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Dólar em alta elimina efeito de subsídio, e preço do diesel deve subir em setembro
Com a alta recente do dólar, o subsídio de R$ 0,30 no preço
do óleo diesel dado pelo governo para conter a greve dos caminhoneiros já não é
suficiente para conter o aumento de preços desse combustível para os
consumidores – que vão sentir o impacto no bolso a partir do mês que vem,
quando o preço de comercialização da fórmula for atualizado.Levantamento feito por Adriano Pires, diretor do Centro
Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), mostra que o preço do diesel já supera o
do subsídio em todas as regiões do país. Segundo Pires, seria necessário R$
0,43 para equilibrar os preços já que o subsídio é de R$ 0,30 por litro. O
estudo considera a Ptax (taxa de referência para o câmbio calculada pelo Banco
Central) em R$ 4 – ela estava ontem em R$ 4,0727.“A conclusão é que com o câmbio a R$ 4 o subsídio que o
governo se predispôs a dar não será suficiente para cobrir aumentos de preço.
Com isso, o preço do diesel para o consumidor vai aumentar. Hoje existe R$ 0,13
não cobertos [pelo subsídio]. O valor que passar dos R$ 0,30 de subsídio terá
que ser pago pelo consumidor”, diz Pires.Isso acontece porque o Preço de Comercialização (PC)
estabelecido na fórmula será calculado mensalmente até 31 de dezembro, enquanto
o Preço de Referência (PR), que tem como base o mercado internacional, varia
diariamente. Contudo a revisão é mensal com base nos valores do mês anterior.
Assim, a diferença entre o PC e o PR que será calculada no mês que vem vai
levar em consideração as diferenças de agosto e por isso o preço deve aumentar.Teoricamente a Petrobras e o importador demoram 30 dias para
receber o subsídio, mas na prática o prazo é bem maior devido a dificuldades
admitidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) de verificar a veracidade das
notas fiscais apresentadas pelas empresas.Com o câmbio superando os R$ 4, o subsídio que o governo se
predispôs a dar não será suficiente para cobrir aumentos de preço do diesel e
com isso o consumidor vai ter que pagar o aumento até o próximo mês, quando o
governo vai corrigir o preço. Se o PR for maior que o preço ao consumidor, o
governo vai fazer o ressarcimento.Como o subsídio é de R$ 0,30, a diferença será paga pelo
consumidor até que o preço da fórmula seja corrigido. Contudo, é preciso
lembrar que o teto da subvenção já reservado pelo Tesouro é de R$ 9,5 bilhões.
O que ultrapassar esse valor será pago pelo consumidor até a revisão.O CBIE calcula que, se o dólar continuar a escalada,
chegando a R$ 4,50 por exemplo, seria necessário R$ 0,6162 de subsídio para
cada litro comercializado. No início de agosto, a diferença foi positiva para o
Tesouro, que economizou com a subvenção por causa da queda do preço do diesel
no mercado internacional em junho e julho devido ao verão no hemisfério Norte,
que faz aumentar o preço da gasolina e reduz o do diesel que é mais usado para
aquecimento.
Fonte: Valor Econômico