Publicado em: 14/04/2023
Qual a importância do operador logístico e da
intermodalidade para atender o agronegócio e o setor automotivo? Como
impulsionar o ecommerce e implantar o ESG e novas tecnologias? Como ter uma
infraestrutura de transporte planejada, que colabore para a ampliação da
produtividade e da competitividade das empresas? Essas e outras questões foram
debatidas, nesta quarta-feira (12), na sede da CNT, em Brasília (DF), durante o
seminário Os Desafios da Logística no Brasil, promovido pela Abol (Associação
Brasileira de Operadores Logísticos).
O evento contou com a participação de players de
diversos modais e de empresas líderes de seus segmentos, além de especialistas
e representantes de agências reguladoras e políticos. Eles discutiram e
analisaram a necessidade de novos investimentos para que o país possa ter um
sistema de transporte e logística planejado e estruturado.
Na abertura do encontro, o presidente da CNT (Confederação
Nacional do Transporte), Vander Costa, frisou que, no Brasil, infelizmente, a
deficiência em infraestrutura de transporte é histórica e o país convive com
uma defasagem de vários anos quando comparado aos países desenvolvidos. “O
problema é tão basilar que a CNT estima serem necessários mais de R$ 865
bilhões para viabilizar projetos de destaque em infraestrutura de transporte.
Essa condição de precariedade restringe a nossa capacidade de transportar as
riquezas produzidas, reduz a produtividade de nossas empresas e dificulta a
geração de empregos e a distribuição de renda para a nossa população.”
Vander Costa destacou, ainda, que o país necessita de
infraestrutura de transporte planejada, moderna e interligada, que contribua
para o aumento da produtividade e da competitividade, e que essa deve ser uma
agenda prioritária do Estado brasileiro.
O presidente do Conselho Deliberativo da Abol, Djalma
Vilela, afirmou que o seminário é uma oportunidade única para apresentar, ao
novo governo, a magnitude do segmento dos operadores logísticos.
“Queremos contribuir para o crescimento do Brasil, com estímulo à
intermodalidade e com uma reforma tributária que traga segurança. Estamos à
disposição do governo para construirmos uma logística mais justa”, disse.
Também participaram da abertura do evento o
diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, que representou o ministro dos
Transportes, Renan Filho; o secretário nacional de Portos e Transportes
Aquaviários, Fabrizio Pierdomenico; e o senador mato-grossense e presidente da
Frenlogi (Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura), Wellington
Fagundes (PL).
Operador logístico
O primeiro painel do dia abordou a importância do operador
logístico para o grande varejo e no estímulo ao ecommerce — que, durante a
pandemia, teve um aumento de 27%. A mesa contou com a presença da diretora
executiva adjunta da CNT, Fernanda Rezende; o presidente da DHL Supply Chain,
Plínio Pereira; e o diretor de logística da Fedex, Eduardo Araújo.
Durante o painel, Fernanda falou sobre as questões
operacionais e de infraestrutura do chamado last mile (mobilidade de
último quilômetro), que ainda devem ser superadas nos centros urbanos
brasileiros. “Os operadores logísticos têm um grande desafio pela frente. Nós
temos, hoje, mais de 213 milhões de habitantes, sendo que 85% deles vivem em
áreas urbanas, com características muito distintas. Para se ter uma ideia, 60%
dos mais de 5 mil municípios brasileiros têm menos de 20 mil habitantes. Ou
seja, são municípios pequenos onde, às vezes, não é possível ter uma estrutura
tão grande de centro de distribuição para fazer com que esses produtos
cheguem.”
Sobre os grandes centros urbanos, Fernanda informou que
eles enfrentam dificuldades logísticas tanto para realizar as entregas nas
cidades quanto para atender populações que vivem em áreas de difícil acesso.
“Esses dois universos, os grandes e os pequenos centros urbanos, têm
características muito distintas na operação, e isso é um grande desafio para os
operadores, que precisam universalizar essas entregas. Tem que entregar com
custo baixo, com tempo reduzido, independentemente do lugar.”
Para o presidente da DHL Supply Chain, o varejo mudou
durante a pandemia, o que acelerou tendências. “Tivemos um direcionamento para
o eletrônico, que demandou uma resposta muito rápida das empresas. O consumidor
quer comprar e receber no mesmo dia. O desafio é prestar um bom serviço em
áreas remotas. Precisamos aprender a posicionar o estoque e gerenciar as nossas
frotas”, explica.
Para o diretor de Logística da Fedex, Eduardo Araújo, a
tecnologia é extremamente relevante nesse processo. “Os operadores devem estar
preparados para atender à expectativa do consumidor, desde o pedido até
o last mile. O ecommerce precisa de um sistema que converse com os outros
sistemas”, disse.
Fonte: CNT / Foto: Divulgação