Publicado em: 23/11/2022
A retirada das desonerações garantiria a obtenção de
superávit primário em 2023, disse hoje (22) o ministro da Economia, Paulo
Guedes. Em apresentação pouco antes da divulgação do Relatório Bimestral de
Avaliação de Receitas e Despesas, o ministro não comentou o novo corte de R$ 5,7 bilhões no Orçamento de 2022, mas
fez elogios ao prestar contas da gestão econômica nos últimos quatro anos.![]()
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De acordo com Guedes, com o fim das desonerações, o futuro
governo conseguiria transformar o déficit primário previsto para 0,4% do
Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 para superávit de 0,4% do PIB. Neste ano, o
governo cortou ou reduziu R$ 71,56 bilhões em impostos federais. No entanto, se
forem incluídas isenções e regimes especiais que vigoram há muitos anos, a
conta ficaria em torno de R$ 400 bilhões.
No ano passado, o governo incluiu na Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) Emergencial, que ficou conhecida como Novo Marco Fiscal após
a aprovação, a obrigatoriedade de apresentação de um plano para rever as
desonerações tributárias, mas a medida nunca foi adotada.
Teto de
gastos
Apesar de melhorar o resultado primário do governo (economia
de recursos para pagar os juros da dívida pública), a retirada das desonerações
não alivia a compressão das despesas por causa do teto de gastos. No último dia
16, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, apresentou uma PEC para excluir até R$ 198 bilhões do
teto a partir do próximo ano. O dinheiro seria usado para manter em R$ 600 o
valor do Bolsa Família, pagar um adicional de R$ 150 a famílias com crianças de
até 6 anos e fazer investimentos federais de até R$ 23 bilhões.
Com os recursos excluídos do teto, o futuro governo ganharia
espaço fiscal para recompor o Orçamento em cerca de R$ 105 bilhões e garantir a
execução de programas sociais e políticas públicas que tiveram cortes no
projeto do Orçamento de 2023.
O fim das desonerações não tem efeito sobre o teto porque o
resultado primário considera as receitas e as despesas e pode ser inflado em
momentos de crescimento econômico e de inflação alta, como ocorre atualmente. O
limite de gastos, em contrapartida, afeta apenas as despesas e, da forma como
foi adotado no Brasil, não está relacionado a ciclos econômicos e vale tanto
para momentos de crescimento como para momentos de queda da economia.
Balanço
Durante a apresentação, Guedes fez um balanço sobre os
quatro anos de gestão à frente do Ministério da Economia. Rebateu o que
classificou de “falsas narrativas” e voltou a dizer que o atual governo
conseguiu “vencer as duas guerras [pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia]
com responsabilidade fiscal e todo mundo trabalhando”.
“Será que todos nós erramos e deixamos o país em ruínas? É
essa a verdade ou tem gente mentindo?”, questionou o ministro, que fez uma
comparação com extraterrestres e universo paralelo. “Será que passou um ser
extraterrestre ou passou um governo com eixos bem produzidos?”. Em seguida, o
ministro advertiu sobre uma suposta “história de inversão e de universo
paralelo”.
“Enfrentamos tudo isso, prestando contas com transparência e
chegamos ao final sem empurrar uma conta para o futuro. Quer criar uma história
alternativa? Então o TCU [Tribunal de Contas da União] dormiu no ponto, o
governo foi irresponsável e o ministro foi inepto?”, continuou a indagar.
O ministro também apresentou projeções sobre a economia.
Segundo Guedes, o governo chegará ao fim de 2022 com uma dívida bruta de 74,3%
do PIB. Em setembro, conforme o dado mais recente disponível, o indicador
estava em 77,1% do PIB. Guedes disse que o superávit primário do governo central
poderá chegar a 0,4% do PIB em 2022, contra projeção divulgada hoje de
resultado positivo de 0,2%.
Fonte: Agência Brasil / Foto: Fabio
Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil