Publicado em: 29/04/2022
Os reflexos do
comércio internacional nos preços de combustíveis, como diesel e gasolina, e de
adubos, fertilizantes e herbicidas foram as principais pressões para a alta de
preços para a indústria em março, medida pelo Índice de Preços ao Produtor
(IPP). Segundo o gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) e responsável pelo índice, Manuel Campos, esses foram os produtos com
maior peso na alta dentro das atividades de refino de petróleo e
biocombustíveis e de outros produtos químicos.
“O comércio
internacional foi um dos principais responsáveis pelos preços dos produtos
industriais no ano, como, por exemplo, óleo bruto de petróleo e fertilizantes,
os quais afetam de forma quase direta os setores de refino e químico”, afirma.
O IPP, que mede
a chamada inflação da porta de fábrica, sem impostos e fretes, ficou em 3,13%
em março, a maior taxa desde março de 2021, quando foi de 4,63%, a segunda
maior da série histórica, iniciada em janeiro de 2014.
Embora destaque
que os informantes da pesquisa não citem a guerra na Ucrânia na pesquisa,
apenas o aumento do custo, Manuel Campos admite o contexto internacional como
principal razão para o movimento de preços industriais em março.
No caso de
refino de petróleo e biocombustíveis, a alta foi de 10,84% em março. Desse
total, 10,29 pontos percentuais vieram de apenas quatro produtos: óleo diesel,
gasolina, óleos combustíveis (exceto diesel) e gás liquefeito de petróleo
(GLP).
“Em 12 meses, a
alta de refino é de 41,97%. É um valor que, apesar de elevado, fica distante do
recorde 106,57% de maio de 2021”, diz ele, lembrando o momento de aceleração
dos preços de refino na passagem entre o fim de 2020 e o início de 2021, que
também provocou alta expressiva dos bens industriais.
Naquele
momento, começava a aumentar a demanda por petróleo, após o fim do período de
isolamento social mais intenso por causa da pandemia, enquanto a Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) restringia a oferta, provocando uma
pressão dupla nos preços da commodity.
Já a atividade
de outros produtos químicos teve alta de 5,75% nos preços em março, o maior
valor desde outubro de 2021 (6,42%). Da variação de 5,75%, 5,31 pontos
percentuais vieram de adubos ou fertilizantes à base de NPK, herbicidas para
uso na agricultura, adubos ou fertilizantes minerais ou químicos, fosfatados e
adubo/fertilizante mineral/químico com nitrogênio e potássio.
“Desses 5,75%,
mais de 90% desse valor refere-se a adubos, fertilizantes e herbicidas. O setor
de outros químicos inclui também tintas, tecidos, no entanto, a variação de
preços concentrou nesses produtos de adubos, fertilizantes e herbicidas”,
ressalta o gerente do IPP.
Fonte: Valor
Econômico / Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil