 empregados ou mais, o que ressalta a
importância local do setor. Segundo Julio Suzuki, diretor do Centro de Pesquisa
do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o
crescimento da atividade no Estado está diretamente relacionado aos
investimentos do setor nos últimos anos. “Grandes empresas do ramo realizaram
investimentos para a expansão das suas unidades”, afirma.
INVESTIMENTO NA PRODUTIVIDADE – Uma das empresas
de bebidas que cresceu em 2022 aproveitando o bom momento econômico no Paraná
foi a Cini, de Curitiba. Mais tradicional marca de refrigerantes do Estado, em
contagem regressiva para completar 120 anos em 2024, a Cini cresceu 22% o
volume de produção de janeiro a setembro do ano passado, mesmo período do
levantamento do IBGE.
O diretor da indústria, Nilo Cini, afirma que o ambiente
geral ajudou em 2022. Além da retomada econômica com o fim das restrições
sanitárias da pandemia, até o tempo colaborou para o bom resultado do setor de
bebidas no Paraná.
“Algumas questões colaboraram para nosso crescimento: o
inverno mais ameno, o que ajuda nas vendas, além da recuperação econômica, que
mesmo sendo tímida ajuda porque bota o dinheiro para circular. Houve também a
abertura de eventos, como casamentos e festas, o que favorece o setor”, avalia.
Tal quadro fez com que já em 2022 a Cini aumentasse os
turnos dos colaboradores para que desse conta da demanda. E para 2023 o plano é
investir na aquisição de equipamentos e maquinários para incrementar ainda mais
a produção de refrigerantes.
A meta da empresa é crescer a capacidade produtiva em 30%,
passando de 800 mil fardos por mês para 1 milhão de fardos por mês. “Vimos que
nesse ano teríamos que fazer investimento para suprir melhor não só nossos
clientes, como também nossos revendedores. A hora em que a sazonalidade do
setor exige você precisa de volume grande de produção para atender essa demanda
de quem consome e de quem revende”, argumenta.
Fonte: Governo do Estado do Paraná / Foto: Rodrigo Félix
Leal