Publicado em: 11/02/2022
A Polícia Federal
(PF) cumpriu, nesta quinta-feira (10), 25 mandados de busca e apreensão em uma
investigação sobre superfaturamento de obras públicas e lavagem de dinheiro. Os
investigados são servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (Dnit) de cinco estados, incluindo o Paraná.
As
buscas foram autorizadas pela 14ª Vara da Justiça Federal, de Curitiba. Além do
Paraná, foram cumpridos mandados em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e
Mato Grosso.
A
investigação teve respaldo de informações que constam em relatório de auditoria
da Controladoria Geral da União (CGU).
O caso
Um
servidor do Dnit, que ocupou cargo na direção nacional e regional, foi preso
temporariamente, e outros cinco servidores do mesmo órgão foram afastados das
funções. Todos tiveram os bens bloqueados.
Segundo as investigações, os suspeitos se beneficiaram de um
esquema de corrupção, que incluiu desvio e superfaturamento de obras, além de
lavagem de dinheiro.
A investigação que
respaldou a operação desta quinta foi iniciada em 2015, mas acredita-se que os
crimes tenham sido cometidos há 10 anos.
Contratos
Um dos contratos, de R$ 700 milhões, referente à
duplicação de um trecho da BR-163, que passa pelo Paraná, pode ter gerado aos envolvidos R$ 60 milhões em propina,
aponta a investigação.
O trecho a ser duplicado, que tem suspeita de ações fraudulentas, é um
desejo antigo de motoristas que transitam entre Cascavel e Marmelândia, no
oeste e sudoeste do estado.
Segundo a ordem de serviço, a obra foi iniciada em 2016 e
deveria ter terminado em setembro de 2017.
A obra da BR-163 prevê
a duplicação de 74 quilômetros de rodovia, mas, até o momento, pouco mais de 30
quilômetros de duplicação foram liberados para os veículos. Ou seja, mesmo após
vários anos do início da obra, os motoristas não têm acesso nem a metade da
duplicação que já deveria estar concluída.
A rodovia é uma das
mais importantes do país, são mais de 3,5 mil quilômetros de extensão entre o
Rio Grande do Sul e o Pará. Nela, os veículos de carga e de passeio disputam
espaço em uma pista em péssimas condições.
O caminhoneiro Giovano
Silva mora em Chapecó (SC) e viaja toda semana para o Mato Grosso. Segundo ele,
paradas forçadas para conferir a carga são comuns quando ele passa pela BR-163,
perto de Cascavel.
"Está bem crítico a estrada aí, bastante buraco. As obras
começadas e não finalizadas, bastante dificuldade para passar nesse trajeto
aí", diz.
Ao lado da pista antiga, existe uma nova, mas que em muitos
trechos não está liberada porque falta pintura e sinalização.
Segundo a PRF, por
causa da obra, os poucos pontos de ultrapassagem no trecho foram retirados para
segurança dos motoristas. O motivo é que com a falta de manutenção da pista, o
risco de acidentes aumenta.
"O atraso nas obras acaba criando um gargalo logístico e
acaba repreendendo esse grande fluxo de veículos e também sobrecarrega a pista
antiga que já foi construída com tecnologia de muitos anos atrás e não tem
preparo para suportar as novas configurações de veículos de carga que trafegam
pelo local", afirma o policial rodoviário Ricardo Salgueiro.
O que diz o Dnit
Conforme o Dnit, 84% da obra está concluída. Foram
investidos mais de R$ 590 milhões. Para a conclusão ainda são necessários R$
152 milhões.
Sobre o atraso, o departamento reconheceu que não tem dinheiro
suficiente para concluir a duplicação e disse que a péssima situação da rodovia
é por causa das chuvas, que atrapalharam os trabalhos de manutenção.
Em relação à operação, o Dnit informou que tem conhecimento das
investigações e está colaborando com a apuração dos fatos para adotar medidas
administrativas contra os servidores envolvidos no caso.
Além disso, afirmou que está em permanente contato com os órgãos de controle e reafirmou que a atuação do órgão é pautada pela legalidade e pelos princípios da administração pública.
Fonte: G1