Publicado em: 31/03/2023
Dados da
Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que,
desde fevereiro do ano passado, o preço do diesel variou mais de 8%, o que
equivale a um aumento de 50 centavos no S10 e 47 centavos no S500 (comum),
combustíveis usados em caminhões e essenciais para o transporte rodoviário
brasileiro.
Embora
pareça um valor insignificante, faz muita diferença no bolso do consumidor e,
com o grande uso do diesel nas empresas – que corresponde de 35% a 50% do custo
de uma transportadora – essa alteração afeta diretamente o preço final. A
coordenadora do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), Raquel
Serini, esclarece que essa alteração acontece nas refinarias, mas não
necessariamente nos postos de abastecimento.
“Apesar das
reduções recentes nas refinarias, com a justificativa de buscar um equilíbrio
dos preços da Petrobras em relação aos mercados nacional e internacional, na
bomba a percepção é diferente, uma vez que as distribuidoras não repassam as
quedas na mesma proporção que os aumentos na bomba”, explica a coordenadora.
Além disso,
o retorno dos impostos federais (PIS/COFINS), anunciado pelo Ministério da
Fazenda, prediz aumentos no mercado de combustíveis nos próximos meses. Ainda
que a elevação do valor seja esperada, o óleo diesel continua sem incidência
tributária até o final do ano, devido a medida provisória que o considera
fundamental para o transporte da produção movimentada no país.
Raquel
destaca a Guerra da Ucrânia como outro coeficiente de impacto e a breve
expiração das reduções: “Essas quedas apresentadas recentemente não devem se
sustentar por muito tempo. Também não podemos esquecer que a Guerra na Ucrânia
impacta a transmissão de energia na Europa, interferindo de modo direto no
mercado de combustíveis global”.
A
instabilidade no preço dos combustíveis tem impacto nas transportadoras quando
urge o remanejamento contínuo dos planejamentos e sua posição no mercado, o
que, consequentemente, afeta a economia do país. Só em 2022, houve oito
reajustes no preço do combustível – sendo quatro reduções e quatro aumentos – e
Raquel explica que essa medida elevou os custos do transportes de cargas
lotação em 10,63% na média geral, sacrificando mais as operações de longas
distâncias.
“Mesmo com
as recentes reduções aplicadas no início de 2023, não conseguimos equilibrar as
contas e repassar aos tomadores de serviço na mesma velocidade a fim de
estabelecer o equilíbrio dos negócios”, finaliza Serini.
Fonte: Blog do Caminhoneiro/ Foto: Blog do
Caminhoneiro