Publicado em: 08/02/2023
O Tesouro Nacional pretende parcelar a compensação das perdas
de arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),
disseram hoje (7) governadores que se reuniram com o ministro da Fazenda,
Fernando Haddad. Amanhã (8), o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron,
reúne-se com os secretários estaduais de Fazenda para discutir a medida.
A compensação das perdas com o ICMS, imposto administrado
pelos estados, decorre das leis complementares do ano passado que limitaram as
alíquotas sobre combustíveis, gás natural, energia, telecomunicações e
transporte coletivo. O tema foi discutido no último dia 27 pelos governadores
dos 26 estados e do Distrito Federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, o
governo federal pediu para que o parcelamento ocorra dentro dos quatro anos de
mandato. Ele disse que o montante a ser compensado será um valor intermediário
entre os R$ 45 bilhões pedidos pelos governadores e os R$ 13 bilhões a R$ 16
bilhões prometidos pela portaria editada no governo passado.
Casagrande disse que os recursos para compensar os estados e
o Distrito Federal sairão diretamente do Orçamento da União. “Saímos bem
encaminhados com relação às compensações das perdas de 2022?, afirmou. “A
compensação será feita, mas os detalhes serão definidos amanhã.”
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, estimou as
perdas de arrecadação entre R$ 30 bilhões e R$ 36 bilhões, dos quais o governo
gaúcho tem R$ 7 bilhões a receber. O valor está próximo aos R$ 36,9 bilhões
projetados pelo Tesouro Nacional no fim de janeiro. Segundo ele, a compensação
é necessária para evitar prejuízos à população.
“Os estados foram atingidos por decisão do Congresso que
afetou a arrecadação do ICMS. O resultado é que temos dificuldade para manter
serviços básicos à população. Viemos aqui discutir como será a compensação
daqui para frente”, declarou.
Terceiro a sair da reunião, Eduardo Leite elogiou a atuação
de Haddad de buscar uma solução para o tema. “Ainda não tem um caminho
objetivo, mas quero fazer um registro de que é digna do maior elogio a postura
do ministro Fernando Haddad. Ele demonstrou muito interesse e disposição em
encaminhar solução para as demandas dos estados”, declarou o governador gaúcho.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, disse que a
compensação vai “oxigenar” o caixa dos estados e dos municípios, que recebem
25% da arrecadação do ICMS. “Entendemos que o governo, ao parcelar compensação,
também está nos atendendo no momento em que ele nos ajude a ter do Supremo
[Tribunal Federal] o parecer favorável a esses temas”, declarou.
Fonte: Paraná Portal / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil