Publicado em: 02/06/2022
O número de mortes ocasionadas por acidentes de trânsito
caiu em 30% no Brasil, entre os anos de 2011 e 2020, segundo dados divulgados pelo Registro Nacional de
Acidentes e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), da Secretaria Nacional de
Trânsito, pasta do Ministério da Infraestrutura. A redução, apesar de não
ter atingido a meta estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a
Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 50%, representa avanços.
Para que se tenha ideia, em 2011 o Brasil registrou 44.553
mortes resultantes de acidentes de transporte. O número baixou para 33.625 em
2018 e para 11.647 em 2021. Já o número de acidentes em 2021, foi de
632.764 registros, volume 33% menor se comparado ao ano de 2020, que
registrou 845.872 acidentes.
Com as novas regras no Código Brasileiro de Trânsito (CTB)
- que passaram a valer neste ano - e investimentos em educação e planejamento
estratégico especialistas acreditam que os números de acidentes no Brasil
deverão melhorar.
Entre as tecnologias que têm ajudado a reduzir o número de
acidentes no trânsito estão os radares, que atualmente são dotados de softwares
que também conseguem emitir dados referentes à quantidade de pessoas que se
deslocam de uma origem a um destino, de acordo com o horário, modo de
transporte utilizado, (matriz origem-destino), velocidade média, tempo médio de
percurso, entre outros.
O especialista em mobilidade, Guilherme Araújo, conta que a
partir dos dados gerados pelos radares é possível comprovar uma redução média
de até 35 vezes no comportamento irregular dos condutores em locais em que os
equipamentos estão instalados.
“Existe uma relação óbvia de redução de mortes por acidente
de trânsito com o incremento da fiscalização eletrônica. O monitoramento
auxilia as administrações de trânsito municipais e estaduais no planejamento,
reduzindo os riscos de mortes causadas por acidentes”, afirma Guilherme.
Segundo ele, isso acontece porque existem equipamentos que conseguem emitir
informações relevantes, como é o caso dos que controlam velocidade.
"Medir é uma forma de gerenciar e possibilitar a tomada de decisões de
forma assertiva”, completa.
Grandes números
O relatório de março deste ano, publicado
pelo Ministério da Infraestrutura, apontava uma frota de 112.173.572 milhões de
veículos no Brasil.
Dados gerados mensalmente pela Velsis, uma das empresas
brasileiras responsável pela fabricação de tecnologia em mobilidade, monitora
três vezes mais do que o valor da frota nacional em passagens de
veículos. Ao todo, são 370 milhões de passagens fiscalizadas por meio de
equipamentos instalados em rodovias e vias do país.
“Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os radares
servem para garantir a segurança da população. Ao aferir a velocidade, a
tecnologia ajuda a evitar acidentes e mortes em vias, rodovias e em locais como
no entorno de escolas, hospitais e residências”, afirma Guilherme Araújo.
Os radares
Com tecnologias que variam entre o laço indutivo, doopler
(ultrassom), laço virtual (cálculo sobre imagem) ou laser - são capazes de
capturar informações sobre presença e tempo de passagem dos veículos,
permitindo registrar informações estatísticas e as infrações de trânsito. Entre
elas, veículos acima da velocidade permitida, parada sobre faixa de pedestres,
avanço de semáforo no vermelho, fluxo em contramão e conversão proibida.
A combinação de equipamentos de captura e processamento de
imagens das placas de veículos (OCR/LPR) e de um software com inteligência
artificial faz com que o sistema seja classificado como não intrusivo, ou seja,
reduz o período de manutenção e necessidade de interdição de obras nas pistas
para realizar a sua implantação.
A tecnologia LAP (Leitura Automática de Placas), por
exemplo, incorporada aos radares eletrônicos, é capaz de proporcionar a leitura
da placa dos veículos e verificar, em questão de segundos, a situação em
relação a débitos, indicativos de furtos, ou bloqueios. “O equipamento é
um auxiliar na fiscalização do trânsito. Além da segurança ocasionada pela
redução de velocidade, os radares contribuem para a melhora da gestão das vias,
para a gestão do tráfego e convidam o cidadão a cumprir diariamente as normas
estabelecidas”, completa Guilherme Araújo que também é diretor-presidente da
Velsis.
Redução de acidentes
Em Salvador, por exemplo, os equipamentos de
fiscalização estão instalados em locais estratégicos, nos principais
corredores de trânsito da cidade e têm uma finalidade muito importante
para garantir a segurança em todas as épocas do ano. “Isso inclui a região das
praias, onde sabidamente o consumo de álcool é maior. Nestes pontos os
equipamentos de trânsito estimulam o respeito à sinalização semafórica e os
limites de velocidade”, afirma o diretor de Trânsito da Transalvador, Marcelo
Correa.
Ele conta que os equipamentos tecnológicos são essenciais
para os resultados positivos que vêm sendo obtidos nos últimos anos para o
monitoramento de veículos e pedestres e da própria segurança pública. Salvador
conseguiu reduzir em 50% o número de mortes no trânsito nos últimos dez anos,
saindo de 260 mortes ao ano para 130 mortes por ano.
Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/BemParaná