Publicado em: 23/11/2022
O setor de transporte no modal rodoviário carrega uma pauta
imprescindível para o seu desenvolvimento: a qualidade e a infraestrutura das
rodovias e das estradas do país ainda seguem sendo algumas das principais dificuldades
para as transportadoras.
A 25ª edição da pesquisa da Confederação Nacional do
Transporte (CNT) divulgada em novembro deste ano indicou resultados pouco
satisfatórios com relação ao estado de conservação das rodovias brasileiras.
Dos 110,3 mil quilômetros de rodovias públicas e concedidas à gestão privada
avaliados, apenas 34% foram classificados como ótimo ou bom, considerando a
pavimentação, a sinalização, a geometria de via e a existência de pontos
críticos; além disso, 66% da extensão pesquisada foram considerados como
regular (40,7%), ruim (18,8%) ou péssima (6,5%).
Levando em consideração o resultado da pesquisa de rodovias
concedidas à gestão privada, as transportadoras começam a avaliar com mais
afinco o seu trajeto para destinarem o transporte ao cliente final sem
prejudicar seus orçamentos. Segundo José Alberto Panzan, presidente do
Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP)
e diretor da Anacirema Transportes: O transporte de cargas no modal rodoviário
hoje, no Brasil, reflete diretamente em serviço com relação à qualidade e ao
dimensionamento das estradas, principalmente fora do estado de São Paulo, que
deixam muito a desejar. Há que se duplicar várias rodovias e melhorar o
pavimento e a infraestrutura nos pontos de parada e de obras para conseguirmos
diminuir o custo de transporte, e para isso é necessário investimento.
Há algum tempo, a Anacirema mudou sua estratégia e área de
atuação: realizamos viagens para um raio de até 500 km da cidade de São Paulo,
entendendo que conseguimos desta forma diminuir nossos custos, atender melhor
nossos clientes e transitar em rodovias melhores e com maior infraestrutura,
complementa Panzan.
Com a influência de um cenário político já definido no
Brasil com o término das eleições, já é possível que as empresas tenham um
olhar mais crítico com relação às concessões e a quem podem realizar as devidas
cobranças. Devemos ter uma política de investimentos e a necessidade de um
plano diretor ativo para não prejudicar as obras que já estão em andamento num
planejamento mais a longo prazo, afirma o executivo.
Com isso, há opiniões diversas a respeito das concessões
viárias no Brasil. Dentre prós e contras, José Alberto indica: No lado
positivo, creio que as concessões abram maiores investimentos no aumento e na
manutenção da malha viária, agregando serviços de apoio aos usuários e maior
segurança e melhorando a fluidez com maior eficiência. Porém, esses pontos
precisam ser analisados e cobrados em conjunto aos setores responsáveis para o
bem comum, pois temos visto que as concessões de rodovias têm sido uma
experiência saudável e que trazem investimentos necessários para ampliação e
para a manutenção das estradas e rodovias, ainda que traga o ônus da tarifa de
pedágio.
Portanto, as empresas que realizam o transporte rodoviário
de cargas projetam suas idealizações com essas novas concessões em aplicar
novas estratégias de negócio enquanto muitas rodovias e estradas no país ainda
causam grandes prejuízos às transportadoras pela falta de infraestrutura,
recapeamento e segurança conforme resultado das atuais pesquisas. Não creio que
deveremos ter alterações nos projetos e investimentos para rodovias no momento,
pois já é sabido que, para melhorarmos nossa economia, precisamos investir em
infraestrutura rodoviária e em outros modais de transporte, finaliza o
executivo.
Fonte: NTC&Logística / Foto: Divulgação