Publicado em: 03/03/2022
A disparada na cotação do petróleo no mercado internacional após
a invasão da Rússia pela Ucrânia deve levar a um novo aumento do preço de
combustíveis no Brasil, elevando a pressão por reajuste.
De acordo com
cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a
defasagem entre o valor da gasolina e do diesel no país e o cobrado lá fora
chegou a 25%, o maior patamar já registrado.
Segundo Sergio
Araujo, presidente da Abicom, seria necessário um reajuste de R$ 1,11 no litro
do diesel e de R$ 0,87 na gasolina.
— Há uma
pressão altíssima com o cenário de guerra. O déficit será maior e haverá
pressão para elevar os preços dos combustíveis aqui — afirmou Araujo.
Queda do
dólar
Para Ilan
Arbetman, analista de petróleo e gás da Ativa Investimentos, a queda do dólar
em relação ao real, nestes primeiros meses do ano, ajudou a tirar um pouco da
pressão por aumento de preço dos combustíveis.
Na gestão do
atual presidente, Joaquim Silva e Luna, a empresa tem espaçado mais os
aumentos, tentando diferenciar fatores pontuais e conjunturais que afetam os
preços, para evitar uma alta muito forte. Mas será difícil dissociar o contexto
interno do externo nesse momento e evitar que os aumentos cheguem às bombas.
— Se o aumento
do Brent continuar, haverá pressão sobre a Petrobras por reajuste de preços. Os
projetos que visam reduzir tributos de forma a aliviar novos aumentos de
combustíveis estão parados no Congresso e, num ano eleitoral, a disposição dos
agentes políticos para promover mudanças desse tipo fica difusa — afirma o
especialista.
O presidente do
Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), reincluiu na pauta do plenário da Casa, da
próxima semana, os projetos que trazem mecanismos para amenizar a alta do custo
dos combustíveis para os consumidores. Em publicação em uma rede social,
Pacheco disse que “mais do que nunca” é preciso encontrar uma solução que
impeça a alta de preços.
Votação de
projetos de lei
“Na próxima
semana, os dois projetos de lei que trazem medidas para controlar a escalada
dos preços dos combustíveis estarão na pauta do Senado”, afirmou Pacheco, nesta
quarta-feira.
Apesar da
promessa, a deterioração no mercado de petróleo tem sido muito rápida. E as
propostas enfrentam um impasse na Casa, diante do receio de perda de receitas
por parte do governo federal e dos estados.
A equipe
econômica não apoia um dos projetos, que prevê a criação de um fundo de
estabilização, espécie de colchão para amortecer altas de preços, formado por
royalties e participações especiais.
Já os
estados articulam para segurar a votação de outro projeto, que unifica
alíquotas do ICMS, imposto estadual.
Fonte: O Globo
/ Foto: Milan Krasula / Getty