Publicado em: 14/07/2022
O PELT 2035
(Plano Estadual de Logística em Transporte) passará por uma nova atualização. A
última versão, de 2016, elencou as obras prioritárias para a eliminação de
gargalos na área de infraestrutura e passados seis anos, alguns projetos
avançaram e outros devem ser incluídos. O trabalho de revisão do plano tem a
coordenação técnica do Conselho Temático de Infraestrutura da Fiep (Federação
das Indústrias do Paraná) e acontece ao longo de todo o mês de julho, em oito
reuniões regionais, com a participação de diversas entidades da sociedade civil
e setor produtivo.
A primeira das
reuniões será realizada em Londrina, na próxima sexta-feira (15). Em seguida,
as rodadas de discussões seguem por Maringá (19), Cascavel (20), Francisco
Beltrão (21), Pato Branco (22), Guarapuava (27), Ponta Grossa (28) e se
encerram no final do mês, em Curitiba (29). Os eventos serão abertos a
lideranças empresariais e técnicos indicados pelas entidades participantes,
encarregadas de revisar todas as obras incluídas no PELT.
Na versão de
2016, o documento listava 97 obras e ações de todos os modais para o fomento da
infraestrutura do Estado que precisariam sair do papel até 2035. São projetos
pensados para melhorar a eficiência do setor, reduzindo custos e aumentando a
competitividade. Desse total, 48 eram referentes a rodovias, 17 ligadas a
portos, 16 a aeroportos, oito a ferrovias e oito a outros modais, como
dutovias, hidrovias e infovias. Seis anos depois, 24% foram concluídas, cerca
de 55% estão em andamento ou em fase de planejamento e o restante, em torno de
21%, não foi iniciado.
Entre as
entidades que atuaram na elaboração do PELT e agora farão as atualizações estão
o Movimento Pró-Paraná, o IEP (Instituto de Engenharia do Paraná) e o Crea-PR
(Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), além do G7, grupo que
reúne as principais entidades do setor produtivo paranaense, como a Fiep, Faep
(Federação da Agricultura do Paraná), FecomércioPR (Federação do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo do Paraná), Sistema Ocepar, Fetranspar (Federação das
Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná), Faciap (Federação das
Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná) e ACP (Associação
Comercial do Paraná).
O Crea-PR
representa mais de 90 entidades de classe e mobiliza todas elas para que deem
sua contribuição nas discussões a partir do que vivenciam em suas regiões e de
seus conhecimentos nas necessidades locais de infraestrutura e que estabeleçam
uma hierarquia entre essas necessidades. “Já temos um posicionamento a respeito
disso na nossa agenda parlamentar, na qual há uma série de documentos com
posicionamentos em infraestrutura. A gente já oferece esse material como
subsídio”, disse o presidente do Crea-PR, Ricardo Rocha de Oliveira.
As sugestões,
ressaltou ele, são feitas a partir de uma visão técnica sem nenhum viés
partidário, mas em ano eleitoral o PELT é apresentado aos candidatos no sentido
de obter um compromisso de campanha para garantir os investimentos e a
execução desses projetos. “A busca é por um desenvolvimento sustentável para
todo o Estado, do ponto de vista social, econômico e ambiental. O Paraná é o
supermercado do mundo, com esses projetos, queremos agregar valor e
produtividade para que possamos ampliar o desenvolvimento do Estado”, reforçou
Oliveira.
Assessor de
Assuntos Estratégicos da Fiep, João Arthur Mohr destacou o modal aeroviário
como o que mais avançou entre todos os projetos previstos na versão atual do
PELT. Das 16 obras listadas, 90% estão prontas. Dentre elas, o programa de
aviação regional que possibilitou operações em aeroportos menores, como
Arapongas, Apucarana e Cornélio Procópio, na Região Norte do
Estado.
As obras de
ampliação da pista e a mudança no terminal de passageiros do Aeroporto
Governador José Richa, em Londrina, também estavam previstas no PELT e será
executada pela concessionária CCR, que assumiu a administração do
aeroporto. “A partir de sexta-feira, a gente vai revisitar essas obras,
ver as que ainda não estão entregues, mas estão em andamento ou em fase de
planejamento, acompanhar essas obras, e colocar outras obras no PELT e
priorizar as mais necessárias”, disse Mohr.
Entre as obras
que não evoluíram, estão o Trem Pé Vermelho, pensado para melhorar a mobilidade
urbana entre as cidades da Região Metropolitana de Londrina. A hidrovia
Paraná-Tietê, que pretendia levar barcaças até Guaíra foi outro projeto que não
avançou, assim como a construção de um terminal de passageiros no Porto de
Paranaguá como forma de fomentar o turismo no Estado. “Algumas coisas vão
ser reformuladas, mas o item mobilidade urbana vai ser colocado no PELT porque
essa é uma discussão necessária pela questão da qualidade de vida das pessoas.
A ideia é provocar nos governos essa visão de que uma cidade não pode fazer
esse plano sozinha, tem que fazer junto com as outras cidades do entorno, no
sentido de planejar a mobilidade”, disse Mohr. “Esse planejamento não vai sair
na sexta-feira. O principal papel do PELT é atuar para que os governos estejam
juntos. É um plano construído a várias mãos e que possa vencer a troca de
governos. Quando se faz essa construção coletiva, com a participação da
sociedade, não se joga gora o trabalho anterior.”
Fonte: Folha de
Londrina / Foto: Gustavo Carneiro