Publicado em: 23/08/2022
Os três
principais insumos do setor de transporte de cargas, que, juntos, representam
cerca de 90% do custo final de uma operação do setor, são: veículo, mão de obra
e combustível. De acordo com um levantamento realizado pela Associação Nacional
do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), em 18 meses, os
valores desses fatores aumentaram em 42%, 12,5% e 104%, respectivamente.
Em evento
promovido pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e
Região (SETCESP), foi apresentada a pesquisa de mercado referente ao primeiro
semestre do ano. Diante desses aumentos, 73% dos transportadores reajustaram o
frete, 7% mantiveram e 20% ofereceram descontos. Além disso, 45% das empresas
de transporte de médio porte que responderam o estudo disseram que o cenário
foi melhor que em 2021; para 18% o cenário foi igual; e para 37% foi pior que o
ano passado.
Outra
questão abordada na entidade é a defasagem do frete que está, em média, em
13,8%. Para Adriano Depentor, presidente do conselho superior e de
administração do SETCESP, esse é um problema crônico do setor. “Na verdade,
isso não deveria acontecer, visto que é uma responsabilidade do empresário que
precisa valorizar o seu negócio. Observamos que, quando há um crescimento no
custo de qualquer insumo relacionado ao transporte, a indústria e o comércio
aumentam o seu preço, porém o transportador não consegue realizar este repasse
efetivamente. É uma inabilidade do empresário em repor essas tarifas”.
Em relação
ao futuro, 27% dos pesquisados acreditam que o frete vai melhorar e 41% acham
que pode piorar. Segundo Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística,
“o que devemos fazer é calcular os custos de modo correto e cobrar o que
precisa ser cobrado”.
Uma
alternativa para as empresas de transporte é o Painel do Diesel, criado pelo
Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), órgão parceiro do SETCESP,
que auxilia o transportador a mensurar o preço do diesel nos municípios do
estado de São Paulo e nas capitais de todo o país.
“Somente no
primeiro semestre de 2022, já realizamos mais de dois mil atendimentos para
empresas que vêm até o SETCESP buscar esses números. Ajudamos com todas as
informações necessárias para que o transportador possa buscar alternativas
frente ao mercado e equilibrar as operações”, afirma Raquel Serini, economista
do IPTC.
Fonte: Monitor do Mercado / Foto: Banco de
Imagens/Canva