Publicado em: 25/08/2022
As primeiras projeções para a produção de grãos para a safra
2022/23 apontam para uma colheita de 308 milhões de toneladas. Segundo dados
divulgados nesta quarta-feira (24), em Brasília, pela Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), o resultado é impulsionado, principalmente, pelo bom
desempenho dos mercados de milho, soja, arroz, feijão e algodão.![]()
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De acordo com os números, que apresentam as principais
variáveis de mercado e as tendências para as culturas, a produção total destes
cinco principais produtos cultivados no país, e que correspondem a mais de 90%
da produção brasileira de grãos, está estimada em 294,3 milhões de toneladas.
Soja
Para a soja, a perspectiva da Conab aponta um cenário
recorde na produção, sendo projetada em 150,36 milhões de toneladas para a
próxima temporada. Na avaliação da companhia, os preços do grão devem continuar
atrativos, uma vez que a oferta e a demanda mundial da oleaginosa seguem
ajustadas, refletindo em tendência de crescimento de 3,54% de área para a
cultura, podendo chegar a 42,4 milhões de hectares.
A produtividade do ciclo 2022/23 deve apresentar recuperação
em relação a atual safra após os problemas climáticos registrados nos estados
do Sul do país e em parte de Mato Grosso do Sul.
Com a melhora esperada na produtividade, a Conab calcula que
a maior disponibilidade do grão deve propiciar exportações de 92 milhões de
toneladas, aumento de 22,2 % em relação à safra 2021/22, um recorde para a
cultura.
Mesmo com a estimativa de aumento dos embarques, os estoques
para a temporada 2022/23 também devem crescer em torno de 3,9 milhões de
toneladas em relação ao que é previsto para o ciclo atual, sendo projetadas
9,89 milhões de toneladas.
Algodão
No caso do algodão, a análise também aponta para um cenário
de aumento de área, produtividade e consequente acréscimo na produção. As
primeiras previsões para a safra 2022/23 indicam uma colheita de 2,92 milhões
de toneladas da pluma. Segundo a companhia, os fatores que impulsionam o avanço
da cultura são o elevado patamar dos preços do produto, boa rentabilidade e a
comercialização antecipada, entre outros.
No entanto, as incertezas do cenário econômico mundial podem
restringir esse crescimento. Diante desta produção, é esperada uma retomada no
volume exportado para um patamar próximo a dois milhões de toneladas do produto
final, além de um estoque de passagem de aproximadamente 1,75 milhão de
toneladas de pluma no fim de 2023.
Arroz
Já no caso do arroz, a área cultivada deve apresentar uma
nova redução na safra 2022/23. Com o elevado custo de produção, os agricultores
tendem a optar por culturas que apresentam melhores estimativas de
rentabilidade e liquidez, como milho e soja.
Ainda assim, a produção na safra 2022/23 deve ficar em torno
de 11,2 milhões de toneladas, dada a possibilidade de recuperação na
produtividade em relação a 2021/22, que sofreu com a disponibilidade de
recursos hídricos para o seu bom desenvolvimento.
Feijão
Segundo a Conab, o cenário semelhante é esperado para o
feijão. A atual melhor rentabilidade de grãos concorrentes deverá refletir em
amena retração de área da leguminosa. Com isso, a produção tende a seguir bem
ajustada com a demanda, mantendo a colheita total em cerca de três milhões de
toneladas. O cenário previsto é de normalidade em relação ao abastecimento
interno.
Milho
Para o milho, é esperada uma produção total de 125,5 milhões
de toneladas. Na primeira safra, há projeção de uma leve queda de área, com
variação negativa de 0,6%, uma vez que o cereal concorre com a soja.
No entanto, com uma possível recuperação na produtividade,
após a escassez hídrica em importantes regiões produtoras na temporada 2021/22,
a produção pode chegar a 28,98 milhões de toneladas. Já na segunda safra do
grão, é estimado aumento tanto da área como da produtividade, o que pode
resultar em uma colheita de 94,53 milhões de toneladas, expansão de 8,2% em
relação à safra 2021/22.
Mercado de carnes
Para o próximo ano safra, os produtores de carnes,
principalmente de aves e suínos, se deparam com o desafio de gerenciar os
custos de produção, diante de preços de milho em patamares mais altos. Neste
cenário de custos elevados, a tendência é de uma menor margem de rentabilidade
para o setor.
No caso da suinocultura, outro fator a ser considerado é a
recuperação dos rebanhos chineses, atingidos fortemente pela Peste Suína
Africana (PSA) a partir de 2018, o que vem impactando as cotações internas de
suíno vivo, além de influenciar na redução das exportações para a China.
Ainda segundo a análise da Conab, a tendência para 2023 é de
um aumento de 6,7% nos abates que, por sua vez, não devem se converter
totalmente em aumento na produção da proteína em virtude do menor peso médio
esperado em função dos elevados custos na alimentação dos plantéis.
Os abates de aves projetados para 2023 também tendem a
apresentar crescimento de 3,2% em relação a este ano, sendo estimados em 6,29
bilhões de frangos, enquanto as exportações devem apresentar ligeira queda de
1,7%, podendo chegar a 4,5 milhões de toneladas. Essa combinação de fatores
resulta em um provável aumento da oferta interna de 4,2%, elevando a
disponibilidade per capita acima dos 51 kg/hab/ano.
Fonte: Agência Brasil / Foto: CNA/Wanderson
Araujo/Trilux