Publicado em: 06/07/2022

Trabalho realizado pelo Fundação Dom Cabral (FDC), que analisou os acidentes de trânsito registrados em rodovias federais pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre 2018 e 2021, colocou o Rio Grande do Sul no primeiro lugar do ranking quanto à taxa de severidade desses incidentes verificados no ano passado. A pesquisa, feita por meio da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (PILT), não leva em consideração apenas o número absoluto das ocorrências, mas também o volume de tráfego nas estradas avaliadas e a gravidade desses acontecimentos. Tragédia recente ocorreu nesta semana, na BR-386, com a morte de sete pessoas

Conforme o levantamento, em 2021 o Estado contabilizou 4.255 acidentes em vias com mais de 1 mil veículos de Volume Médio Diário Anual (VMDA) fiscalizadas pela PRF. Isso representa 7% do total contabilizado no Brasil no período, mas quanto à taxa de severidade o percentual é de 9,3% (o maior apurado no País). A título de comparação, o Paraná, que tem o segundo maior percentual de severidade, 8,3%, chegou a ter mais acidentes: 7.099. O indicador reflete a desproporção do número de ocorrências graves e volumes de tráfego apresentados nas estradas.

“Por que o Rio Grande do Sul apresentou essas taxas? Porque tem uma enorme dependência das BRs 101 e 116, há uma correlação direta entre as rodovias mais perigosas com os estados que elas atravessam, não é uma coincidência”, argumenta o professor da FDC e pesquisador responsável pelo estudo, Paulo Resende. Ele lembra que os cinco estados nas primeiras posições do ranking são cruzados por essas estradas (Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro).

As rodovias BR 101 e BR 116 ocupam as duas primeiras posições no País em número de acidentes (no ano passado foram 11.167 e 9.691, respectivamente) como na severidade desses incidentes. Ainda foi constatada uma concentração de acidentes com maiores taxas de severidade em áreas de influência urbana, onde tráfegos de longa distância entram em conflito com movimentos urbanos (algo que pode ser percebido, por exemplo, no trecho da BR-116 que passa pelo município de Canoas). “É quando a pessoa sai de casa para ir no supermercado e precisa entrar em uma rodovia federal”, explica Resende.

Também de acordo com a pesquisa, a periculosidade nas rodovias federais sob gestão pública é maior do que em estradas concedidas. Entre 2018 e 2021, com base no registro de 264.196 acidentes feito pela PRF, 56,6% desse total aconteceu em vias administradas pelo governo e 43,4% em estradas que eram de responsabilidade da iniciativa privada. No entanto, como há diferença dos tamanhos das malhas, o estudo da Fundação Dom Cabral estima que o risco de acidentes é cerca de quatro vezes maior nas rodovias sob gestão pública do que nas concedidas. Resende comenta que isso se explica pela diferença dos investimentos realizados e demonstra a necessidade de se pensar em meios para financiar a infraestrutura no Brasil.

Números dos cinco estados com maior taxa de severidade em acidentes em 2021:

Estado/Acidentes em vias c/ VMDA> 1.000 veículos/Taxa de severidade
Rio Grande do Sul/4.255/9.3%
Paraná/7.099/8,3%
Minas Gerais/8.197/7,3%
Santa Catarina/7.848/6,1%
Rio de Janeiro/4.429/6,0%


Fonte: Jornal do Comércio / Foto: ANDRESSA PUFAL/JC

Estudo aponta rodovias federais gaúchas entre as mais perigosas do País