Publicado em: 24/02/2022
O DECOPE – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas
Técnicas e Econômicas da NTC&Logística responsável por estudos
técnicos, voltados à apuração de custos de transporte rodoviário de cargas e
logística, estatísticas do setor, estudos macroeconômicos e formação de índices
de custos referenciais que medem a inflação do TRC.
Seguindo a sistemática de apuração dos índices que indicam o
impacto da variação dos preços dos insumos do serviço de transporte rodoviário
de carga, o DECOPE registrou no ano de 2021 os maiores índices de inflação
média para o segmento de carga lotação (INCTL) desde a criação deste índice
pela NTC em 2003. Já para o segmento de transporte de cargas
fracionadas (INCTF) o valor também é histórico, o maior dos últimos 25 anos
(superado apenas pelos números iniciais de 1995).
O acumulado de 12 meses do INCTL alcançou 27,65% em janeiro
de 2022, sustentado pelos quase 50% de aumento do diesel (47,97%). Nos 12 meses
o INCTF teve um acumulado de 18,58%. Contribui de forma significativa os
aumentos, nos últimos 12 meses, dos principais insumos utilizados pelo setor,
além do combustível: aditivo Arla32 51,35%, veículos 34,12%, rodagem 24,83%,
aluguéis 17,8%, e demais componentes.
É importante observar que este percentual se refere apenas a
inflação dos últimos 12 meses, não reflete a defasagem do frete que não só
persiste como aumentou nos últimos 2 anos por conta da Pandemia.
Ainda preocupa a falta do recebimento dos demais componentes
tarifários, tais como frete-valor que está relacionado aos custos dos riscos
legais da atividade e o GRIS que remunera os custos inerentes às medidas de
combate ao roubo de carga e os custos decorrentes dele.
Cabe lembrar que muitas vezes os custos adicionais,
decorrentes de serviços eventuais tais com: devolução, reentrega, permanência
de carga entre outros, são superiores ao próprio frete peso. Uma situação que
precisa ser tratada adequadamente pelo mercado rapidamente.
Concluindo, vivemos um momento conturbado
na economia e de grande instabilidade política no Brasil e
no mundo decorrente da pandemia da Covid-19, da ameaça de guerra entre Rússia e
Ucrânia, e das incertezas da campanha eleitoral neste ano de eleições gerais em
nosso País, disso resultando alta dos juros, aumento do dólar em relação ao
real, e mais inflação. Tudo isso agravando o setor de produção, ao ponto de se
verificar que, mesmo os insumos estando com valores altos, boa parte deles não
são encontrados no mercado, o que causa entraves à produção de importantes
produtos em vários países, inclusive no Brasil.
Além disso, persiste a condição onde muitos transportadores
não conseguiram reajustar seus fretes adequadamente comprometendo bastante o
caixa das empresas, razão pela qual, o alerta tem caráter vital para a
preservação da saúde financeira e da capacidade de investimento das empresas do
setor, sendo aconselhável e prudente que o transportador e seus contratantes
negociem o repasse da inflação do período e das defasagens anteriores, a fim de
manter o equilíbrio de seus contratos, a manutenção da qualidade e a garantia
dos serviços de transporte de forma sustentável.
Fonte: SETCESP / Foto: Divulgação