Publicado em: 31/01/2022
Na segunda semana de janeiro, uma
equipe da FAEP pegou a estrada, percorrendo junto com uma comitiva formada por
técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da
Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), as regiões mais afetadas pela seca
no Paraná. Pelo terceiro ano consecutivo choveu abaixo do esperado no Estado,
colocando a agricultura de joelhos.
O final de 2019 já traçava um
cenário de seca, que perdurou por 2020, causando prejuízos principalmente no
milho segunda safra. Agora fecha 2021 e começa 2022 com uma verdadeira
catástrofe no campo, com perdas de produtividade na casa dos 75% em algumas
regiões, caso da soja, principal cultura agrícola do Estado.
O roteiro começou por Guarapuava,
na região Centro-Sul, passou por Pitanga, Campo Mourão (Centro- Oeste), Maringá
(Noroeste), Umuarama, Palotina (Oeste), Toledo, Medianeira, Cascavel, Pato
Branco (Sudoeste) e Prudentópolis, finalizando a viagem na região onde começou.
Em cada encontro, lideranças
rurais, empresas, cooperativas da região e produtores em geral traçavam um
panorama da destruição causada pela seca. Em praticamente todos os encontros,
técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab)
trouxeram dados das quebras registradas. Conforme a colheita avançou essas
perdas só aumentaram, confirmando esta como uma das piores temporadas da
história da agricultura paranaense.
“Em cada reunião, procuramos
ouvir quais as atividades mais impactadas em cada região. A partir daí, a FAEP,
em conjunto com a Ocepar, Fetaep e o governo do Estado, elaborou um documento
que foi encaminhado à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, com os pedidos
do Paraná”, afirmou o coordenador do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do
Sistema FAEP/SENAR-PR, Jefrey Albers, que esteve na comitiva.
“As perdas são generalizadas. De
modo geral, o próximo ano será de muita dificuldade, principalmente para
aqueles produtores que não contrataram seguro rural e acabarão sofrendo de modo
mais direto o impacto dessa quebra de safra”, avaliou Albers.

QUEBRA BILIONÁRIA
De acordo com o Departamento de
Economia Rural (Deral) da Seab, a previsão inicial para a safra de soja 2021/22
era superior a 21 milhões de toneladas, mas só serão colhidas 12,8 mi de ton. A
quebra de 39% ainda deve aumentar conforme a colheita avança. No feijão, essa
perda foi da ordem de 31%, e no milho, insumo central para o desenvolvimento
das cadeias de produção animal, o percentual de perdas atinge 36%.
A quebra na ponta da lavoura
desencadeia um efeito dominó que impacta outras atividades que dependem do
setor primário para produzir, como a produção de proteína animal (aves,
bovinos, suínos, peixes, ovos e leite). Os pecuaristas vão encontrar
desabastecimento e preços altos na hora de alimentar os planteis e a agroindústria
terá menos matéria prima para processar.
A experiência mostra que quando o
campo vai bem, todo restante da economia segue aquecida. De outro lado, quando
o campo tem problemas, esses efeitos são irradiados para outros setores. No
varejo, a renda que deixou de ser colhida vai fazer falta. De acordo com o
Deral, as perdas computadas na soja representam mais de R$ 23 bilhões, as do
milho somam R$ 2,2 bilhões e no feijão, os prejuízos ultrapassam R$ 395
milhões. Todo esse montante deixará de circular na economia paranaense,
afetando praticamente todos os segmentos.
ESTIAGEM
Poucas chuvas, temperaturas
elevadas e um solo que já vinha com baixa umidade por conta de uma longa
temporada com precipitações abaixo da média. Estes foram os componentes da catástrofe
colhida em praticamente todas as regiões do Paraná. Em todos os locais
visitados pela FAEP era comum relatos de produtores que nunca haviam passado
por uma seca tão severa em suas vidas.
A estiagem que assola o Paraná
não é de agora. Começou em 2018 e foi se agravando ao longo do tempo. Nos
últimos três anos, houve chuvas abaixo da média histórica em quase todos os
meses do ano, contribuindo para que a atual safra de verão fosse a campo em um
solo com menor umidade, logo com menor capacidade de suportar períodos de
estiagem.
De acordo com o
agrometeorologista Marshall Santos, neste verão ainda estamos sob o efeito do
fenômeno climático La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano
Pacífico, trazendo estiagem para região Sul do País. As projeções atuais
indicam um período de neutralidade climática em breve.
Ainda segundo o
agrometeorologista, as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)
dão conta que em março os níveis de chuva ainda devem ficar abaixo da média
histórica em boa parte do Paraná e abril também deve ser mais seco. Essas
informações servem de alerta para a cultura do milho safrinha, principalmente
nas regiões Oeste, Noroeste e Sudoeste do Estado.
Fonte: Correio do Cidadão