Publicado em: 10/07/2023
Aprovada na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) da reforma tributária foi bem recebida por empresários e
economistas. Na visão deles, a mudança representa uma vitória para o País, que
passará a ter um sistema tributário moderno e mais próximo das economias
desenvolvidas.
“As empresas gastavam um tempo precioso apenas para seguir
corretamente os regulamentos para pagar os tributos existentes hoje. Além de
oneroso, gerava insegurança jurídica”, destaca o presidente do conselho de
administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. De forma geral, os
executivos e economistas avaliam que a reforma, reivindicada há décadas por
eles, deve contribuir para melhorar a produtividade e o crescimento de longo
prazo da economia brasileira.
“Do lado da produção, será um divisor de águas, viabilizando
o desenvolvimento de projetos de agregação de valor em nosso País. E, se bem
implementada, reduzirá substancialmente o diferencial de custo do Brasil”,
afirma o presidente do conselho de administração da Iochpe-Maxion S/A, Dan
Ioschpe, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial
(IEDI).
Para ser implementado, o texto da reforma ainda precisa ser
aprovado pelo Senado em dois turnos. Veja abaixo a avaliação de empresários e
economistas.
Luiz
Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco
“A aprovação da reforma tributária na Câmara dos Deputados é
uma boa notícia para todos os brasileiros. Ela representa a perspectiva de que
podemos superar o grande desafio do crescimento de longo prazo, sustentável e
robusto.
O sistema tributário brasileiro, considerado um dos mais
complexos do mundo, ganha frescor e modernidade. O modelo aprovado foi
amplamente debatido nos últimos quatro anos. Ele simplifica e desburocratiza
para quem contribui, ao mesmo tempo que mantém a carga tributária. O sistema perde
complexidade e ganha em eficiência e transparência.
Esta é a realidade: as empresas gastavam um tempo precioso
apenas para seguir corretamente os regulamentos para pagar os tributos
existentes hoje. Além de oneroso, gerava insegurança jurídica.
O próximo passo é consolidar uma melhora sistemática do
ambiente de negócios no Brasil. Paradoxalmente, esse é um tema muito discutido,
mas ao mesmo tempo bastante negligenciado na prática. O Brasil precisa que o
tema, alinhado a um programa objetivo de aumento da competitividade e
produtividade, seja o centro das atenções do Executivo e do Legislativo. Senso
de urgência seria a palavra de ordem.”
Milton
Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco
“As medidas indicam uma reforma técnica e que ataca um ponto
central para o País, que é a simplificação tributária. Pelo que vimos até aqui,
os benefícios da reforma estão concentrados em médio e longo prazos,
considerando o tempo de implementação e os impactos das medidas.
Este olhar de futuro é fundamental, pois fortalece um compromisso
de simplificação e eficiência longevo e contínuo. Uma agenda de curto prazo,
voltada exclusivamente para arrecadação e geração de receita, com aumento de
impostos, teria o efeito contrário, resultando em perda de competitividade e
redução de investimentos em um País cuja carga tributária já é bastante
relevante.”
Roberto
Sallouti, CEO do BTG Pactual
“O momento nunca esteve tão propício como agora para
avançarmos em reformas estruturantes, tão importantes para reduzir o custo de
crédito no País e nos posicionarmos de forma mais competitiva no cenário
internacional. Hoje temos uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo,
com um sistema bastante complexo.
É preciso avançar nessa simplificação e ampliar a eficiência
dos gastos públicos, pontos fundamentais para o aumento da produtividade da
economia e para tornar o ambiente de negócios ainda mais favorável.”
Dan
Ioschpe, presidente do conselho de administração da Iochpe-Maxion S/A e
presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI)
“A reforma tributária proposta pelo Congresso e apoiada pelo
Governo, que altera os tributos incidentes sobre o consumo de bens e serviços,
é o principal fator para a aceleração do desenvolvimento socioeconômico do
nosso País.
Será determinante para o avanço do PIB e para a melhoria da
renda, em especial das pessoas de menor poder aquisitivo.
Do lado da produção, será um divisor de águas, viabilizando
o desenvolvimento de projetos de agregação de valor em nosso País. E, se bem
implementada, reduzirá substancialmente o diferencial de custo do Brasil.”
Fabio
Barbosa, CEO da Natura&Co
“Importante passo para simplificar o cipoal que é o sistema
atual. Ajustes serão necessários, claro, mas a regulamentação bem como os
mecanismos de compensação estará aí para isso.”
Pedro
Passos, cofundador da Natura
“A aprovação da reforma na Câmara representa um grande marco
depois de décadas de debates e construção do texto hoje em discussão. Em linhas
gerais, o relatório apresentado é positivo e incorpora os aspectos fundamentais
para uma boa reforma da tributação do consumo, como a simplificação,
transparência e Justiça social.
É preciso ficar atento à quantidade de exceções e regimes
especiais que estão listados na PEC. Quanto mais exceções, mais nos
distanciamos dos modelos de IVAs modernos e mais complexo e injusto fica o
sistema tributário – tanto para as empresas quanto para os brasileiros.
A aprovação do projeto é importante para o Brasil. Deverá
abrir uma nova etapa para o avanço da produtividade da nossa economia e a
retomada de um novo ciclo de crescimento.”
Horácio
Lafer Piva, ex-presidente da Fiesp e acionista da Klabin
“Estou nisto faz 25 anos. Uma saga espantosa, já que (a
reforma) sempre foi impedida por grupos de interesse, quando sua
transversalidade era tão clara e necessária. Fundamental, destravará gargalos
importantes, eliminará distorções, e sinalizará avanços em simplificação e
eficácia, gerando expectativas melhores e mais negócios, produtividade e
arrecadação maior e mais racional.
Ainda teremos algumas incertezas no futuro próximo, mas a
calibragem levará à neutralidade e equidade, numa transição gradual com
resultados mais que positivos para o País.”
Sergio
Zimerman, presidente da Petz
“O texto da forma como está não deixa claro como vai ampliar
a base de contribuintes e o que é mais grave pode aumentar de forma brutal a
sonegação de impostos se não houver de forma expressa a obrigatoriedade dos
produtos que hoje são monofásicos na tributação continuarem da mesma forma.
É muito mais seguro controlar poucas indústrias do que
milhares de varejos. A substituição tributária foi o instrumento mais eficaz no
combate à sonegação de todos os tempos.”
Rafael
Furlanetti, sócio e diretor Institucional da XP
“Essa não é uma reforma do partido A ou B, do governo A ou
B, é uma reforma para destravar o crescimento do País. O pagamento de tributos
é um dos maiores entraves para se fazer negócios no Brasil e o Congresso
corajosamente assumiu a missão de enfrentar esse debate. O Brasil precisa de
uma reforma tributária que simplifique o pagamento de impostos e gere mais
transparência na distribuição dos recursos públicos.”
Fernando
Yunes, presidente do Mercado Livre no Brasil
“Defendemos a reforma tributária e entendemos sua
importância para a simplificação e modernização do sistema tributário
brasileiro, reduzindo a burocracia para empresas, incluindo os marketplaces,
que são uma alavanca de crescimento para o varejo.
No entanto, avaliamos que sua aplicação requer planejamento
e implementação de forma gradual e transparente. Acreditamos que um sistema
simplificado, transparente e uniforme, em todo País, contribuirá com o
desenvolvimento da economia e com um ambiente ainda mais seguro para a
realização de investimentos e negócios diversos.
Neste sentido, defendemos a não cumulatividade plena,
garantindo que o imposto incida sobre o valor efetivamente adicionado em cada
etapa da cadeia, fator que, se não observado, acarretará em preços distorcidos
para o consumidor final. No setor de comércio eletrônico, por exemplo, onde as
plataformas já compartilham informações e cooperam com a fiscalização, entende
que deve ser mantido isso.
De fato, atribuir responsabilidade solidária é trazer
complexidade ao setor, que é responsável pela formalização de centenas de
empreendedores e pelo acesso a mercado de milhares de micro e pequenas
empresas. O texto da PEC deve, então, assegurar contornos suficientemente
claros para que uma lei complementar mantenha os pilares que sustentam a
reforma em discussão.”
Flávio
Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG)
“A reforma tributária representa avanço. Contudo, para
contribuir para o desenvolvimento do País garantindo a simplificação e a
redução da carga tributária para a indústria, que hoje é bastante onerada.
Ainda serão necessários ajustes de forma a assegurar um ambiente de negócios
mais favorável. Dentre eles a desoneração da folha e dos investimentos
produtivos por meio da redução do Imposto de Renda das pessoas jurídicas.
Para o setor produtivo, a desoneração da folha é um pleito antigo e de suma importância, assim como a reforma administrativa. Temos de reduzir o tamanho do Estado, torná-lo mais eficiente, produtivo, que atenda a população nos seus anseios e nas suas necessidades. Com a aprovação da administrativa, teremos uma reforma tributária mais efetiva.”
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Fonte: Bem Paraná / Foto: Divulgação/Canva