Publicado em: 24/10/2022
O Paraná somou em setembro US$ 1,8 bilhão em exportações,
ficando 21% abaixo do valor registrado em agosto, mas superando o resultado de
setembro do ano passado em 7,8%. O estado foi o sétimo do país que mais vendeu
para fora no mês passado e o segundo da região Sul, superado pelo Rio Grande do
Sul. No ano, as vendas de mercadorias para fora do país chegam a US$ 16,8
bilhões, com crescimento de 16% na comparação com o período, de janeiro a
setembro, de 2021.
Já as importações tiveram crescimento de quase 4% frente a
agosto, num total de US$ US$ 2,2 bilhões. O valor também é 51% superior ao
registrado em setembro do ano passado. Neste quesito, o Paraná é o quarto do
país que mais comprou produtos do exterior em setembro, representando 8,7% de
tudo que o Brasil adquiriu. Na região Sul, Santa Catarina supera o Paraná nas
importações. De janeiro a setembro, já são US$ 17 bilhões em valores
importados, alta de 38% em relação ao ano passado.
Diante desses números, o saldo da balança comercial
paranaense ficou negativo em US$ 349,2 milhões em setembro. No ano, o resultado
acumulado também é um déficit de US$ 195 milhões.
Embora o volume de mercadorias vendidas tenha diminuído em
mais de 20% em setembro, os valores exportados continuaram crescendo. “Esse
resultado é reflexo da inflação dos preços no mercado internacional”, pontua o
economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe. “2022
é um ano atípico porque o preço das commodities no exterior subiram demais. Já
vinham em valorização no período pandêmico e o conflito entre Rússia e Ucrânia
acentuou este cenário”, completa.
“Ao mesmo tempo em que valoriza bens e serviços vendidos
pelo Paraná para fora, essa situação também encarece insumos e matérias-primas
importadas pela indústria para fabricação de produtos, pressionando ainda mais
os custos de produção aqui”, analisa o economista da Fiep.
Mercados
e produtos
A China lidera o ranking dos principais mercados de destino
dos produtos paranaenses. Em setembro, quase 12% de tudo que o estado exportou
foram para lá. Na sequência vem a Argentina (10%) e Estados Unidos (7%). O
estado vendeu para outros 164 países no mês passado. No ano, as vendas para o
país asiático estão em queda de 29%, embora somem US$ 3,1 bilhões. Estados
Unidos vêm em seguida, com US$ 1,3 bilhão e com alta este ano de 19%. Argentina
soma US$ 1,1 bilhão e com crescimento no ano de 52%.
Nas importações, a China também lidera, com participação de
27% em setembro, seguida por Índia (10%) e Estados Unidos (9%). De janeiro a
setembro, a compra de produtos chineses somou US$ 4,4 bilhões, superando em
quase 60% o valor do mesmo período do ano passado. Estados Unidos também têm
alta de 63%, com US$ 2,2 bilhões, e Paraguai, crescimento de 16%, em US$ 721
milhões.
Soja foi o item campeão de vendas para fora pelo Paraná em
setembro, 21% da pauta total do estado. Em seguida vem carnes (18%) e material
de transporte (9,3%). Em 2022, o cenário não muda. Soja é o mais exportado
(28%), seguido por carnes (18%), madeira (9%), material de transporte (8%) e
açúcar (4%).
Já entre as importações no mês passado, produtos químicos
representaram 36% do total, seguido por petróleo (19%) e material de transporte
(9%). No acumulado deste ano, a situação é parecida, com produtos químicos
puxando as compras do exterior (39% da pauta). Na sequência, vem petróleo
(13%), material de transporte (10%), produtos mecânicos (8,5%) e materiais
elétricos e eletrônicos (7,7%).
“Importante mostrar que mesmo com resultados positivos no
ano, depois de quatro meses, o crescimento das exportações paranaenses teve
resultado negativo no mês”, aponta Felippe. “Isso pode estar atrelado a uma
sazonalidade de alguns produtos, como soja, por exemplo”, explica. Mas, para
ele, também deixa um alerta sobre questões que desestimulam a expansão da
atividade de comércio exterior, como as dificuldades e o alto custo logístico
no Paraná. “Esses gargalos causam perda de eficiência no escoamento da
produção, impactando na rentabilidade do empresário, além de outras barreiras
técnicas que impedem a evolução dos negócios para outros mercados promissores”,
conclui.
Fonte: D’Ponta News / Foto: Claudio Neves/APPA