Publicado em: 02/02/2023
A navegação por cabotagem (o transporte de um porto a outro,
dentro do próprio país), ainda incipiente no Brasil, começa a ser realidade
neste mês de fevereiro no Porto Ponta do Félix, em Antonina, no Litoral do
Paraná. O primeiro carregamento sai nos próximos 15 dias levando trigo
paranaense para os moinhos do Nordeste do Brasil.
É na navegação por cabotagem, além de investimentos em
infraestrutura e em segurança, que o porto aposta para crescer 65% este
ano em movimentação de cargas, na comparação com 2022. Neste último ano, já
houve um crescimento de 30% em relação a 2021. Se confirmada a projeção,
Antonina chegará ao fim do ano totalizando 2,5 milhões de toneladas
movimentadas.
Brasil
transporta só 11% das cargas por cabotagem
De acordo com dados da Associação Brasileira de Armadores de
Cabotagem (Abac), apenas 11% de tudo o que é transportado no país vai por
cabotagem. Na China, o modal aquaviário responde por 50% de toda a movimentação
de carga. Embora ainda restrita, a cabotagem vem crescendo a uma taxa de 10% ao
ano na última década e está presente em praticamente todos os portos
brasileiros. É considerada a melhor solução em transporte quando a distância
entre a origem e o destino ultrapassa 1500 quilômetros.
Segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain
(Ilos), cerca de 22 milhões de toneladas de cargas transportadas por estradas
poderiam ser entregues por navios, se a cabotagem fosse mais incentivada. Um
dos entraves era a exigência, até o ano passado, de a cabotagem ser feita
apenas por navios de bandeira brasileira, o que restringia bastante as
operações. A Lei da Cabotagem, sancionada no começo de 2022, derrubou essa
restrição, o que impulsiona a modalidade com mais ofertas de navios.
Em
Paranaguá, cabotagem representa 5%
No Porto de Paranaguá, também no litoral paranaense, a
cabotagem representou 5% de tudo o que foi movimentado em 2022, mas essa
participação vem crescendo ano a ano. Agora, o Porto Ponta do Félix recebeu
a habilitação para a cabotagem e o primeiro lote está sendo formado. Serão 15
mil toneladas de trigo que sairão nos próximos 15 dias do Paraná, com destino a
moinhos do Nordeste do Brasil.
“Essa habilitação abre oportunidade para a movimentação de outras
cargas que estejam indo de caminhão para outras regiões do Brasil e possam ir
de navio”, destaca Gilberto Birkhan, presidente do Porto Ponta do Félix.
Investimentos
em infraestrutura
O crescimento da movimentação no Porto de Antonina se deve também
a investimentos em infraestrutura. Nos próximos meses, o terminal terá novos
armazéns que vão ampliar em 85% a capacidade de armazenagem, passando das
atuais 280 mil para 520 mil toneladas, de forma gradativa.
“Em 2022, finalizamos os silos para importações de malte,
cevada e trigo, que entram em operação agora em fevereiro”, informa o Birkhan.
“Com isso, passamos a ter uma estrutura dedicada, com silos de concreto, para
esses produtos que já operamos, mas que agora ganham capacidade de expansão, podendo
dobrar o volume, chegando a 200 mil toneladas por ano”, explica.
Mais
espaço para fertilizantes
A ampliação no Porto de Antonina vai oferecer mais espaço
para o mercado de fertilizantes, um dos principais produtos importados pelo
Paraná. Em 2022, segundo dados da Portos do Paraná, foram importadas quase 10
milhões de toneladas do insumo pelos portos de Paranaguá e Antonina.
O volume representa 27,5% de tudo o que o país recebe em
adubos. “Os portos paranaenses são as principais portas de entrada dos fertilizantes
no Brasil. Aumentando o espaço para armazenar o produto atendemos uma demanda
dos nossos clientes”, destaca o presidente do Porto de Antonina.
Cargas
diversificadas
Cargas convencionais, como fertilizantes e açúcar ensacado,
continuam compondo grande parte da movimentação do Porto Ponta do Félix, mas as
melhorias têm viabilizado a diversificação das mercadorias.
Um dos produtos que chega pelo terminal é o carbonato de
sódio, conhecido por barrilha, muito usado em vários processos industriais.
Além disso, o sal também é importado por Antonina e na exportação são
destaque a pellet de cana de açúcar, pellet de madeira e alimentos que têm como
destino a Venezuela.
Em 2019, o Porto de Antonina registrou o quinto maior
crescimento entre 19 portos brasileiros. “Antonina está trabalhando com novos
tipos de carga, o que é algo inédito. Trabalhamos com cargas que não havia
precedente de operação no Porto Ponta do Félix. Isso nos consolida como porto
complementar e aliado do Porto de Paranaguá", diz Birkhan.
Mais
segurança
Neste início de ano, o porto completou os investimentos em
novas defensas marítimas, equipamentos que proporcionam mais segurança durante
a atracação dos navios. Com as defensas, o impacto do navio com a estrutura de
atração é reduzido, preservando a embarcação.
A expectativa é que as melhorias atraiam mais navios para
Antonina. O presidente do porto já fala em construção de um novo berço de
atração. Seria o terceiro em Antonina. “Entendemos que vamos precisar de um
maior espaço para atracação. É uma decisão que vamos tomar nos próximos 60
dias, mas existe a possibilidade de dar início ao projeto ainda este ano”,
sinaliza o presidente.
Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Divulgação/Porto Ponta do
Félix