Publicado em: 13/02/2023
O DECOPE – Departamento de
Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas da NTC&Logística
responsável por estudos técnicos voltados à apuração de custos de transporte
rodoviário de cargas e logística há 30 anos apurou, no ano de 2022 (doze meses),
o impacto da variação dos preços dos insumos do serviço de transporte
rodoviário de carga, que resultou em uma inflação média para o setor de:
– 17,01% para o segmento de
carga lotação ou fechada (INCTL – Índice Nacional de Custos do Transporte de
Carga Lotação) e,
– 10,60% para o segmento de
carga fracionada (INCTF – Índice Nacional de Custos do Transporte de Carga
Fracionada).
Contribui de forma significativa
para estes números os aumentos dos principais insumos utilizados pelo setor:

É importante observar que estes
valores do INCT se referem apenas a inflação dos últimos 12 meses, não refletem
a defasagem do frete que persiste, reflexo dos aumentos fora do normal dos
insumos pós Pandemia:

Apesar do INCT indicar uma
inflação acima da oficial medida pelo IPCA (5,79%) em 2022, o que traz muita
inquietação para o setor é o repasse dos aumentos dos últimos 2 a 3 anos,
quando o INCT atingiu alta histórica:

E, é sempre bom lembrar a falta
do recebimento dos demais componentes tarifários, tais como, frete-valor que
está relacionado aos custos dos riscos legais da atividade e do GRIS que
remunera os custos inerentes às medidas de combate ao roubo de carga e os
custos decorrentes dele.
Cabe salientar que muitas vezes
os custos eventuais (Generalidades), decorrentes de serviços inesperados tais
como: devolução, reentrega, permanência de carga, estadias entre outros, podem
ser superiores ao próprio frete peso. Uma situação que precisa ser tratada de
forma adequada e rápida pelo mercado.
Concluindo, apesar da diminuição
do ritmo dos aumentos o momento continua difícil, principalmente em decorrência
da existência natural de incertezas com a mudança de governo, das consequências
trazidas pela guerra que continua entre a Ucrânia e a Rússia, da taxa de juros
básica que está alta, entre outras dificuldades.
Agravando ainda mais a situação,
verifica-se um aumento da dificuldade na contratação de motoristas e autônomos
e, além disso, permanece elevada a quantidade de empresas transportadoras que
não conseguiram repassar aos seus fretes os aumentos dos últimos anos
comprometendo bastante os seus caixas, razão pela qual, o alerta tem caráter
vital para a preservação da saúde financeira bem como a capacidade de
investimento para atender as demandas do mercado.
Enfim, é prudente e sensato que
o transportador e seus contratantes acertem o mais breve possível o repasse da
inflação do período e acabem com as defasagens existentes, a fim de manter a
qualidade e a garantia dos serviços de transporte de forma sustentável.
São Paulo, 10 de
fevereiro de 2023.
Associação Nacional
do Transporte de Cargas e Logística
Fonte: SETCESP / Foto: Divulgação