Publicado em: 10/06/2022
Os senadores
começaram a discutir em Plenário, na manhã desta quinta-feira (9), o Projeto de
Lei Complementar (PLP) 18/2022, que estabelece um teto para a cobrança do ICMS
sobre combustíveis.
Todos os parlamentares concordam que é necessário um mecanismo para contar os
preços e aliviar a vida dos consumidores; o ponto que divide opiniões é como
isso será feito. Essa primeira etapa de discussão deixou clara a dificuldade
para a obtenção de um consenso.
Os governadores
têm demonstrado resistência à proposta, visto que o ICMS é a principal fonte de
arrecadação dos estados. Já os parlamentares de oposição consideram a medida
eleitoreira, que pode prejudicar os governos locais sem surtir o efeito
desejado, que é baixar os valores na bomba.
O relator do
PLP, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), no entanto, está confiante na aprovação.
Ele apresentou seu relatório, disse que inseriu no texto mecanismos de
compensação aos governos estaduais e garantiu que a União está dando grande
parcela de contribuição, abrindo mão de mais de R$ 32 bilhões de receita.
— A conta não
será exclusivamente paga pelos Estados. O sacrifício desses entes federativos
não poderia passar sem que a União desse a sua contrapartida. Essa é, a nosso
ver, a grande contribuição do Senado para a proposta — garantiu.
Fernando
Bezerra reconheceu que há parlamentares que defendem outros caminhos (como a
criação de fundo de equalização usando recursos de dividendos da Petrobras),
mas lembrou que a redução da carga tributária é uma solução que vem sendo
adotada por outros países.
— Esse projeto
tem capacidade de reduzir o IPCA em 2 pontos porcentuais até o fim do ano.
Assim o Brasil poderá ter inflação menor que a dos Estados Unidos, depois de
muito tempo ao longo de sua história. Usar a redução da tributação não é
invenção brasileira. É algo que vem sendo adotado em muitos outros países do
mundo — alegou.
Críticas
O senador
Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) foi um dos que fizeram duras críticas à
proposição — classificada por ele como “algo horrível”. Segundo o parlamentar,
a média das alíquotas do ICMS sobre diesel e gás de cozinha já é de 17%.
Portanto, o impacto maior vai ser somente na gasolina e etanol, cujas alíquotas
podem passar até um pouco dos 30%, conforme o estado.
— Isso é uma
improvisação, sem nenhum cálculo e benefício imediato. Em 1º de janeiro do ano
que vem, volta tudo como está. Estamos muito perto de votar algo simplesmente
horrível. Uma improvisação e um oportunismo eleitoral, com total ausência de
planejamento. É claro que eu quero que os impostos abaixem,
mas não dessa forma — alegou.
A senadora
Zenaide Maia (Pros-RN) chamou governadores e prefeitos a se mobilizarem contra
a proposta, por acreditar que o PLP tira recursos de áreas como saúde e
educação para distribuir lucro entre acionistas da Petrobras. Ao criticar o
governo federal, a senadora disse que o Poder Executivo “não respeita ninguém,
mas somente justifica que os combustíveis estão
altos por culpa dos governadores”.
— A Petrobrás pode
ter lucros, mas não estratosféricos. Não tenha dúvida, povo brasileiro, de que
esse PLP 18 vai tirar ainda mais recursos da educação pública. Metade do povo
brasileiro [sofre] com insegurança alimentar, quando estão priorizando
acionistas da Petrobras em detrimento de recursos para saúde e educação.
Fonte:
NTC&Logística / Foto: Edison Rodrigues/Agência Senado