Publicado em: 06/04/2022
A recente
elevação dos preços dos combustíveis no
Brasil já impacta o setor agro.
Há de se gastar mais para manter as máquinas funcionando dentro da porteira. Do
lado de fora, o custo também aumentou com os fretes. Um levantamento feito pela
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que a alta do óleo diesel,
impactada pela valorização do petróleo no mercado internacional, fez os valores
subirem até 118% no Paraná entre
janeiro e fevereiro.
Em março, o
frete rodoviário entre Sorriso, em Mato Grosso, até Santos,
em São Paulo, atingiu
o maior valor da história, a R$ 435 por tonelada, segundo o Grupo de Logística
Agroindustrial da Esalq/USP (Esalq-Log) —a alta foi de 25% ante março do ano
passado. E se o barril do petróleo continuar
acima de US$ 100 e o dólar acima
de R$ 4,50, a expectativa é que os custos para transporte da safra renovem
recordes no segundo semestre. De acordo com o coordenador do grupo de logística
agroindustrial Esalq-Log, Thiago Péra, além de petróleo e dólar, o aumento da
demanda por caminhões para transportar o milho segunda safra aos
portos, a alta demanda externa para o grão brasileiro, as novas janelas de
exportação para soja e o reajuste de pedágio ajudam a explicar o cenário
projetado.
Apesar da
recente queda do dólar, a alta incerteza ligada ao mercado de petróleo
permanece com a guerra na Ucrânia,
o que mantém o cenário altista para combustíveis no radar. A Associação Brasileira
dos Importadores de Combustíveis citou nas últimas semanas que ainda há
defasagem em relação ao preço praticado para o diesel no mercado interno em
relação ao internacional. Uma safra de custos altos já é uma realidade no setor
agropecuário brasileiro e não há sinais animadores de queda no custo de
combustíveis num horizonte de curto prazo que possa dar alívio ao setor para o
transporte de alimentos.
Fonte: Jovem
Pan / Foto: André Lessa/Estadão