Publicado em: 29/03/2022
Depois dos
recentes aumentos no preço dos combustíveis, o óleo diesel está respondendo por
70% do valor do frete, garantem os tanqueiros, como são chamados os
transportadores de combustíveis.
“Hoje, empresas
estão falindo e bancos estão tomando caminhões porque transportadores não estão
conseguindo mais se sustentar ou pagar a prestação dos veículos. Além disso,
contratos estão sendo quebrados pelos tomadores de serviços, que também não
estão aguentando pagar. Em meio a isso tudo, o diesel, insumo mais oneroso para
os transportadores, já ultrapassou 70% do valor do frete”, reclama o presidente
do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivados do
Petróleo de Minas Gerais (Sindtanque-MG), Irani Gomes.
“De quem é essa
conta, quem estaria ganhando com toda essa situação que tem prejudicado não só
aos transportadores, mas também a todos os consumidores brasileiros? O
transportador não é culpado pelos aumentos dos combustíveis. Também somos
vítimas desses reajustes e não estamos conseguindo arcar com os altos custos do
diesel que consumimos”, completa.
O dirigente
insiste na ajuda dos governos, já que, segundo ele, cada caminhão rodando nas
estradas é como se fosse uma empresa, devido ao grande volume de impostos,
taxas e insumos que paga. “Não dá para continuar morrendo abraçado, enquanto o
governo arrecada cada vez mais e a Petrobras lucra uma fortuna. Com a alta dos
preços dos combustíveis, o governo estadual multiplicou a arrecadação”, aponta
o sindicalista.
Se não houver
nenhuma manifestação do governo, ameaça Gomes, os tanqueiros vão cruzar os
braços. “Esta conta do País não é nossa, por isso, convocamos os tanqueiros,
transportadores das demais modalidades e a população para irmos às ruas
protestar. Os governos precisam diminuir os impostos e a Petrobras tem que
reduzir seu lucro, para que os preços dos combustíveis baixem urgentemente”,
conclama o presidente do Sindtanque-MG.
Segundo o
presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do
Estado de Minas Gerais (Setcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato, o setor de
transporte no País é muito diversificado, o que faz variar o peso do
combustível no custo final do frete. “A média nacional no setor é de 35% a 40%;
Em Minas, a infraestrutura deixa a desejar e, por esse motivo, o custo
operacional aumenta”, observa.
Para ele, o governo já fez o que
tinha que fazer, ao padronizar as alíquotas do ICMS – projeto aprovado que
aguarda definição do Confaz – e zerar o PIS/Cofins. “O problema agora é que
falta combustível. Como tem que importar, quem paga mais, leva. Mas frete é
planilha; a gente não põe preço no que compra, mas coloca no que vende, como é
o caso do frete. Então tem que repassar o custo, porque não tem como bancar o
embarcador”, conclui Lobato.

Repasses
O diretor de
Operações da Fretebras, plataforma on-line de transações entre
transportadoras e caminhoneiros, Bruno Hacad, acredita que, com a mega alta do
diesel este mês, será inevitável um ajuste nas próximas semanas.
“O que nós
pudemos verificar é que, apesar das altas no combustível, ainda não vimos um
repasse efetivo das transportadoras para os caminhoneiros autônomos. Como não
temos acesso às negociações das transportadoras com os embarcadores, isto é,
donos das cargas, não sabemos se este aumento de custo está sendo repassado. O
que temos visto é uma pressão por controle de custos, então acreditamos que
este repasse para os embarcadores, se houver, não será na mesma proporção da
alta do diesel, que foi de mais de 40%”, afirma.
Hacad sustenta
que o combustível representa de 40% a 60% do custo do transporte, dependendo de
fatores como idade da frota, rotas transitadas, peso da carga, entre outros.
“Em alguns casos sim, supera os 70%, mas o que nós vemos com mais frequência é
que fique em torno de 50%”, diz.
Somados ao
combustível, os custos de mão de obra e gastos com o veículo representam 90%
dos custos operacionais e entre 60% e 80% do faturamento de uma transportadora,
segundo a Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística
(NTC&Logística).
Fonte: Diário
do Comércio / Foto: Divulgação