Publicado em: 27/02/2023
Deputados estaduais que integram a Frente Parlamentar sobre
o Pedágio, da Assembleia Legislativa do Paraná, protocolaram nesta sexta-feira
(23) no Ministério dos Transportes, um documento no qual propõem alterações na
modelagem da concessão de rodovias para que a licitação garanta o menor preço
da tarifa.
O ofício que é assinado pelos deputados Arilson Chiorato
(PT), coordenador da Frente Parlamentar, Luiz Claudio Romanelli (PSD), Evandro
Araújo (PSD) e Tercílio Turini (PSD) sustenta que as proposições atendem ao
interesse público, protegem os usuários, garantem a execução das obras e
asseguram a competitividade econômica do Paraná.
O documento de 14 páginas defende o fim do Aporte Financeiro
ou qualquer outro instrumento de iniba a concorrência. No entendimento dos
deputados paranaenses, estes mecanismos não encontram amparo técnico e nem
jurídico, e sua aplicação é uma decisão “eminentemente política”. A avaliação é
de que esta opção se assemelha a um tributo, e o valor pago será repassado para
as tarifas, pressionando os preços dos pedágios para cima.
O deputado Chiorato, explica que o documento foi elaborado
em razão da reunião ocorrida no Ministério dos Transportes em 09 de fevereiro.
Ele salienta que as proposições atendem aos anseios da sociedade paranaense e
defende que os pontos elencados devem ser considerados pelas autoridades
federais que farão a concessão das rodovias para o setor privado.
O parlamentar também ressalta um apontamento técnico do
Tribunal de Contas da União (TCU), que diz que o projeto atual desconsidera a
principal premissa do Programa PR Vias, que é ter “tarifas significativamente
menores” que as praticadas até 2021. “Estudo do TCU indica que a tarifa média
com o projeto atual pode ficar 13% maior do que a da antiga concessão”, pontua.
“A concessão encerrada em 2021 ainda assombra o Paraná. A
sociedade paranaense formou um consenso de que o pedágio precisa ser o mais
baixo possível. Este documento oferece soluções plenamente viáveis do ponto de
vista técnico para reduzir o valor das tarifas e garantir a execução das obras.
São soluções que abrem a possibilidade de lances mais agressivos de deságio no
momento do leilão”, afirma o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD).
Câmbio e
tributos
Ainda em relação à formação do preço do pedágio, a Frente
Parlamentar sugere a eliminação da taxa de proteção cambial (Hedge) dos
contratos, entendendo que isso atende apenas o interesse das concessionárias.
Para os deputados, os casos de desvalorização ou de valorização cambial devem
ser tratados no capítulo de reequilíbrio econômico e financeiro do contrato.
Outra proposta é a adequação da carga tributária incidente
sobre as concessões, conforme proposta em tramitação no Congresso Nacional. A
ideia é utilizar uma equação semelhante à do programa Minha Casa Minha Vida,
cuja soma de tributos federais não ultrapassa 4% do faturamento. Em relação ao
ISS, que é um imposto municipal, a sugestão é estabelecer o teto da alíquota em
2%.
O documento elaborado com assessoria técnica do Instituto
Tecnológico de Transportes e Infraestrutura da Universidade Federal do Paraná
(ITTI/UFPR) sustenta que a nova tributação federal não compromete as receitas
da União e contribui para diminuir a tarifa. “Se aliada à redução do ISS, que
hoje tem alíquota de 5%, o resultado final na tarifa poderia ser a redução
entre 15% e 20%”, informa o texto.
O ofício enviado ao Ministério dos Transportes, com cópia ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui
Costa, também enfatiza a preocupação com o degrau tarifário de 40% após as
duplicações. O documento sustenta a “inexistência de dados técnicos que
possibilitem aferir a pertinência técnica do degrau tarifário”.
Garantias
Os 15 pontos destacados no documento incluem ainda a questão
das garantias para a execução das obras. Citando aspectos da Lei Geral de
Concessões e da Lei Geral de Licitações, os deputados consideram as
alternativas atuais frágeis e sugerem a criação de “Depósitos Financeiros de
Caução, constituídos em valores fortes, em dinheiro ou em títulos do Governo
Federal e representativos na dimensão da concessão”, cujos valores podem ser
paulatinamente liberados, conforme finalização dos projetos.
“É importante registrar que os valores das garantias, por
serem devolvidos aos que cumprem os contratos, não se constituem em acréscimo
de investimentos (CAPEX) e, assim, não impactam no aumento nas tarifas,
inversamente do que aconteceria se adotado o modelo proposto com a Conta de
Aporte”, diz o texto enviado para o governo federal pela Frente Parlamentar
sobre o Pedágio.
Temas
relacionados
Outras questões abordadas foram a regularização do
licenciamento ambiental, de forma a não atrasar ainda mais a realização de
obras; a interface com os municípios cortados por rodovias, garantindo que os
projetos rodoviários da concessão estejam em consonância com a legislação
local, como o Plano Diretor municipal; a criação de um Conselho de Gestão e
comitês locais para acompanhamento da concessão e para o fortalecimento do
controle social do programa de investimentos.
O ofício também cobra a resolução de diversas pendências
apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em relação ao projeto antes da
publicação do edital de concorrência; o reforço da transparência, com a
divulgação frequente de dados sobre as atividades operacionais, técnicas,
econômico-financeiras e outras relacionadas às concessões, incluindo as
cláusulas contratuais.
Por fim, os integrantes da Frente Parlamentar alertam de que
até o momento não houve a formalização do convênio para a transferências de
trechos de rodovias estaduais para a União, e que isso pode atrasar ainda mais
o programa de concessão. O documento informa que a Assembleia Legislativa já
deu autorização para o repasse das estradas ao aprovar a lei estadual 20.668,
em 2021.
Fonte: Bem Paraná / Foto: Leonardo Sguarezi/AEN