Publicado em: 29/11/2022
Na granja Heinen, situada em Linha Arroio Bonito, município
de Mato Leitão (RS), 160 placas de energia
solar fotovoltaica ajudam a reduzir a conta de luz desde que foram
instaladas, no final de 2021.
A alta nos insumos para a criação de gado, a crise hídrica,
a disparada
no preço dos combustíveis, entre outros fatores econômicos, afetaram
produtores da cadeia leiteira. O resultado foi que, em 2022, o
litro do leite chegou a ser vendido por quase R$ 8 em várias partes do país.
Apesar desse cenário, o produtor Evandoir Heinen viu diminuir
seus custos com energia elétrica graças ao sistema fotovoltaico.
"A conta passava dos R$ 5.800. Era inviável. Foi aí que
instalamos as placas e já vimos resultados. No primeiro mês, paguei pouco mais
de R$ 1.000, além da prestação do equipamento."
Heinen é um dos milhares de produtores que, com o incentivo
de linhas de crédito, aderiram à fonte renovável.
Dados da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar
Fotovoltaica) apontam que houve um aumento de 115% no número de sistemas
instalados nos campos do Brasil entre os seis primeiros meses de 2021 e o mesmo
período de 2022 —44 mil sistemas no ano passado e 94,6 mil neste. Na área rural
do Rio Grande do Sul, a alta foi maior, de 135%.
A tecnologia impacta também o número de empregos
gerados pelo setor. Segundo a Absolar, entre 2020 e outubro de 2022, houve
um aumento de 180% nos postos de trabalho relacionados à energia solar. No que
diz respeito à arrecadação de impostos aos cofres públicos do país, a alta, no
mesmo período, foi de 187%.
Orgulhoso, Heinen mostra relatórios que apontam não apenas a
economia que os painéis geram mas também os benefícios ao meio ambiente.
Desde a instalação, em dezembro de 2021, a economia já foi de R$ 43.169,84.
Foram deixadas de produzir 12 toneladas de gás carbônico e 18 árvores foram
salvas.
Para aderir à energia solar, o produtor realizou um
financiamento de dez anos junto à cooperativa Sicredi. "A primeira parcela
eu paguei R$ 3.400, e a última vou pagar R$ 1.700."
Heinen relutou até aceitar uma proposta para instalar os
módulos por não conhecer muito bem o sistema. Hoje, ele percebe que fez uma boa
escolha. "Estou muito satisfeito. Até coloquei mais um ar-condicionado em
uma sala."
Para a vice-presidente da Absolar, Bárbara Rubim, o crescimento
da energia solar no agronegócio pode ser atribuído a três fatores.
"O primeiro é a alta da conta de luz em todos os segmentos. Tivemos a
bandeira tarifária da escassez hídrica que, apesar de não estar vigente hoje,
foi um grande motivador."
O segundo é o fato de o consumidor rural ter historicamente
acesso a uma série de reduções tarifárias que agora estão chegando ao fim.
"Por fim, também influencia o surgimento de diversas linhas de
financiamento voltadas especificamente a esse público."
Pode-se dizer que o casamento entre o campo e a energia
solar, chamado de "agro fotovoltaico", veio para ficar.
"Trata-se da integração dos módulos fotovoltaicos com
alguns cultivos, já que certas espécies, como morango, se beneficiam do
sombreamento que pode ser causado pelo sistema solar quando instalado no
solo", diz Rubim.
Além disso, o produtor rural costuma ter disponibilidade de
área, seja em solo ou na cobertura dos galpões.
"Tudo isso faz com que a energia solar seja uma aliada,
ajudando a reduzir o custo fixo e, por consequência, barateando a produção de
alimento", afirma. A Absolar projeta, para os próximos anos, um
crescimento ainda maior da adesão
em áreas rurais.
A Solled Energia, de Santa Cruz do Sul (RS), foi uma das
pioneiras da energia solar fotovoltaica no estado. A CEO da empresa, Mara
Schwengber, lembra os primeiros passos do negócio, em 2011, quando ainda não
havia regulação, que só chegaria um ano depois.
"Participamos do processo de construção da regulação e
fomos uma das primeiras usinas conectadas do Rio Grande do Sul e do Brasil. O
mercado teve uma explosão em 2017 e vem dobrando a cada ano o número de
conexões e da potência instalada."
Segundo a CEO, países europeus, que já faziam uso da
tecnologia, foram observados no início. "Resolvemos investir em algo que
até então não estava acontecendo."
Atualmente, a Solled tem mais de 3.000 instalações, a
maioria em estados do Sul. Diretamente, a empresa gera cerca de 150 empregos.
Contudo, há dificuldade em conseguir mão de obra especializada.
"Buscamos pessoas que tenham interesse em trabalhar no
setor e fazemos a capacitação. Há uma carência de mão de obra e a tendência é
ter mais ainda, devido ao crescimento do mercado."
Fonte: Folha de São Paulo / Foto: Carlos Xavier