Publicado em: 07/03/2023
Com a chegada da
rede 5G, todos se preparam para uma internet mais veloz e prática, mas a
instalação será concentrada nos grandes centros. Para quem passa muito tempo
nas estradas, o cenário continua o mesmo. Dados da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) revelam que apenas 4,32% do território brasileiro
possui cobertura 3G e 12,45% o 4G, e a porcentagem de cobertura por moradores
ultrapassa os 90%.
A quinta geração de
internet traz a expectativa de maior estabilidade nas comunicações, de
velocidade no download e de envio de arquivos. A novidade visa melhorar a
qualidade das transmissões de vídeos e reduzir o atraso que acontece nas redes
mais antigas.
Eduardo Ghelere,
diretor-executivo da Ghelere Transportes, comenta como o 5G influencia no
transporte de cargas: "A mudança é que vamos conseguir trafegar com dados
mais altos e automaticamente conseguiremos ver a câmera em tempo real nos
caminhões. Hoje conseguimos ver com o 4G, mas é ruim. Não há uma revolução, é
só uma melhoria que vai dar um passo a mais no tráfego de dados".
Apesar da extensão
do sinal e da facilidade de acesso nos municípios, é importante lembrar que os
cidadãos também estão nas rodovias ao longo do Brasil, seja realizando
passeios, viagens a trabalho ou exercendo sua profissão. Neste último caso, o
uso de tecnologia é ainda mais expressivo, pois a comunicação pelo celular e o
monitoramento do veículo através do rastreador reforçam a segurança no setor de
transporte, além de possibilitar o acompanhamento ininterrupto da carga.
Ghelere
potencializa que a cobertura nas pistas traria maior vantagem para a categoria
de transportes. "Não adianta ter o 5G nos grandes centros, se para o nosso
setor não impacta tanto quanto ter o 3G na beira da pista. Temos um caminhão
que raramente quebra, mas se acontece é no fim de semana, onde o celular não
tem sinal e o motorista precisa andar um quilômetro para falar que o veículo quebrou.
Sabemos que ele está parado, mas não sabemos se ele está na beira da pista ou
num posto de gasolina."
Os rastreadores
necessitam de uma conexão mínima 3G para funcionar e possibilitar o
monitoramento e a segurança da carga e do transportador. O risco da
inexistência de sinal para pedir ajuda é preocupante para veículos menores
também, em casos de acidentes ou de falhas mecânicas. A Anatel prevê a
instalação do 5G nas rodovias, mas não oferece detalhes e deixa uma data muito
longe para que essa modernização aconteça.
O diretor da
Ghelere destaca a importância do investimento para assegurar a proteção nas
estradas e a prestação de ajuda assim que o problema for detectado. "Eu
gostaria de dar um passo para trás e ter a obrigatoriedade, minimamente, do 3G
em todas as rodovias federais, que são menos extensas que as estaduais, pois
temos o rastreador, e se o caminhão quebrar o motorista tem um WhatsApp que
funciona para pedir ajuda."
A modernização
acontece diariamente, e as novas tecnologias simplificam cada vez mais os
processos. Essa busca por avanço é benéfica. No entanto, antes de promover
melhorias para setores específicos da sociedade, é necessário avaliar se as
condições presentes já estão niveladas, caso contrário essas melhorias podem
deixar a maior parte da sociedade em desvantagem enquanto apenas uma parcela
pequena é beneficiada.
"Já temos
Wi-Fi instalado em todas as unidades para os motoristas, fizemos um avanço na
conexão interior e teremos melhoria também fora das unidades. É a evolução
natural da tecnologia, nada de revolucionário, mas que facilita tarefas
cotidianas", finaliza Ghelere. As informações são da assessoria de
comunicação da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística
(NTC&Logística).
Fonte: Jornal do
Comércio / Foto: TÂNIA MEINERZ/JC